sexta-feira, 10 de maio de 2013

A Angústia - Paul Verlaine

Nada em ti me comove, Natureza, nem 
Faustos das madrugadas, nem campos fecundos, 
Nem pastorais do Sul, com o seu eco tão rubro, 
A solene dolência dos poentes, além. 

Eu rio-me da Arte, do Homem, das canções, 
Da poesia, dos templos e das espirais 
Lançadas para o céu vazio pelas catedrais. 
Vejo com os mesmos olhos os maus e os bons. 

Não creio em Deus, abjuro e renego qualquer 
Pensamento, e nem posso ouvir sequer falar 
Dessa velha ironia a que chamam Amor. 

Já farta de existir, com medo de morrer, 
Como um brigue perdido entre as ondas do mar, 
A minha alma persegue um naufrágio maior. 


Paul Verlaine, francês. Um dos maiores poetas de todos os tempos.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Lado A. Lado B.



Você está ligado nos discos de vinil? Pois é...

Os "LP's" traziam em si a possibilidade de gravações em ambos os lados, chamados de Lado A e Lado B. Percebi, na maioria das vezes, que os discos tinham em seu Lado A as músicas mais famosas e comerciais (também chamadas de 'música de trabalho') que eram as que tocavam no rádio. Com elas a popularidade do álbum e da banda (ou artista) aumentava ou diminuia, conforme a recepção do público. Essas músicas, por serem tradicionalmente de vendagem, logo me enchiam o saco. Eram o que os produtores do álbum queriam (às vezes forçando a gravá-las) e não a total vontade do artista.

Entretanto em seu Lado B vinham as experimentações, a naturalidade e o que os artistas realmente tinham de verdadeiro. Todos (na época) éramos atraídos pelo Lado A, no entanto o que realmente significava era o B. Era de lá que vinha explicitada a veia sonora e intelectual de cada qual que fazia música. Ali estavam os anseios, os medos, as realidades, as cruezas, os detalhes.

É assim que vejo as pessoas.

Vivemos em um mundo de pessoas comerciais. Elas tentam a todo momento te 'vender' uma imagem, um produto que vem mascarado, ou seja, um Lado A que habita nelas. Incentivado cada vez mais pelas mídias e redes sociais, esse lado pode se tornar prejudicial para a pessoa. Da mesma forma que alguns artistas são conhecidos por 'a banda de uma música só', esses indivíduos tem a tendência a ficarem rotulados. Por culpa dos próprios, seu A torna-se o álbum inteiro. Deixam escondido dos outros o que tem de real para mostrar.

Por isso que prefiro o Lado B dos seres. É nele que vê-se como a pessoa realmente é. Seus medos, suas fraquezas, suas forças e seus desejos. Nota-se a essência quando o que percebe-se é a imperfeição. Naturalmente ninguém é perfeito e isso já seria um requisito inquestionável para agirmos com total liberdade.

Entendo que o mundo não funciona assim. Que o que temos a disposição é um catálogo de formas a escolha de cada um. Compramos o que vemos, ou não. Colocamos a venda o que temos, ou não. A primeira impressão é a que fica. Mas o que conta são suas particularidades. O que vale é o seu Lado B.

Questão de Direito Constitucional


O que são as Imunidades Parlamentares, suas formas, desígnios e atribuições?

As imunidades parlamentares são prerrogativas inerentes à função parlamentar para garantir o exercício do mandato parlamentar com plena liberdade.

Elas são de dois tipos: 

1 - imunidade material, real ou substantiva (denominada também de inviolabilidade): está elencada no caput do art. 53 da CF/88 e implica na exclusão da prática de crime, bem como a inviolabilidade civil, pelas opiniões, palavras e votos dos parlamentares;

2 - imunidade processual, formal ou adjetiva: art. 53, §§ 2º a 5º, CF/88, traz as regras sobre prisão e processo criminal dos parlamentares.

Na sua essência, essas prerrogativas atribuídas aos parlamentares, visam garantir a democracia, na medida em que os mesmos podem livremente manifestar suas opiniões, garantindo-se contra prisões arbitrárias, ou mesmo rivalidades políticas.

A imunidade material ou inviolabilidade parlamentar, é garantida aos parlamentares federais regendo que os mesmos são invioláveis, civil e penalmente, por qualquer de suas opiniões, palavras e votos, desde que proferidos em razão de suas funções parlamentares, onde estiver, não se restringindo ao âmbito do Congresso Nacional. Assegura a independência do parlamentar no exercício de suas atribuições.

Com relação à imunidade formal para a prisão, os parlamentares gozam de seus benefícios a partir do momento em que são diplomados pela Justiça Federal. 
A regra geral nos diz que os parlamentares não poderão ser presos, seja a prisão penal ou a prisão civil. Entretanto há uma única exceção à regra, qual seja, a de prisão em caso de flagrante de crime inafiançável; no entanto, mesmo nessa hipótese, os autos deverão se remetidos à Casa Parlamentar respectiva, no prazo de 24 horas, para que, pelo VOTO DA MAIORIA ABSOLUTA DE SEUS MEMBROS, resolva sobre a prisão. 
Destaca-se que devido a inclusão da Emenda Constitucional 35/2001, a votação dos congressistas não será secreta e, sim, pelo voto aberto. Após o advento dessa EC, também designou-se que a denúncia poderia ser diretamente recebida no STF, sem a prévia licença da Casa respectiva (onde, em muitos casos, não era deferida a prisão), devendo o STF, assim que recebida a denúncia, dar ciência à Casa respectiva do Parlamentar, que por inciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria dos seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

To F



É incrível a quantidade de erros que cometemos.

Um simples gesto impensado, uma palavra mal proferida ou um momento desperdiçado, e conseguimos estragar as coisas.

Erramos tentando acertar, pecamos pelo exagero, trocamos os pés pelas mãos; lugares-comuns esses. A mais pura verdade.

Tentei eternizar um pedaço seu. Dedos lindos, unhas coloridas, uma aperto de mão, a vontade de ser o outro. Delirando, perdi-me em devaneios e senti-me ruborizar perante todos.

Tarde demais para voltar atrás.

Mas não tarde para admitir o erro e redimir a culpa. 

Espero que compreenda e um dia, quem sabe, me perdoe.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

lua

e a lua serena aparece
e parece voar
e parece arder
e parece brilhar

do fogo, a luz
da pedra, o céu
da noite, o sol
do olho, o véu

brinca de surgir
uma briga estelar
no mar de escuridão
esperança a alentar

aos simples, não existe
aos amantes, castiçal
aos que fogem, ingratidão
aos poetas, ideal

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Aqui é meu lugar!


Escreva uma carta


Isso mesmo! Pegue um papel e uma caneta. Coloque uma música que goste e abra a janela. Ponha-se a escrever.

Deixe com que sua mente divague, com os dedos soltos, sem medo, leve e simples. Escreva sobre a saudade que sente daquela pessoa, sobre o último encontro que tiveram, lembranças da turma do colégio, um convite para sair, uma viagem a programar. Faça com que as palavras saiam naturalmente, não force nada, apenas chegue ao fim de uma frase; e outra e outra e outra.

Ok, sei que os meios digitais tornam tudo isso mais fácil. Entretanto  as redes sociais estão cada vez mais chatas. O e-mail continua frio como a tela do computador. Nem um nem dois SMS's conseguem transmitir o que realmente você quer dizer.

No papel sente-se onde a mão treme quando se escreve uma palavra significativa, deixa marcas onde uma lágrima cai na construção de uma frase, percebe-se o tamanho da emoção ao concluir um parágrafo. Não há corretor ortográfico (e também não fica nada feio quando algum erro surge como equívoco), nem espaçamento automático, muito menos tipo e tamanho da fonte. Sublinhe; rabisque; desenhe; permita-se! 
O papel aceita tudo.

Ao final dessa função pegue um envelope, aponha o endereço e saia de casa. Sim, compre um selo, não sem no trajeto olhar em volta o ambiente, o espaço, aquela manhã de sol, um pássaro cantando, as pessoas andando apressadas (sempre!). Entregue a carta numa caixa de coleta (aquelas amarelinhas, saca?), ou no Correio. E aguarde.

Esse tempo de aguardo é fenomenal. A pessoa do outro lado nem imagina o que está para chegar. Você fica apreensivo 2, 3, 4, 5 dias até que sua carta é entregue. E aí, amigo, garanto que o mundo se transforma. O destinatário se surpreenderá. Imaginará que você dispendeu um pequeno tempo de sua vida para dedicar-se exclusivamente em escrever algumas palavras para ele. Perceberá a grandiosa importância que tem aquele simples papel e uns garranchos escritos. É capaz de você receber de volta uma resposta nos mesmos moldes escrita por aquela pessoa ou mesmo o simples SMS.

Mas a maior recompensa é você imaginar a reação da pessoa ao receber, em meio as contas de água/luz/faturas de cartão, um envelope escrito à mão. Certamente um sorriso brotará no rosto dela.

Faça isso agora!

Escreva uma carta

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Não! Você não pode

Você não pode se apaixonar por alguém que não gosta de você.
Você não pode se apaixonar por alguém maior do que você.
Você não pode se apaixonar por alguém que não te conhece.
Você não pode se apaixonar por alguém que sabe teus defeitos.
Você não pode se apaixonar por alguém que namora seu amigo.
Você não pode se apaixonar por alguém que não seja de sua cor
Você não pode se apaixonar por alguém do mesmo sexo.
Você não pode se apaixonar por alguém casado.
Você não pode se apaixonar por alguém que mora longe.
Você não pode se apaixonar por alguém que é seu amigo.
Você não pode se apaixonar por alguém de religião diferente.
Você não pode se apaixonar por alguém que tenha filhos.
Você não pode se apaixonar por alguém de outro planeta.
Você não pode se apaixonar por alguém que foi preso.
Você não pode se apaixonar por alguém certinho.
Você não pode se apaixonar por alguém que seja verde.
Você não pode se apaixonar por alguém que te compreenda.
Você não pode se apaixonar por alguém que tenha gatos.
Você não pode se apaixonar por alguém que veja novelas.
Você não pode se apaixonar por alguém que te esnobe.
Você não pode se apaixonar por alguém que seja rico.
Você não pode se apaixonar por alguém que te aqueça.
Você não pode se apaixonar por alguém que te queira.
Surpreenda-se. Arrisque-se. Desmistifique-se.
Se a porta não se abrir, chute-a.
Essa é sua vida.
E, se tiver sorte, será ÚNICA.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Quase o fim

Estou a um pequeno passo de abandonar minha incursão literária.

Cheguei a conclusão de que sou um ótimo leitor; gosto de bons livros, me divirto com as histórias, tento me colocar no lugar de autores, personagens, épocas e situações que eles nos trazem.

Entretanto vejo que é uma perda de tempo eu tentar escrever e apenas conseguir alguns textos medíocres e péssimos poemas. Pouparei quem segue este blog e a mim mesmo. Guardarei esse tempo que permaneço com um lápis na mão à espera de uma frase para ler um bom capítulo de um autor que realmente tem o dom para a coisa.

Sobre as coisas que penso, as frases que ficam incompletas e a tendência insistente para largar tudo no papel, tentarei achar uma outra forma de extravasar.

Da mesma forma que temos que abandonar um livro ruim nas primeiras páginas, um péssimo filme em suas primeiras cenas ou alguma música mal feita já nos primeiros acordes, temos que fazer algumas escolhas na nossa vida.

Não há tempo a perder com o que não vale a pena.

A vida é curta.

E há tantos livros bons para serem lidos... não quero perder meu tempo escrevendo um horrível.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Fuck!

Escrevi um baita texto sobre filmes e.. .. perdi ele!
Desisti.

Outras postagens no decorrer da semana (ou do mês) {quem sabe do ano}

Putaquepariu!

domingo, 31 de março de 2013

31 - trinta e um

31 3 13
três um três um três
tres unum tria unum tria
three one three one three
drei ein drei ein drei
3 واحد ثلاثة واحد ثلاثة
ένα τρία τρία ένα τριάρι
tre en tre en tre
tiga satu tiga satu tiga
три один три один три

quarta-feira, 27 de março de 2013

Eu via


Eu o vi
Ele estava num campo
Um balão girava em volta dele
Via-se os cabelos esvoaçando no cesto
Uns olhos tristes miravam o chão
O balão dava voltas e voltas e voltas

Eu o vi
Era uma estação de trem
Um vagão chegava e partia
À janela, os mesmos olhos
Ele continuava parado
O trem chegava e partia e chegava

Eu o vi
Parado na calçada
Chovia fortemente
Seu olhar mirava a janela em frente
Um vulto figurava no apartamento
Enquanto a água escorria pelo vidro

Eu o vi
No meio da multidão
Todos estavam apressados
Ninguém se aproximava dele
Pareceu ver aqueles olhos
Mas não conseguiu sair do lugar

Eu o vi
Não era um desconhecido
Aquele cara parado ali
Era eu.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Sonho


Acordei sobressaltado
Sonhava com você
Estavas tão linda
Tão bela
Sorria como eu fosse único
Falava como fosse cantar
Tocava-me o rosto
Arrepiava-me o corpo
Abraçava-me
Agitado abri os olhos
Aos pés da cama
Roupas espalhadas
Um copo meio vazio
Pássaro a cantar
Manhã cinzenta
Da lembrança
O perfume
Que não consegui sonhar

quarta-feira, 13 de março de 2013

Noite sem luz

Foi numa tarde em que faltou luz. Um desses fins de tarde de julho ou agosto. O fogo crepitando no fogão à lenha, a chaleira fervendo, os pinhões estalando na chapa. Enquanto o sol se punha no horizonte fomos acendendo velas. Minha mãe, meu pai, meus irmãos e eu. Escurecia lá fora e dentro de casa a penumbra ia tomando conta dos cômodos. À luz das velas, as sombras se moviam lentamente. Sentamos no sala, todos os seis. Não havia barulho; nem na rua, nem dentro de casa. Um relógio de parede insistia em contar os segundos, tic-tac-tic-tac, há muito esquecido. Apenas a chuva que caía em telhado de zinco nos arredores servia de trilha sonora para este momento. Principiamos a conversar, brincar um com o outro, lembrar de passagens da vida de cada um; uma estória engraçada de tempos idos de nossa infância, um conto ouvido do primo do vizinho de alguém, uma anedota nova que nos fez rir e até algum plano para o futuro. Ficamos por uma eternidade aproveitando aquele momento que pareceu fazer com que nossos corações chegassem a pulsar no mesmo ritmo. A chuva foi diminuindo lá fora, o relógio já não se ouvia mais, a conversa estava muito animada e então... a luz voltou. Alguém sorriu, o pequeno comemorou, a geladeira voltou a funcionar, dois ou três carros passaram na rua e a televisão foi ligada. Cada um foi para um lado, as velas foram apagadas e o sorriso em cada rosto foi reduzindo-se. Durante cinco ou dez minutos não nos falávamos, quase não nos olhávamos e apesar de o apresentador do jornal nos lembrar de uma notícia urgente, logo estávamos todos sentados nos mesmos lugares de antes. A TV foi desligada, as luzes apagadas e as velas acesas. E antes mesmo do terceiro tic-tac já estávamos todos tendo a melhor noite em família.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Spider-man

Quem aqui, amigo, nunca brincou disso? 

Então perdeu muito da infância...

Quase nada - Dado Villa Lobos


Tanta coisa simples
Mas a gente não
Vejo bem do alto
Asa do avião

Ritmos e cores
Bem à vontade diante de mim
Lábio e ritmo negro
Que samba cançâo

Os lugares são simples
Paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela

O mundo não parece mais que um chão
Seria um chão se eu vivesse um pouco melhor
Só vendo a paisagem
Só vendo a beleza passando ao redor

Os lugares são simples
Paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela

Toda esperança tem um fio muito curto
Quando perco metade parece quase tudo
Quase tudo, quase tudo
Que tenho pego como a areia pega a mão
E quando fica alguma coisa é quase bom
Melhor que um dia atrás do outro sem ilusão

Os lugares são simples
Paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela

quarta-feira, 6 de março de 2013

Chorão 1970-2013


Essa imagem que eu tenho parece ter se passado ontem. Estava sentado no sofá de casa, esperando que algo acontecesse. Vínhamos da geração seguinte à explosão de bandas de rock da década de 80. Expoentes como a Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha já haviam marcado seus nomes na história da música brasileira. Entretanto essa não era nossa geração, precisávamos de algo que fizesse com que nos identificássemos com o tempo que vivíamos, algo que também firmasse aquela década de 90.

Havia surgido pelo mundo inteiro bandas que se propunham a fazer um som diferente, uma pegada mais pesada, com algum diferencial do rock de sempre. Surgiram o Nirvana e seu grunge, Pearl Jam e Red Hot Chilli Peppers; no Brasil havíamos visto a quebra de algumas barreiras com o sensacional e polêmico Planet Hemp e também com Raimundos e seu hardcore calango. Mas parecia faltar alguma coisa, algo que viesse a complementar a musicalidade.

Então com a TV ligada na plim-plim, fingindo assitir o Jô Soares, tive a primeira visão de algo muito novo. O apresentador anuncia a banda: 'Com vocês, Charlie Brown Jr.!!"; olho para a tela e do meio da platéia um 'gurizão' com as calças e camisetas largas, boné e jeitão despojado, desliza por entre as fileiras com seu skate. Bahhhh!!!! Era o Chorão. Quando ouvi os primeiros acordes, batidas, vocal e letra de 'O coro vai comê' identifiquei-me na hora com o som que eles mandavam.

Nossa!!! Eu tinha quinze, quase dezesseis, recém recebido meu segundo salário, passei em uma loja de cd´s e comprei o 'Transpiração Contínua e Prolongada'. Quase furei-o de tanto escutar. Todas as faixas ótimas, com um senso político, crítico e senso de humor tremendos. Estava aí mais uma banda que faria parte de toda a minha vida.

Cresci ouvindo todas as músicas que eles lançavam. A cada disco várias novidades, parcerias e muita, muita poesia. Em todas as festas que eu ia, tocava. Em casa, ouvia. No carro, obrigatório. Amadureci (?) junto com a banda (?). Ri muito de tudo que o Chorão aprontou no palco e fora dele. Dei uns tapas nos Los Hermanos, quando eles foram se apresentar em Santa Maria (e levei outros tantos) {lembra, Banzo?} para consolidar meu apoio naquele episódio dele com o Camelo. Quando assiti na TV o Acústico MTV do Charlie Brown, pirei. Procurava todas as reprises para rever o showzaço que os caras fizeram.

Aí eis que tive a chance de vê-los ao vivo. Planeta Atlântida. Os caras montaram um half no palco e enquanto a banda tocava, 2 guris ficavam fazendo manobras de skate. Indescritível! Chorão andava também, deslizava com seu carrinho pela pista e animava a galera... E sobre esse momento não consigo escrever mais nada. Eles continuaram a fazer shows e lançar discos. A banda mudou mas seu 'bandleader' sempre esteve lá; e sempre estará.

Hoje Chorão nos deixou. Eu terei sempre aquelas imagens dele, na televisão e no show, com o skate no pé e a música no coração.

Descanse em paz, irmão e faça música onde estiver.

Obrigado por tudo.

Lugar ao sol - Charlie Brown Jr.

R.I.P. Chorão.

Que bom viver, como é bom sonhar
E o que ficou pra trás passou e eu não me importei
Foi até melhor, tive que pensar em algo novo que fizesse sentido

Ainda vejo o mundo com os olhos de criança
Que só quer brincar e não tanta "responsa"
Mas a vida cobra sério e realmente não dá pra fugir

Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol

Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol

Um dia eu espero te reencontrar numa bem melhor
Cada um tem seu caminho, eu sei foi até melhor
Irmãos do mesmo Cristo, eu quero e não desisto

Caro pai, como é bom ter por que se orgulhar
A vida pode passar, não estou sozinho
Eu sei se eu tiver fé eu volto até a sonhar

Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol

Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol

O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus que nunca acaba

O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus... que nunca acaba

Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor
Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor

Eu vou com você pra onde você for
Eu descobri que é azul a cor da parede da casa de Deus
E não há mais ninguém como você e eu

terça-feira, 5 de março de 2013

Camerlengo

Camerlengo é um título de origem medieval ainda em uso em alguns
ordenamentos políticos modernos. Deriva do latim medieval
'camarlingus', que, por sua vez, vem do frâncico 'kamerling', que veio
do latim 'camerarius', que significa "adido à câmara" (ficando
geralmente subentendido "do tesouro" e "do soberano"). O significado
do título e a função são em parte comparáveis aos do cubiculário, no
Baixo Império Romano, no Império Bizantino e no Papado. Na língua
inglesa antiga, o título tomou a forma de 'chamberlain'.

Em geral, o título designa aquele que administra o tesouro e os bens
do Estado, e o órgão por ele administrado normalmente tem o nome de
"câmara". Outra função fundamental do cargo é assumir, interinamente,
a direção de toda a Igreja Católica no momento de falecimento ou
abdicação do Papa vigente, ganhando todos os seus atributos
administrativos: devendo administrar o encerramento do papado,
organizar um novo conclave e realizar a transição para um novo Sumo
Pontífice - processo que pode levar meses.

O Camerlengo da Igreja Católica

O título camerlengo, na Igreja Católica, refere-se a um Cardeal do
Colégio dos Cardeais. O Camerlengo da Igreja Católica é o
administrador da propriedade e receita da Santa Sé; suas
responsabilidades incluem a administração fiscal do Patrimônio de São
Pedro. Seu brasão é ornamentado com duas chaves, sendo uma prateada e
a outra dourada. A dourada demonstra a parte divina da igreja, a
prateada a parte humana. As duas chaves são sobrepostas por um
ombrellino, um guarda-chuva de listras alternantes vermelhas e ouro
(amarelas), que também é o brasão da Sede Vacante (tempo entre a morte
ou renúncia de um papa e a eleição de outro).

Até o século XI, o Arquidiácono da Igreja Católica Apostólica Romana
era responsável pela administração da propriedade da Igreja Católica,
mas seus inúmeros antigos privilégios e direitos o tornavam um
obstáculo para a ação independente do Papa; como resultado, quando o
último Arquidiácono, Cardeal Hildebrando, foi eleito para o
Pontificado em 1073, ele suprimiu o título de arquidiácono, e o
cardeal responsável pelos bens da Santa Sé ficou conhecido como
Camerarius, ou Camerlengo.

A maior responsabilidade do Cardeal Camerlengo é a determinação
formal da morte do Papa; o procedimento tradicional, já em desuso,
para essa situação se dava batendo gentilmente um martelo de prata na
cabeça do Papa e chamando o seu nome. Hoje o processo do martelo não é
mais usado, e após o Papa ser declarado morto, o Camerlengo remove o
Anel do Pescador do seu dedo e o corta com uma grande tesoura na
presença dos demais Cardeais, e também destrói a face do selo do Papa
com o Martelo de Prata. Esse ato simboliza o fim da autoridade do
último Papa. O Camerlengo notifica então os oficias apropriados da
Cúria Romana e o Decano do Colégio dos Cardeais. Depois, ele começa os
preparativos para o conclave e o funeral do Papa.

Até que o sucessor do Papa seja escolhido, o Cardeal Camerlengo serve
como o Chefe de Estado atuante do Vaticano. Ele não é, entretanto,
responsável pelo governo da Igreja Católica durante a sede vacante,
sendo portanto impossibilitado de tomar ações próprias do Sucessor de
Pedro, como por exemplo, escrever encíclicas, criar ou unir dioceses,
nomear bispos, etc. A Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis
colocou a tarefa de governar a Igreja, durante a Tempe sede vacante,
na mão do Colégio dos Cardeais - apesar desse poder governamental ser
extremamente restrito, possibilitando apenas que a Igreja continue
operando e realizando funções básicas, sem poder tomar decisões ou
compromissos que são normalmente delegados apenas ao Papa, como já
citados acima. O Camerlengo, ainda assim, mantém seu escritório
durante a sede vacante, ao contrário do resto da Cúria Romana.

O Camerlengo actual é o Secretário de Estado de Sua Santidade Sua
Eminência Reverendíssima Dom Cardeal Tarcisio Bertone, Cardeal-bispo
de Frascati.


Lista dos Camerlengos da Igreja Católica

Ludovico Mezzarota Scarampi (1440-1465)
Latino Orsini (1471-1477)
Guillaume d'Estouteville (1477-1483)
Raffaele Sansoni Galeotti Riario Della Rovere (1483-1521) O.F.M.
Innocenzo Cibo (1521)
Francesco Armellini Pantalassi de' Medici (1521-1528)
Agostino Spinola (1528-1537)
Guido Ascanio Sforza (22 de Outubro de 1537 - 6 de Outubro de 1564)
Vitellozzo Vitelli (17 de Novembro de 1564 - 19 de Novembro de 1568)
Michele Bonelli (3 de Dezembro de 1568 - 10 de Maio de 1570) O.P.
Luigi Cornaro (10 de Maio de 1570 - 10 de Maio de 1584)
Filippo Vastavillani (1584-1587)
Enrico Caetani (1587-1599)
Pietro Aldobrandini (1599-1621)
Ludovico Ludovisi (19 de Abril de 1621 - 7 de Junho de 1623)
Ippolito Aldobrandini (7 de Junho de 1623 - 19 de Julho de 1638)
Antonio Barberini (28 de Julho de 1638 - 4 de Agosto de 1671) O.F.M. Cap.
Paluzzo Paluzzi Altieri degli Albertoni (4 de Agosto de 1671 - 29 de
Junho de 1698)
Giovanni Battista Spinola (24 de Novembro de 1698 - 19 de Março de 1719)
Annibale Albani (1719-1747)
Silvio Gonzaga Valenti (1747-1756)
Girolamo Colonna di Sciarra (1756-1763)
Carlo Rezzonico (1763-1799)
Romoaldo Braschi-Onesti (1800-1801)
Giuseppe Maria Doria Pamphili, pro-camerlengo (1801-1814)
Bartolomeo Pacca (1814-1824)
Pietro Francesco Galeffi (1824-1837)
Giacomo Giustiniani (1837-1843)
Tommaso Riario Sforza (1843-1857)
Lodovico Altieri (1857-1867)
Filippo De Angelis (1867-1877)
Gioacchino Vincenzo Raffaele Luigi Pecci (1877-1878), eleito Papa Leão XIII
Camillo di Pietro (1878-1884)
Domenico Consolini (1884)
Luigi Oreglia di Santo Stefano (1885-1913)
Francesco Salesio della Volpe (1914-1916)
Pietro Gasparri (1916-1934)
Eugenio Pacelli (1935-1939) eleito Papa Pio XII
Lorenzo Lauri (1939-1941)
Benedetto Aloisi Masella (1958-1970)
Jean-Marie Villot (1970-1979)
Paolo Bertoli (1979-1985)
Sebastiano Baggio (1985-1993)
Eduardo Martínez Somalo (5 de Abril de 1993 - 31 de Março de 2007)
Tarcisio Bertone (4 de Abril de 2007 - ) S.D.B.

--
1berto

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

K. AAA


Esta manhã acordei meio sobressaltado. Como costumeiramente acontece, frases brotaram na minha cabeça acerca de sonhos, pensamentos e acontecimentos de minha vida. Então comecei a formular algumas frases, que juntas dariam início a mais alguma postagem aqui no blog.

Nunca sei, logo de saída, o que ele se tornará; pode ser um poema, um diálogo, uma cena, uma imagem, um texto. Dessas frases soltas, procuro algumas emendas (que recorrentemente saem melhores que as originais) e então vou dando forma ao que eu gostaria de expressar. O que aconteceu nesta manhã foi que houveram algumas frases, soltei-as no papel e tentei dar forma. Teve um princípio de soneto, entretanto não tenho técnica para escrever um. Logo tornou-se um poema. Lutei com os versos, com as frases, procurei rimas, sonoridades, palavras; o que saiu fui um nada dizendo coisa nenhuma. O que eu queria dizer estava ali, no entanto faltou 'algo mais'. Já havia percebido isso, faltava-me uma segunda opinião.

Então eis que surge K, recém nomeada AAA (Assessora para Assuntos Aleatórios). Digo RECÉM NOMEADA, mas o cargo há tempos havia sendo ocupado por ela. Dela sempre surgem palavras que me ajudam a perceber o que está faltando ou sobrando quando escrevo (é,,, às vezes me apresso e K só vê quando já é tarde demais). O que mais gosto é sua opinião e o debate que temos quando das minhas publicações.

Foi isso que ocorreu essa manhã. Enviei o poema para ela aguardando os comentários. Foi a própria que me falou sobre o 'algo mais' que faltava, teceu mais alguns questionamentos e ajudou-me decidir a deixar aquela postagem de lado por enquanto, até que amadureça a ideia, me acostume melhor com o tema e, futuramente, se conseguir driblar os excessos, publicar da melhor forma possível.

Sou muito grato a toda ajuda que ela me proporciona.
Aproveito, também, para desculpar-me pelas coisas horríveis que ela tem que ler para me ajudar a escrever aqui.

Thank you, K.

p.s.: esta postagem saiu sem a prévia aprovação da AAA.

* Seu nome está sendo preservado em função de garantir a segurança da colaboradora.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Quem sabe - Florbela Espanca

Eu sigo-te e tu foges. É este o meu destino:
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça!

Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?!

Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais.

Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
............................................
Por me fugires, sim, talvez me queiras mais!

Trecho: A Guerra dos Tronos - George R. R. Martin - As crônicas de gelo e fogo

" - Por que lê tanto?

Tyrion ergueu os olhos ao ouvir aquela voz. Jon Snow estava a alguns pés de distância, olhando-o com curiosidade. Fechou o livro sobre um dedo e disse:

- Olhe-me e diga o que vê.

O rapaz olhou-o com suspeita.

- Isto é algum truque? Vejo você. Tyrion Lannister.

Tyrion suspirou.

- Você é notavelmente gentil para um bastardo, Snow. O que você vê é um anão. Você tem o quê? Doze anos?


- Catorze - disse o rapaz.

- Catorze, e é mais alto do que alguma vez serei. Minhas pernas são muito curtas e tortas, e caminho com dificuldade. Necessito de uma sela especial para não cair do cavalo. Uma sela de minha própria concepção, talvez te interesse saber. Era isso ou montar um pônei. Meus braços são suficientemente fortes mas, uma vez mais, demasiado curtos. Nunca serei um espadachim. Se tivesse nascido camponês, provavelmente teriam me expulsado para que morresse, ou vendido para a coleção de aberrações de algum negociante de escravos. Mas, ai de mim! Nasci um Lannister de Rochedo Casterly, e as coleções de aberrações são das mais pobres. Esperam-se coisas de mim. Meu pai foi Mão do Rei durante vinte anos. Aconteceu que mais tarde meu irmão matou esse mesmo rei, mas minha vida está cheia dessas pequenas ironias. Minha irmã casou-se com o novo Rei e o meu repugnante sobrinho será rei depois dele. Devo cumprir minha parte pela honra de minha Casa, não concorda? Mas como? Bem, poderei ter as pernas pequenas demais para o corpo, mas minha cabeça é grande demais, embora eu prefira pensar que tem o tamanho certo para minha mente. Possuo um entendimento realista das minhas forças e fraquezas. A mente é a minha arma. Meu irmão tem sua espada, o Rei Robert, o seu martelo de guerra, e eu tenho a mente... e uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada. - Tyrion deu uma palmada na capa de couro do livro - É por isso que leio tanto, Jon Snow."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Hj

Hoje preciso de um bom banho,
um pouco de música,
um filme ruim
e um travesseiro sobrando.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Cenas

CENA I
(à porta da casa dela)

- Vim aqui apenas para te ver.
- (...)
- E dizer que amo-te.
- (...)
- Queria ao menos mirar mais uma vez teus olhos, do jeito que os meus
ainda estão.
- E como eles estão?
- Brilhando, a cada vez que te veem.
- Por que 'ainda'?
- Porque sei que assim que não puder mais te ver, tudo mudará. Você
mudará e eu também.
- Capaz. Ficaremos do mesmo jeito.
- Tu até pode ficar, entretanto eu... Não gostaria mais de estar aqui.
- Queria estar onde?
- Aqui (leva seu dedo até a têmpora dela), mas principalmente aqui
(baixa o dedo à altura do coração).

* * *

CENA II
(encontram-se na fila do cinema)

- Que bom te ver!
- Pois é, quanto tempo.
- Muito.
- Filme? (pergunta idiota!)
- Sim.
- (...)
- (...)
- (...)
- Vou indo, minha sessão vai começar.
- Ok. A gente se fala.
- Beijo.

Quando ele consegue mover seus pés não há mais ninguém ali. E ela não
vira uma vez para trás. Olha o bilhete e decide trocar por um do Woody
Allen.

* * *

CENA III
(ele sentado à beira do lago, ela chega)

- É tarde.
- (...)
- Perdi uma vida procurando o que sempre esteve do meu lado.
- Eu tentei a busca, mesmo sabendo onde estaria.
- Há tempo para nós?
- Meu olhar anuviou-se. Já não tem o mesmo brilho.
- Não conseguirei fazer-te feliz?
- Conseguirá. Eu que serei metade do que fui. E isso não basta.
- Para mim basta.
- Não há mais tempo.
- (...)
- Lembra quando eu disse:'Amo-te'? Naquele tempo se dissestes uma
palavra eu esperaria. Hoje digo-te apenas: 'A morte, eu espero'.

--
1berto

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Não é fácil - Marisa Monte




Não é fácil
Não pensar em você
Não é fácil
É estranho
Não te contar meus planos
Não te encontrar

Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado

Na verdade eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil

Onde você anda
Onde está você
Toda vez que saio
Me preparo pra talvez te ver

Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil

Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado

O que eu faço
O que posso fazer?
Não é fácil
Não é fácil

Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal

Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Retrato

Eu costumava fotografá-la.

Uma maneira de gravar sua imagem longe da memória.

Naquele tempo tinha medo de esquecê-la, que um dia chegaria e não
pudesse recordar seu rosto e que não lembrasse de mim.

Hoje vi uma foto sua.

O porta retrato empoeirado, com o vidro quebrado e as lembranças, todas, também.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Meio beijo

Um meio beijo pode ser melhor que um beijo inteiro.

Um beijo roubado, talvez proibido, quase escondido.

Um olho no olho, um braço encaixado,

Um passo de dança.

Uma nova esperança.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Visão

Vejo você chegando, parece flutuar na calçada.
Seus cabelos balançando ao vento,
acompanhado do doce cheiro de seu perfume.
Ah! Que linda maravilha de se ver.
Perco-me todo, fico errado, quase calado.
Não sei o que dizer nem como agir.
Tremem-me as mãos, falham-me as pernas.
Em pensamento, gritam-me poemas, frases e declarações;
Flui, apenas, um breve 'olá'.
Falaste-me muito, quem sabe pouco;
perdi-me em reflexões.
Quando foste, fiquei.
Embasbacado, parecendo um idiota,
comendo bolacha e tomando Coca-Cola.

1berto

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Legião Urbana - Giz

E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero

Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz...

Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo...
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Zé Ramalho - Beira Mar

Zé Ramalho, sua poesia e sua musicalidade.

Beira Mar

Eu entendo a noite como um oceano
Que banha de sombras o mundo de sol
Aurora que luta por um arrebol
Em cores vibrantes e ar soberano
Um olho que mira nunca o engano
Durante o instante que vou contemplar

Além, muito além onde quero chegar
Caindo a noite me lançou no mundo
Além do limite do vale profundo
Que sempre começa na beira do mar
É na beira do mar

Olhe, por dentro das águas há quadros e sonhos
E coisas que sonham o mundo dos vivos
Há peixes milagrosos, insetos nocivos
Paisagens abertas, desertos medonhos
Léguas cansativas, caminhos tristonhos
Que fazem o homem se desenganar
Há peixes que lutam para se salvar
Daqueles que caçam em mar nebuloso
E outros que devoram com gênio assombroso
As vidas que caem na beira do mar
É na beira do mar

E até que a morte eu sinta chegando
Prossigo cantando, beijando o espaço
Além do cabelo que desembaraço
Invoco as águas a vir inundando
Pessoas e coisas que vão se arrastando
Do meu pensamento já podem lavar
Ah! no peixe de asas eu quero voar
Sair do oceano de tez poluída
Cantar um galope fechando a ferida
Que só cicatriza na beira do mar
É na beira do mar

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A uma rapariga! - Florbela Espanca


Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.

Nessa estrada da vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!

Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!

Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste duma flor!...
ENJOY THE SILENCE

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Domingo sem fim


Domingo, 27 de janeiro de 2013.

Acordo às 10 da manhã. Um colchão na sala da casa de minha mãe; ao lado, o computador. Inicio-o e abro a página de um meio de comunicação. Ali, estampado em letras garrafais surge-me a notícia de um incêndio em uma boate de Santa Maria. Entre sonolento e incrédulo sinto-me em um pesadelo. Levanto-me e nesse momento o aparelho celular sinaliza uma nova mensagem: 'Tu viu a tragédia em Sta Maria? Tens notícia da tua irmã?'.

Um calafrio percorreu minha espinha.

Minha irmã faz faculdade naquela cidade, gosta de uma festa, eu havia enviado uns pilas para ela se divertir no final de semana e ela não atendia minhas ligações. Uma, duas, três chamadas não atendidas. Minha casual tremedeira aumentou. Um banho para aliviá-la e a cabeça dando giros. Trinta minutos se passaram. Longos um, dois, quatorze, trinta minutos. A ligação retornou, sua voz foi a melodia mais linda já ouvida.

Minhas pernas tremeram e pude ficar muito mais tranquilo.

O domingo transcorreu lento, notícias na TV, no rádio, ligações telefônicas, imagens catastróficas, arrepios, apertos no peito, momentos de choro. Havia em mim a tranquilidade de que não havia perdido ninguém querido mas havia também a intranquilidade de perceber as pessoas que nunca mais abraçariam seus irmãos, seus filhos, seus pais, seus colegas, seus amigos.

A segunda-feira veio e com ela o clima pesado de um domingo sem fim. Apesar das centenas de quilômetros distantes, sentia-se o ar arrastado da tragédia. A notícia dos cancelamentos das aulas em Santa Maria, trouxe o alento do reencontro. Mariana embarcou às cinco da tarde, chegada prevista as 23:30. Estava na rodoviária de Erechim meia hora antes. Um atraso no trajeto retardou sua chegada e aumentou o nervosismo. Era 0:15 de terça-feira quando o ônibus adentrou a estação rodoviária. Familiares circulavam a porta de saída. Enquanto moços e moças desembarcavam, nos olhares dos que ali estavam, as lágrimas brotavam.

Via-se a felicidade do abraço nos queridos, percebia-se a tristeza daqueles que nunca mais abraçarão.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Cardápio de hoje: Arroz de china

Ingredientes:

- Linguiça, alcatra (pode ser sobras de churrasco)
- Cebola
- Tomates
- Pimentão
- Chimichurri (temperos a gosto)
- Arroz

   Em um disco, frite as carnes. Adicione a cebola e deixe-a dourar. Adicione o pimentão picado. Após adicione os tomates. Mexa bem até que o molho fique consistente. Adicione o arroz e deixe-o cozinhar um pouco no molho. Após, adicione água e aguarde até que fique do seu gosto. Pode ser bem sequinho ou um pouco mais aguado.

Sugestão: ficará melhor se preparado ao som dos Serranos ou dos informativos da Rádio Gaúcha.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Namore um gordinho

Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! ... Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. 

É fria, vai por mim. 

Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta. 

Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. 

E eu digo por quê. 

Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. 

Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem. 

Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa. E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação. E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar. Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas você podia provar uma `McSalad´ com água de coco. 

Nunca! 

Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz. 

Outra coisa fundamental: Homens barrigudinhos são confortáveis! Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível! Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional. 

Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo. Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar,a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar. É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz. 

O mundo inteiro sabe que quem gosta de homem bonito são os viados. Mulher quer homem inteligente, carinhoso e boa praça. 

Chega de ter a consciência pesada após beber aquela cervejinha, ou aquele vinho, e comer aqueles petiscos.


Carla Moura, psicóloga, especialista em Sexologia.

Anna Karenina - The movie

Recomendaram-me um filme sobre um livro. Pediram para tecer comentários. Primeiro erro: Está entre os três melhores que eu já li. Segundo: Li-o, no mínimo, umas 5 vezes. Terceiro: Postei sobre ele no blog três vezes (ao pé da postagem seguem os links). Quarto: Odeio adaptações (excetua-se 'Senhor dos Anéis'; 'Clube da luta'). Seguem meus comentários:

E aqui vai meu comentário sobre o filme: Péssimo.

Conseguiram estragar uma obra prima da literatura mundial. Atuações ínfimas, erro total de argumento, temporização textual fora do padrão (em relação à obra) e muito musicado.

Por mais que eu seja um adorador das atuações da Keira, acho que ela não conseguiu incorporar o espírito da personagem. A escolha do ator (nem dei-me ao trabalho de descobrir qual é) que interpreta o Conde Vronski foi completamente equivocada; deixou uma sensação de ser um personagem medíocre (o que ao longo do livro prova-se o contrário). Relegada a uma mínima importância, a história de Levine e Kitty, que, apesar de o livro trazer como de segundo plano, parece não ter relação nenhuma com a obra, entretanto tem importância fundamental na construção da história principal. O livro também faz uma grande crítica ao sistema de produção existente na Rússia à época, ponto que sequer foi tocado na película.

Algo que pude perceber e que se salvaria neste filme é a forma como foram interpretadas as cenas (com o pouco uso de locações externas e uso constante de um teatro), no entanto ficaria melhor em um filme de segunda mão e não na adaptação de um livro de tal porte.

Enfim, deixo o meu pesar e descontentamento a respeito dessa obra. Não a recomdarei a ninguém e, diferentemente do que faço com outros filmes, que é a pesquisa técnica sobre atores, direção, locações, trilha sonora e bilheteria, não pesquisarei nada sobre esse. Mas fico com a impressão de que, se este não foi um fracasso total, deveria ter sido.

Nota: não sou um crítico de cinema, nem tenho a pretensão de sê-lo. É apenas minha opinião.

Primeiro post do blog: http://1berto-1berto.blogspot.com.br/2012/04/anna-karenina-tolstoi.html

Segundo post no blog: http://1berto-1berto.blogspot.com.br/2012/07/liberdadefelicidade.html

Terceiro post no blog: http://1berto-1berto.blogspot.com.br/2011/08/ana-karenina-leon-tolstoi.html

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Presença


É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana

Sobre

Leitor apaixonado,
Falso poeta.

Amo escondido,
Luto sozinho.

Vertem-me lágrimas,
Meio sorriso.

Face serena,
Alma inquieta.

Passo noites acordado
e os dias, sonhando.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Sem saber


Às vezes nos pegamos com o pensamento longe, coração apertado, uma sensação de vazio dentro do peito, mas não conseguimos entender o motivo, pois temos tudo o que queremos e isso sempre nos fez bem.

Mas aí parece que tudo mudou, sempre parece faltar algo, o que nos satisfazia antes já não satisfaz mais. O que fazia você pensar que era a pessoa mais completa do mundo, hoje já te deixa com um vazio tremendo.

Surge aquela vontade de ficar sozinho, ou de sair correndo para aquilo que você começa a achar que está faltando, mas o problema é saber se aquilo realmente irá valer a pena, se é verdadeiro, se vai fazer com que aquele vazio passe, que volte a sentir aquele calor acolhedor no peito, são duvidas e mais duvidas, sua mente te diz pra não fazer isso, mas o seu coração grita para que largue tudo e saia correndo atrás aquilo que te aflige.

Afinal, razão e coração nem sempre andam juntos, cabe a você escolher um deles para seguir e depois não se arrepender.

* Texto enviado por K.C.F.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinicius de Moraes

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fire and Ice - Robert Frost














Some say the world will end in fire,
Some say in ice.
From what I’ve tasted of desire
I hold with those who favor fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great
And would suffice.


Fogo & Gelo

''Alguns dizem que o mundo acabará em fogo,
Outros dizem em gelo,
Pelo que provei do desejo
Fico com quem prefere o fogo.
Mas,se tivesse de perecer duas vezes,
Acho que conheço o bastante do ódio
Para saber que a ruína pelo gelo
Também seria ótima
E seria suficiente."

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Assim que gosto de ficar

Na companhia de mim


Ontem fiz uma das coisas que mais gosto de fazer:

Ficar sozinho.

Estou tendo uma semana bem corrida; após um ano cheio de trabalho e de aulas, ainda continuo indo na faculdade para fazer uma matéria eletiva, resolvi que, após sair do serviço, não iria na aula e teria uma noite bem sossegada.

Comprei algumas Bud's e coloquei-as gelar, iniciei com uma limpeza na casa, bem de boa, tranquilamente, curtindo um rockzinho básico. Após o término dessa função, um bom banho me deixou renovado. Aí então a noite começou.

Com as cervejas já no ponto, selecionei um playlist (Beatles, Legião, Jack Johnson, Cazuza, Metric, Bob Marley), apaguei as luzes, sentei-me numa poltrona confortável, abri uma daquelas louras, acendi um cigarro e deixei-me levar pelos acordes sonoros.

Durante muito tempo (quiçá pouco, confesso que não tive muita noção de tempo naquele momento) permaneci entregue a um devaneio que me levou para vários lugares, trouxe-me de volta, proporcionou reflexões, simples vazios; enfim um lapso de tempo só meu.

Acho demais fazer isso! Pude pensar em alguns, livros, filmes, músicas, poesias; lembrar de fatos, pessoas, passado; imaginar alguns sonhos, perspectivas, futuro.

Esse tempo, para mim, tem grande valia. Pois é naquele momento que consigo isolar algumas idéias ou desenvolver outras ou apenas não fazer nada. Preciso sempre de um momento assim.

Já disseram um dia: Sua melhor companhia é você mesmo.


P.S.: Com já descrevi, perdi-me na contagem do tempo. Fui apenas interrompido por breves (?) minutos pelo meu 'baby brother', mas esse nunca conseguirá atrapalhar nada, nem mesmo quando quero ficar completamente sozinho.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Be happy or die alone?

Você já teve que abrir mão de algo por alguma pessoa?

Um desejo seu, uma vontade sua, um sonho ou simplesmente um capricho?

Acontece-nos diversas vezes ao longo da vida esse tipo de situação. Por algum amigo ou conhecido seu, você se percebe privado de dar um passo adiante. Imagine-se as situações (nem tão hipotéticas): Você goste de alguém, mas sabe que aquele seu/sua amigo/amiga, também sente algo por essa pessoa. Ou alguma coisa que você quer muito e deixa de adquirir por isso pela mesma situação anterior. Ou ainda quando você se apaixona pelo melhor amigo/amiga de seu companheiro/companheira. Vale tudo nessas horas?

É claro que deve existir o respeito. Mas não sejamos hipócritas.

O que a gente quer é ser feliz!!

Se a gente optar por seguir nossos impulsos, sentimentos e 'coração', geralmente acaba magoando algumas pessoas. Entretanto nessas situações, não é nada pessoal. Muito pelo contrário, é um egoísmo bom que você pratica para construir sua vida e seu futuro.

Quantas portas permanecem fechadas por puro receio?

Os limites devem existir; e é muito tênue a linha que separa a 'sacanagem' do amor-próprio. Não admito que se puxe o tapete de ninguém. Nem faço apologia a que se passe a perna em algum próximo (ou distante). Só temos que entender que algumas coisas acontecem.

E quando estamos no outro lado? As outras pessoas? Elas abdicariam de si próprias por você?

Som da madrugada

When the dream came
I held my breath with my eyes closed
I went insane.
Like a smoke ring day
When the wind blows

Now I won't be back till later on
If I do come back at all
But you know me, and I miss you now.
In a strange game
I saw myself as you knew me
When the change came,
And you had a chance
To see through me
Though the other side is just the same
You can tell my dream is real
Because I love you, can you see me now.
Though we rush ahead to save our time
We are only what we feel
And I love you, can you feel it now.

On the way home - Neil Young
(Muito boa, também, na versão da Legião Urbana, Música para Acampamentos)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Ele X Ela

E apesar de ele ter tentado de todas as maneiras, não conseguiu ser visto por ela. Visto, quem sabe, sim; entretanto notado não foi. 

Tentou mudar, tentou ser o mesmo, tentou de todas as formas e no final descobriu que, na verdade, ela não era merecedora de tamanho sacrifício. 


Aliás, nenhuma pessoa vale o preço de se tornar irreconhecível.


Descobriu talvez tarde, ou quem sabe, não; a maioria nunca consegue entender isso. O que resta na consciência dele é ter ao menos tido a coragem de dar um passo (ou dois ou três) em frente, mas ela não se moveu. Estabeleceu-se a máxima: Se um não quer, dois não dançam. 


O desejo dele não se realizou, a busca sim. 


Dela pouco se sabe. 


Apenas que quando passa na rua não fazem mais os olhos dele brilharem. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sorriso

Não existe dinheiro suficiente, nem status social, nem marca de carro, nem lugar para se estar, nem roupa nova, nem notícia boa, nem a melhor comida já feita, nem todas as riquezas do mundo que se comparem ao sorriso de uma criança.

E esse sorriso aí, não trocaria nem por todas essas coisas juntas.

O sorriso de meu 'baby brother' Vicente.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Poema

Quem sabe

Eu sigo-te e tu foges. É este o meu destino:
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça!

Tu foges-me e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?!

Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais.

Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
........................................................
Por fugires, sim, talvez me queiras mais!


Florbela Espanca, poetisa portuguesa

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sábado de Grêmio


Chorei quando entrei no estádio.


Ouvi muitos relatos da emoção dos torcedores que, assim como eu, assistiram seu primeiro jogo no Olímpico naquele Grêmio x Ceará, pela final da Copa do Brasil de 1994, e falaram do êxtase que sentiram durante todo jogo. Sentimento assim achei que nunca experimentaria novamente. Eu estava redondamente enganado.

Porto Alegre, 20 de outubro de 2012.

Juntamente com meus familiares, fui ver o tricolor enfrentar o Coritiba pelo Campeonato Brasileiro. Ao passar pela catraca e visualizar aquele cantinho do campo fui invadido por uma alegria indescritível. Ao meu lado estava minha mãe, que sempre ouve os jogos do Imortal no rádio, sabe tudo sobre o time e é uma fanática torcedora (e nunca tinha ido ver um jogo do seu time); também estava meu irmão mais novo, Vicente, e foi por ele que tremi na base.

Toda família cidadã (até meu pai - flamenguista - tá disfarçado no meio da galera)

Fiquei imaginando o que poderia estar passando na cabeça dessa criança de 5 anos, que desde sempre acompanha o Grêmio, torce, chora, comenta, briga. Chegamos um tempo antes de a bola rolar e durante esse lapso, o pequeno não estava entendendo o que estaria prestes a acontecer. A torcida começou a ocupar os seus lugares, a aglomeração aumentava e expectativa figurava com mais intensidade. Até que foram anunciados os jogadores do Grêmio. A cada nome dos atletas gremistas, seguia-se a tradicional repetição, em coro, dos fanáticos 25.000 expectadores presentes. Meu irmão, acomodado em meus ombros, estava tenso e eufórico; eu sentia cada batimento cardíaco dele e ouvia-o gritar incontrolavelmente acima da minha cabeça.

Então adentraram, no gramado, os jogadores. Aí sim, caiu a ficha.

- Olha o Zé (Roberto)!! Ali, ali, o Elano!!! Marcelo!! Marcelo!! O 'Kréber' tá meio gordinho....

Durante toda a partida o menino não tirou os olhos do gramado. Acompanhava cada lance, chutava toda bola, marcava, lançava, ovacionava quando os zagueiros tiravam uma bola. No momento em que um jogador do Grêmio deu uma trombada e o jogador adversário caiu, ouvi essa pérola:

- Time de boneca!!

Era o meu gigante mostrando, desde cedo, a verve peleadora castelhana.

Em um momento a torcida, como costumeiramente acontece, indignada com a marcação do árbitro começou a xingar a mãe do mesmo (Filha da p*&@), ouvi:

- Hum, o que eles tão gritando??
Os meu pais e familiares que estavam junto, deram-me uma olhada sem jeito e larguei:
- Feira da fruta!!

Ele aceitou e a bola continuou rolando. Tem coisas que apenas no estádio a gente aprende, cedo demais para ele, mas me saí bem nessa.

Meus ombros doíam; passei ele para os que estavam juntos de mim. Não aguentavam muito tempo. Mas quando eles o soltavam, de pé na arquibancada, ele nada via. Então, num esforço, alçava ele novamente nas minhas costas e a euforia seguia-se. As dores vieram depois, mas não tiveram a menor significância diante do prazer de ver o sorriso estampado no rosto do garoto.

Baita visão, hein, meu piá!!

Os gols não saíram, uma pena, entretanto valeu cada segundo das 14 horas de viagem, da espera de 1 hora e 30 minutos para o ínicio, dos 90 minutos de jogo. Valeu pela euforia e a certeza de que esse jogo foi um marco na vida do pequeno torcedor e da minha também.

Despedimo-nos do Olímpico Monumental e aguardamos para dar as boas vindas à Arena Tricolor.

O 'adeus' ao Olímpico. (Vicente, mamãe e Johnny)


O futuro

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Jack Kerouac - On the road



 O próprio

JACK KEROUAC. Você já deve ter ouvido falar sobre ele. Ou alguma coisa dele. Esse cara escreveu 'On the road', um clássico dos clássicos, um divisor de águas, marco da literatura 'beat', nome certo em qualquer lista dos melhores. Talvez você tenho ouvido falar dele agora, acerca do lançamento do filme homônimo ao livro (dirigido pelo competentíssimo Walter Salles), entretanto esse gênio não foi descoberto agora.

Cena do filme: Sal Paradise (Sam Riley), Marylou (Kristen Stewart) e Dean Moriarty (Garret Hedlund)

Nascido em 1922, revoltou-se com o sitema e influenciado por uma contracultura da época (abandonou a marinha) juntou alguns pertences e, com amigos, colocou o pé na estrada e viajou por todo o Estados Unidos. Das aventuras e desventuras surgiu o livro acima.

Durante três semanas, sem sair de casa, movido a 'muito café', ele sentou-se em frente a sua máquina de escrever e passou a redigir o texto. Cortou um rolo de papel para que servisse perfeitamente na máquina e emendou as pontas para que não precisasse trocar as folhas. Nessas três semanas escreveu por 7, 8, 9 horas ao dia, sendo que algumas vezes virou dias e noites sem parar de digitar. Sua narrativa é incansável, as palavras parecem balas de metralhadora disparadas quando você as lê; não há parágrafos, os diálogos são inseridos nas próprias linhas, tal qual um trem acelerado repleto de vagões.

Lançado pela primeira vez com o seu pseudônimo e de seus amigos (Pé na estrada), foi traduzido para o português por ninguém mais ninguém menos que Eduardo Bueno, o Peninha. Recentemente foi relançado sob o título 'On the road, manuscrito original', o qual traz os nomes verdeadeiros de seus amigos (expoentes inexplicáveis da geração beat).

Como o inigualável Bob Dylan disse: "Esse livro mudou minha vida."

Leitura obrigatória para qualquer pessoa. Obra indispensável em qualquer estante.

Isolado do mundo, morreu em 1969.


Abertura temporada de verão de Marcelino Ramos - RS

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ternura - Vinícius de Morais

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Flor de lis - Djavan

Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei

Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis

E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira,
Poeira
Morto na beleza fria de Maria

E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu.

E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu.

domingo, 14 de outubro de 2012

:'(

Só quem chora sabe a dor que carrega uma lágrima
Uma lágrima tem o gosto amargo da solidão
Quem chora sozinho sabe a dor que sente
Da falta do doce calor de sua presença

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Lost



Novamente estou asssistindo Lost. Que seriado intrigante (e instigante) este! Começa-se a assistir um episódio e a vontade de ver o seguinte e mais outro e mais outro é incrível. Entretanto é um tanto quanto sutil as refêrencias citadas no mesmo.

O seriado trata de literatura, filosofia, matemática, música, ciência, experimentos, psicologia e tantos outros temas abordados que nos proporciona um vasto leque de conhecimento. Pode-se apenas assitir aos episódios e se entreter com o enredo e cenas de ação, por exemplo, entretanto  o que mais me chama a atenção é o liame envolvendo cada personagem, cada história e cada fato cultural/histórico contido nas entrelinhas. Afinal, uma boa história bem contada não é nada sem que te faça pensar.

As referências estão ali: um grupo de pessoas desconhecidas tendo que conviver entre si; não há lei, apenas a sobrevivência; experimentos científicos, tanto com elementos da natureza quanto com seres vivos; o eterno ciclo da vida; encontros e desencontros; o bem e o mal. Os criadores fazem referência aos grandes filósofos: Rousseau, Locke, Spinoza; fazem referência à religião: a fé, Aarão, Mr. Eko, bíblia; sem contar a parte psicológica inerente a cada ser humano: o convívio em sociedade, em um local inóspito, tendo de fazer uso do instinto em vez da razão.

Recomendo a todos que gostarem de um bom entretenimento. E também recomendo que se busque algo mais para que, além de diversão, você adquira conehcimento.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Certezas/bobagens #1

Sempre ouvimos muitas 'certezas' de algumas pessoas. Tratarei nessa e em outras postagens, da desmistificação de certas expressões usualmente empregadas.
* Note-se que este é um artigo de opinião, sem pretensão de se tornar uma verdade absoluta.


1 - No Brasil tinha que ter pena de morte!!

Iniciando, diga-lhes que há, sim, no Brasil a previsão da pena de morte. Ela está elencada na Constituição Federal/88 (vigente), a qual o art. 5º rege:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;.

Então a pessoa surta e diz que não era disso que ela falava. Que tem que existir pena de morte para quem mata, rouba, furta, estupra, etc. Então argumente que ninguém, muito menos o Estado tem o direito de tirar a vida alguém. Estas pessoas devem ter visto em algum lugar que a coisa feita dessa forma funciona, então peça uma estatística dos erros que aconteram em países onde essa prática é comum (EUA {apenas em alguns estados}, Austrália, Rússia); assim é melhor sempre cem culpados vivos a um inocente morto. Isso sem citar Afeganistão, Arábia Saudita, Congo, Gâmbia, que tem um modus operandi duvidoso. Se nada disto convence o interlocutor, vale a máxima de perguntar: "E se fosse uma pessoa próxima a você?". Geralmente a resposta vem seguida de demagogia tão exacerbada que até o interlocutor pede para encerrar ali o assunto.

2 - As bolsas distribuídas pelo governo (Bolsa-escola, Bolsa-família, sistema de cotas..) são uma vergonha!

De repente pela forma como é feita (e usada, na maioria das vezes) pode parecer que a afirmativa seja verdadeira. Entretanto, analisando profundamente, vê-se que o objetivo dela é válido. A Constituição Federal prevê em seu ART. 3º:
Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Na verdade o que o Estado faz é uma tentativa de beneficiar as pessoas que não são contempladas com a responsabilidade do mesmo de garantir o mínimo a que as pessoas tem direito. Talvez a maneira como essa compensação (de uma falha que vem desde o princípio da construção de nosso país) é realizada, seja questionável. No entanto parece-me que é a primeira vez que alguma atitude de melhoria social seja tomada. Os meios parecem não ser os adequados, mas os fins (se atingidos) serão de uma validade inquestionável.

3 - Mas por que não vão embora? Ninguém é obrigado a morar ali. (Sobre as pessoas que moram em morros, favelas e periferias; quando acontece algum deslizamento, incêndio ou recorrrentes casos de sitiamento por parte de milícias e traficantes.)

Eles não vão embora porque não tem para onde ir!! O Estado nunca deu condições para essas pessoas terem uma perspectiva de vida melhor. Desde os tempos em que houve a colonização, ou mesmo a abolição da escravatura, algumas pessoas foram abandonadas a própria sorte. Sem auxílio, sem amparo e sem futuro. Formaram-se assim os bolsões de pobreza e miséria em volta de onde? Dos lugares onde a esperança de um trabalho e melhores condições de vida supostamente estão, as grandes cidades. Percebe-se também um aumento de grandes propriedades rurais em contraposição às pequenas, que tem pouca ou nenhuma possibilidade de prosperidade. Fazendo com que vendam suas propriedades a um preço baixo àqueles que são latifundiários (e tem os meios para produzir bem) e tenetem a sorte nas grandes cidades. E o que se vê é que, infelizmente, quando essas pessoas abandonam sua vida, percebem que a realidade em outros locais é muito perversa.
(sobre esse assunto, já foi publicado uma crônica do Arnaldo Jabor aqui: http://1berto-1berto.blogspot.com.br/2010/04/arnaldo-jabor-cronica-jornal-da-globo.html)

4 - No Brasil a Justiça é falha/lenta/injusta.

A culpa é do eleitor! (Quer uma sentença tão óbvia quanto essa?) Entretanto a cada eleição que surge, acontecem sempre os mesmos erros, depois a população fica reclamando.

Façamos primeiro uma análise simplista da tripartição do poder na nossa democracia:
Poder Executivo: Eleito pelo povo, executa as leis. (Prefeito, Governador e Presidente)
Poder Judiciário: Ingresso mediante concurso (tecnicismo), aplica as leis.
Poder Legislativo: Eleito pelo povo, cria as leis. (Vereadores, deputados e senadores)

Aí é que se resume a questão. O único órgão que é técnico é o questionado por todos. Escolhemos o legislativo; e é ele que faz as leis! Exigimos que juízes, advogados, promotores e serventuários da justiça façam os milagres. O que realmente acontece é que só pode-se agir dentro da lei. As normas podem ser interpretadas, entretanto não podem ir além delas mesmas.
Na próxima vez que reclamarmos de algo, tentemos fazer isso a quem compete: às pessoas que elegemos, que deveriam, também, ser técnicas e conhecedoras das nossas mazelas e anseios.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Achei um 3x4 teu
E não quis acreditar
Que tinha sido
A tanto tempo atrás."

Legião Urbana - Vamos fazer um filme