Neste fim de semana, mais precisamente no domingo, fui surpreendido com uma notícia que deixou-me deveras abalado: o falecimento de meu grande amigo Sérgio Linsenmayer de Araújo - Biodiesel.
Conhecemo-nos por acaso, numa dessas andanças que fazem com que as pessoas se aproximem. Gostei de cara do seu papo e de sua experiência de vida. Passamos muito tempo juntos, onde podíamos trocar nossas idéias e devaneios sobre qualquer coisa. Gostava da sua eloquência ao falar sobre a vida, sobre teorias da conspiração, sobre músicas, filmes e livros. Gostávamos até de ficar zoando sobre o nada.
Lembro muito bem da manhã que ocorreu o incêndio na Kiss, em Santa Maria; ele estava numa outra cidade - nem sei em qual -, então meu telefone toca e do outro lado da linha era o Bio, querendo saber notícias da minha irmã; pois sabia que ela estava em Santa Maria e queria saber se tinha ido àquela festa. Este tipo de cuidado e preocupação eram típicos dele. Tanto comigo como pelos meus irmãos.
Mas agora o nosso 'Tio' não estará mais entre nós. Eu vou guardar para sempre todas as coisas que ele me falou. Afinal, havia muita genialidade e sabedoria em tudo o que dizia. Entretanto, como é próprio desses seres diferenciados, foi por muitas vezes incompreendido. Levarei para sempre os ensinamentos e a sabedoria que pude beber dele.
Não sei onde está agora; nem sei se há o agora para ele, no entanto, se houver, ele estará certamente flutuando no espaço olhando pelos 'bródis'.
Siga em frente!
Logo mais nos encontraremos.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Malagueña Salerosa - Chingon
Belíssima música que integra a trilha sonora do excelente 'Kill Bill'
dirigido pelo Quentin Tarantino. (Aliás todas as trilhas sonoras de
filmes dirigido por ele são sensacionais. Dignas de um espaço no seu
playlist)
Segue a letra:
Que bonitos ojos tienes
Debajo de esas dos cejas
Debajo de esas dos cejas
Que bonitos ojos tienes.
Ellos me quieren mirar
Pero si tu no los dejas
Pero si tu no los dejas
Ni siquiera parpadear.
Malaguena salerosa
Besar tus labios quisiera
Besar tus labios quisiera.
Malaguena salerosa
Y decirte niña hermosa.
Que eres linda y hechicera,
Que eres linda y hechicera
Como el candor de una rosa.
Si por pobre me desprecias
Yo te concedo razon
Yo te concedo razon
Si por pobre me desprecias.
Yo no te ofrezco riquezas
Te ofrezco mi corazon
Te ofrezco mi corazon
A cambio de mi pobreza.
Malaguena salerosa
Besar tus labios quisiera
Besar tus labios quisiera.
Malaguena salerosa
Y decirte niña hermosa.
Que eres linda y hechicera,
Que eres linda y hechicera
Como el candor de una rosa.
Y decirte niña hermosa.
dirigido pelo Quentin Tarantino. (Aliás todas as trilhas sonoras de
filmes dirigido por ele são sensacionais. Dignas de um espaço no seu
playlist)
Segue a letra:
Que bonitos ojos tienes
Debajo de esas dos cejas
Debajo de esas dos cejas
Que bonitos ojos tienes.
Ellos me quieren mirar
Pero si tu no los dejas
Pero si tu no los dejas
Ni siquiera parpadear.
Malaguena salerosa
Besar tus labios quisiera
Besar tus labios quisiera.
Malaguena salerosa
Y decirte niña hermosa.
Que eres linda y hechicera,
Que eres linda y hechicera
Como el candor de una rosa.
Si por pobre me desprecias
Yo te concedo razon
Yo te concedo razon
Si por pobre me desprecias.
Yo no te ofrezco riquezas
Te ofrezco mi corazon
Te ofrezco mi corazon
A cambio de mi pobreza.
Malaguena salerosa
Besar tus labios quisiera
Besar tus labios quisiera.
Malaguena salerosa
Y decirte niña hermosa.
Que eres linda y hechicera,
Que eres linda y hechicera
Como el candor de una rosa.
Y decirte niña hermosa.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Mazaaaaa Gaudério!!!
Um tweet e gerou uma reportagem d'O Bairrista:
http://obairrista.com/tecnologia/2013/08/cientistas-desenvolvem-lenha-a-partir-de-celulas-tronco/
http://obairrista.com/tecnologia/2013/08/cientistas-desenvolvem-lenha-a-partir-de-celulas-tronco/
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Boa companhia
Ontem no caminho de ida e volta da faculdade, via ônibus, pude
desfrutar de dois prazeres: a leitura do 5º volume d'As crônicas de
Gelo e Fogo - A Dança dos Dragões ao som da discografia de Jefferson
Airplane.
Nada melhor que o desfrute de um ótimo livro na companhia de uma
belíssima trilha sonora.
Recomendo os dois.
Ao mesmo tempo.
desfrutar de dois prazeres: a leitura do 5º volume d'As crônicas de
Gelo e Fogo - A Dança dos Dragões ao som da discografia de Jefferson
Airplane.
Nada melhor que o desfrute de um ótimo livro na companhia de uma
belíssima trilha sonora.
Recomendo os dois.
Ao mesmo tempo.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Voo
As noites tendem trazer à tona os mais diversos tipos de sentimentos.
Quando deita-se na cama milhares de pensamentos afloram; às vezes leva-se um grande tempo para que o sono venha.
Então ele vem.
Na mente divagam sonhos intermináveis, impossíveis e que nos deixam com uma sensação de passividade frente a tantos obstáculos que nos surgem.
Nesse momento, sobressaltado, acordei.
Lembrei de sua imagem em meu sonho. Visão privilegiada. Tentei recuperar cada traço de seu ser.
E, acordado, voei.
Partindo de onde estava pousei em sua janela. Através do vidro contemplei-a no seu descansar. Bela face angelical. Não havia maldade, pecado ou dor. Seus olhos fechados não esboçavam qualquer reação. Seus lábios, à Mona Lisa, despertavam-me os desejos.
Abusando de minha posição adentrei seu quarto. Ao parar ao seu lado um calafrio percorreu seu corpo. Pareceu-me que sentia minha presença. Lentamente levei minha mão ao seu lençol e puxei-o, cobrindo-a toda.
Você sorriu.
Nem abriu os olhos; nem movimentou qualquer parte do corpo; apenas sorriu.
E voltou aos sonhos.
Parte emocionado, parte angustiado, retornei.
Voltei ao início.
Quarto solitário, cama vazia, coração apertado.
Tentarei dormir novamente.
Ou voar para onde estiver você.
Quando deita-se na cama milhares de pensamentos afloram; às vezes leva-se um grande tempo para que o sono venha.
Então ele vem.
Na mente divagam sonhos intermináveis, impossíveis e que nos deixam com uma sensação de passividade frente a tantos obstáculos que nos surgem.
Nesse momento, sobressaltado, acordei.
Lembrei de sua imagem em meu sonho. Visão privilegiada. Tentei recuperar cada traço de seu ser.
E, acordado, voei.
Partindo de onde estava pousei em sua janela. Através do vidro contemplei-a no seu descansar. Bela face angelical. Não havia maldade, pecado ou dor. Seus olhos fechados não esboçavam qualquer reação. Seus lábios, à Mona Lisa, despertavam-me os desejos.
Abusando de minha posição adentrei seu quarto. Ao parar ao seu lado um calafrio percorreu seu corpo. Pareceu-me que sentia minha presença. Lentamente levei minha mão ao seu lençol e puxei-o, cobrindo-a toda.
Você sorriu.
Nem abriu os olhos; nem movimentou qualquer parte do corpo; apenas sorriu.
E voltou aos sonhos.
Parte emocionado, parte angustiado, retornei.
Voltei ao início.
Quarto solitário, cama vazia, coração apertado.
Tentarei dormir novamente.
Ou voar para onde estiver você.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Baudelaire - Poema
" Todas as belezas contêm...
alguma coisa de eterno e alguma coisa de transitório
- de absoluto e de eterno.
A beleza absoluta e eterna
(digamos entre parênteses, o ideal clássico)
não existe...
O elemento particular de cada beleza
vem das paixões
e como temos as nossas paixões particulares
também temos a nossa beleza. "
alguma coisa de eterno e alguma coisa de transitório
- de absoluto e de eterno.
A beleza absoluta e eterna
(digamos entre parênteses, o ideal clássico)
não existe...
O elemento particular de cada beleza
vem das paixões
e como temos as nossas paixões particulares
também temos a nossa beleza. "
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Esperança
Havia, ao menos, a esperança de ver teu brilhante sorriso. De ouvir a voz que saía dos teus lábios e de toda a alegria que de ti brotava.
Foram poucos momentos; breves, completos, intensos. Mas deixaram a vontade de querer um pouco mais.
Te olhava de longe. Teu olhar carregado mirava o vazio. A face parecia serena, entretanto achava que havia algo mais ali.
Quando nos aproximamos tive a certeza. Pelo tom da tua voz não sabia se era enfado, decepção ou apenas tristeza. Seu corpo falava, as palavras não me chegavam, só via seus lábios se movendo.
Fechei meus olhos, aproximei-me, te peguei em meus braços e te calei com um beijo.
Longo beijo que durou horas. Pude sentir teu gosto no meu, teu cheiro que me invadiu, teu calor que me aqueceu.
Quando meus olhos abriram percebi que não havíamos nos movido. Tu ainda falavas; palavras que já sabia que dirias.
Embriagado com tua presença, soube que tal beijo foi apenas um delírio. Um sonhar sem um agir.
Ficarei para sempre com a imagem de meu laço em teu corpo. O eco de sua fala em minha cabeça. Teus olhos semi-abertos em direção ao nada.
Foste. Eu ainda estou aqui. O pouco que resta é um resquício da esperança de ver teu brilhante sorriso mais uma vez.
Foram poucos momentos; breves, completos, intensos. Mas deixaram a vontade de querer um pouco mais.
Te olhava de longe. Teu olhar carregado mirava o vazio. A face parecia serena, entretanto achava que havia algo mais ali.
Quando nos aproximamos tive a certeza. Pelo tom da tua voz não sabia se era enfado, decepção ou apenas tristeza. Seu corpo falava, as palavras não me chegavam, só via seus lábios se movendo.
Fechei meus olhos, aproximei-me, te peguei em meus braços e te calei com um beijo.
Longo beijo que durou horas. Pude sentir teu gosto no meu, teu cheiro que me invadiu, teu calor que me aqueceu.
Quando meus olhos abriram percebi que não havíamos nos movido. Tu ainda falavas; palavras que já sabia que dirias.
Embriagado com tua presença, soube que tal beijo foi apenas um delírio. Um sonhar sem um agir.
Ficarei para sempre com a imagem de meu laço em teu corpo. O eco de sua fala em minha cabeça. Teus olhos semi-abertos em direção ao nada.
Foste. Eu ainda estou aqui. O pouco que resta é um resquício da esperança de ver teu brilhante sorriso mais uma vez.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Sobre o Vicente, O Hobbit e o despertar da leitura
Estou passando por um pequeno 'problema'.
Meu irmão, Vicente, tem quase 6 anos. Ainda não sabe ler mas é uma das pessoas mais espertas, ligadas e interessadas que eu já conheci. Desde cedo sempre fizemos muitas coisas juntos, temos uma ligação fortíssima (apesar dos 25 anos que nos separam) e ele tem forte identificação com as coisas que faço.
Devido a essa ligação, ele sempre se interessou pelo que assisto, leio ou escuto. Numa dessas foi que ele, vendo-me assitir à trilogia 'Senhor dos Anéis', começou a assitir também.
Desde então assitimos muitas e muitas vezes aos filmes da série.
Durante nossas divagações, eu disse a ele que os filmes foram baseados em livros, que os livros eram melhores (em quase 100% das adaptações eles são) e que antes de haver o 'Senhor dos Anéis' existia um outro livro, um pouco menor, mas de qualidade inquestionável: 'O Hobbit'.
'O Hobbit' é o livro que antecede os acontecimentos que ocorrem em 'O Senhos dos Anéis'. A maioria das pessoas (assim como eu) teve um contato inicial apenas com a primeira trilogia; sendo que ela não é de difícil compreensão, entretanto muitos fatos são plenamente esclarecidos no livro anterior (que remeterão a outro ainda, anterior, que é 'O silmarillion' mas aí já é outra abordagem).
Entremeio esses debates e discussões eis que foi lançado o primeiro filme do que veio a se tornar outra trilogia,'O Hobbit', de título 'Uma jornada inesperada'.
Aí começaram os 'problemas'.
Foi uma missão durissíma encontrar o DVD desse filme; aí quando consegui encontrá-lo, foram noites e noites a fio assitindo ao mesmo. Hoje quando colocamos (ao menos uma vez por semana) já conhecemos as falas, as músicas e todos os personagens.
Mas faltam ainda duas partes do filme!
Dias atrás vieram os questionamentos acerca do desenrolar da história: 'como a história termina?', 'como o filme se encontra com o 'Senhor dos Anéis?'; mas o pior momento foi quando desenvolveu-se o diálogo:
- Hum, quando vão lançar o segundo filme?
- Em dezembro.
- Quando é dezembro?
- Quando termina a tua aula e vem o Natal.
- Mas em que dia vou poder assitir?
- Entre o fim da tua aula e o Natal.
- Mas é longe!!!!!!
E a choradeira pegou. E não era apenas choro; era sofrimento, soluços e na face da criança via-se a curiosidade aflorando com todas as forças.
Naõ havia nada que eu conseguisse fazer para estancar as lágrimas do pequeno, então num momento de extremo brilhantismo (ou desespero para ver cessar tal sofrer) me saí com essa:
- Tu sabe né, peque, que tem o livro...
- Mas eu ainda não sei ler... (mais choro!!!)
- Eu leio prá você. Um capítulo por noite.
CONSEGUI!!
Cessou-se o choro com uma proposta matadora.
Agora, todas as noites, leio um pedaço d'O Hobbit' para o Vicente.
No entanto o mais legal disso tudo é que entre os comentários que fazemos o 'meu gigante' se sai, eventualmente, com essa:
- Não vejo a hora de aprender a ler. Aí nem você nem ninguém vai ter que ler prá mim. E também vou poder escolher o livro que quiser. Até os mais grandões!
Meu irmão, Vicente, tem quase 6 anos. Ainda não sabe ler mas é uma das pessoas mais espertas, ligadas e interessadas que eu já conheci. Desde cedo sempre fizemos muitas coisas juntos, temos uma ligação fortíssima (apesar dos 25 anos que nos separam) e ele tem forte identificação com as coisas que faço.
Devido a essa ligação, ele sempre se interessou pelo que assisto, leio ou escuto. Numa dessas foi que ele, vendo-me assitir à trilogia 'Senhor dos Anéis', começou a assitir também.
Desde então assitimos muitas e muitas vezes aos filmes da série.
Durante nossas divagações, eu disse a ele que os filmes foram baseados em livros, que os livros eram melhores (em quase 100% das adaptações eles são) e que antes de haver o 'Senhor dos Anéis' existia um outro livro, um pouco menor, mas de qualidade inquestionável: 'O Hobbit'.
'O Hobbit' é o livro que antecede os acontecimentos que ocorrem em 'O Senhos dos Anéis'. A maioria das pessoas (assim como eu) teve um contato inicial apenas com a primeira trilogia; sendo que ela não é de difícil compreensão, entretanto muitos fatos são plenamente esclarecidos no livro anterior (que remeterão a outro ainda, anterior, que é 'O silmarillion' mas aí já é outra abordagem).
Entremeio esses debates e discussões eis que foi lançado o primeiro filme do que veio a se tornar outra trilogia,'O Hobbit', de título 'Uma jornada inesperada'.
Aí começaram os 'problemas'.
Foi uma missão durissíma encontrar o DVD desse filme; aí quando consegui encontrá-lo, foram noites e noites a fio assitindo ao mesmo. Hoje quando colocamos (ao menos uma vez por semana) já conhecemos as falas, as músicas e todos os personagens.
Mas faltam ainda duas partes do filme!
Dias atrás vieram os questionamentos acerca do desenrolar da história: 'como a história termina?', 'como o filme se encontra com o 'Senhor dos Anéis?'; mas o pior momento foi quando desenvolveu-se o diálogo:
- Hum, quando vão lançar o segundo filme?
- Em dezembro.
- Quando é dezembro?
- Quando termina a tua aula e vem o Natal.
- Mas em que dia vou poder assitir?
- Entre o fim da tua aula e o Natal.
- Mas é longe!!!!!!
E a choradeira pegou. E não era apenas choro; era sofrimento, soluços e na face da criança via-se a curiosidade aflorando com todas as forças.
Naõ havia nada que eu conseguisse fazer para estancar as lágrimas do pequeno, então num momento de extremo brilhantismo (ou desespero para ver cessar tal sofrer) me saí com essa:
- Tu sabe né, peque, que tem o livro...
- Mas eu ainda não sei ler... (mais choro!!!)
- Eu leio prá você. Um capítulo por noite.
CONSEGUI!!
Cessou-se o choro com uma proposta matadora.
Agora, todas as noites, leio um pedaço d'O Hobbit' para o Vicente.
No entanto o mais legal disso tudo é que entre os comentários que fazemos o 'meu gigante' se sai, eventualmente, com essa:
- Não vejo a hora de aprender a ler. Aí nem você nem ninguém vai ter que ler prá mim. E também vou poder escolher o livro que quiser. Até os mais grandões!
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Tudo mudar - Charlie Brown Jr.
Quando eu vi você quase não acreditei
Nem vi você mudar, nem vi você crescer, mas
Nunca te imaginei assim
Quando me aproximei mal sabia o que falar
Nem vi você mudar, nem vi você crescer, mas
Nunca te imaginei assim...
Como pode tudo mudar
Em um segundo, nem pensar
Não vou voltar atrás, agora é assim que vai ser
Difícil acreditar que depois de tanto tempo
Eu iria me ligar em você, não posso acreditar
Quando me aproximei mal sabia o que falar
Nem vi você mudar, nem vi você crescer, mas
Nunca te imaginei assim...
Como pode tudo mudar
Em um segundo, nem pensar
Não vou voltar atrás, agora é assim que vai ser
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Estive pensando em me mudar
Sem te deixar pra trás
Resolvi pensar em nós
Vou te levar daqui
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Como pode tudo mudar
Em um segundo, nem pensar
Não vou voltar atrás, agora é assim que vai ser.
Nem vi você mudar, nem vi você crescer, mas
Nunca te imaginei assim
Quando me aproximei mal sabia o que falar
Nem vi você mudar, nem vi você crescer, mas
Nunca te imaginei assim...
Como pode tudo mudar
Em um segundo, nem pensar
Não vou voltar atrás, agora é assim que vai ser
Difícil acreditar que depois de tanto tempo
Eu iria me ligar em você, não posso acreditar
Quando me aproximei mal sabia o que falar
Nem vi você mudar, nem vi você crescer, mas
Nunca te imaginei assim...
Como pode tudo mudar
Em um segundo, nem pensar
Não vou voltar atrás, agora é assim que vai ser
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Estive pensando em me mudar
Sem te deixar pra trás
Resolvi pensar em nós
Vou te levar daqui
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Tudo Mudar
Como pode tudo mudar
Em um segundo, nem pensar
Não vou voltar atrás, agora é assim que vai ser.
terça-feira, 16 de julho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Tantas e tantos
Com tantas cartas e "bilhetes" que te escrevi, e não os enviei, conseguiria fazer uma enorme fogueira que, quem sabe, chamaria sua atenção.
Com tantas palavras que tenho para te dizer, e não as pronunciei, falaria por dias inteiros até que minha voz lentamente se esvaíssse.
Com tantos sonhos que tive, e não os realizei, preencheria tantas noites de sono quanto fosse possível imaginar.
Com tantos abraços, tentados e não dados, abraçaria o mundo de uma só vez.
Com tantos beijos imaginados sofrerei, por não dá-los mais uma vez.
Com tantas palavras que tenho para te dizer, e não as pronunciei, falaria por dias inteiros até que minha voz lentamente se esvaíssse.
Com tantos sonhos que tive, e não os realizei, preencheria tantas noites de sono quanto fosse possível imaginar.
Com tantos abraços, tentados e não dados, abraçaria o mundo de uma só vez.
Com tantos beijos imaginados sofrerei, por não dá-los mais uma vez.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
De números e beijos
Era noite alta. O vento e o frio davam de encontro a janela e só faziam aumentar a sensação de infelicidade. No rádio, os Cascavelletes cantavam Lobo da estepe e a solidão aumentava.
Então ela abriu a porta, cruzou o corredor e adentrou meu quarto.
Sua visão fez meus olhos brilharem. Aproximando-se lentamente deitou ao meu lado e fitou-me intensamente. Via que os seus olhos estavam marejados, que era um olhar de despedida; mas que era um olhar sincero.
Durante longo tempo permanecemos falando tudo que havia entre nós, entretanto nem uma palavra fora pronunciada. Eu queria ter algo a dizer. Quando tentei, dois dedos tocaram-me os lábios silenciando-me novamente. De sua boca ouvi:
- Fale-me de números.
Não entendi. O que ela queria dizer com números? Ora números! Esboçando uma tentativa de falar fui interrompido:
- Conte-me os números.
Sorrindo aquele riso seu, aquele riso que só ela tem, riso inocente, riso confortador, riso meu; iniciei:
- Um..
Nossos lábios lentamente se tocaram. Um beijo único, tal e qual o primeiro. Junto dele vieram as imagens, lembranças do passado, o sentimento que eu carregava dentro de mim e uma torrente de emoções.
- Dois..
Um beijo que incendiou. Beijo que deu vida própria a nossas mãos, braços, pernas e corpo. Longo beijo.
- Três..
- Quatro..
- Cinco..
- Seis..
Beijos de paixão. Beijos de amor. Beijos de saudades. Beijos com vontade.
Nesse lapso de tempo nos amamos. Apenas os números foram pronunciados. Nada mais foi dito. Tudo estava implícito.
- Sete..
Beijo de despedida. Beijo salgado de lágrimas. Sem choro. Sem rancor. Sem medo.
- Oito.
E era o beijo do adeus. Beijo de obrigado. Beijo de fique bem sempre.
Displicentemente ela levantou-se, não sem meio segundo de hesitação. Dirigindo-se lentamenta à porta, quase parou. Olhando seu rosto de perfil, percebi um mínimo de tristeza; o que ela transportava era muito maior: serenidade e certeza.
Assim fiquei, por horas, dias, noites; não sei. Sei que ao acordar pareceu-me um sonho. Mas seu perfume, no travesseiro ao lado, não deixou-me enganar.
Então ela abriu a porta, cruzou o corredor e adentrou meu quarto.
Sua visão fez meus olhos brilharem. Aproximando-se lentamente deitou ao meu lado e fitou-me intensamente. Via que os seus olhos estavam marejados, que era um olhar de despedida; mas que era um olhar sincero.
Durante longo tempo permanecemos falando tudo que havia entre nós, entretanto nem uma palavra fora pronunciada. Eu queria ter algo a dizer. Quando tentei, dois dedos tocaram-me os lábios silenciando-me novamente. De sua boca ouvi:
- Fale-me de números.
Não entendi. O que ela queria dizer com números? Ora números! Esboçando uma tentativa de falar fui interrompido:
- Conte-me os números.
Sorrindo aquele riso seu, aquele riso que só ela tem, riso inocente, riso confortador, riso meu; iniciei:
- Um..
Nossos lábios lentamente se tocaram. Um beijo único, tal e qual o primeiro. Junto dele vieram as imagens, lembranças do passado, o sentimento que eu carregava dentro de mim e uma torrente de emoções.
- Dois..
Um beijo que incendiou. Beijo que deu vida própria a nossas mãos, braços, pernas e corpo. Longo beijo.
- Três..
- Quatro..
- Cinco..
- Seis..
Beijos de paixão. Beijos de amor. Beijos de saudades. Beijos com vontade.
Nesse lapso de tempo nos amamos. Apenas os números foram pronunciados. Nada mais foi dito. Tudo estava implícito.
- Sete..
Beijo de despedida. Beijo salgado de lágrimas. Sem choro. Sem rancor. Sem medo.
- Oito.
E era o beijo do adeus. Beijo de obrigado. Beijo de fique bem sempre.
Displicentemente ela levantou-se, não sem meio segundo de hesitação. Dirigindo-se lentamenta à porta, quase parou. Olhando seu rosto de perfil, percebi um mínimo de tristeza; o que ela transportava era muito maior: serenidade e certeza.
Assim fiquei, por horas, dias, noites; não sei. Sei que ao acordar pareceu-me um sonho. Mas seu perfume, no travesseiro ao lado, não deixou-me enganar.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Conto machadiano
Mariana
de Machado de Assis
Capítulo Primeiro
"QUE SERÁ FEITO de Mariana?" perguntou Evaristo a si mesmo, no largo da Carioca, ao despedir-se de um velho amigo, que lhe fez lembrar aquela velha amiga.
Era em 1890. Evaristo voltara da Europa, dias antes, após dezoito anos de ausência. Tinha saído do Rio de Janeiro em 1872, e contava demorar-se até 1874 ou 1875, depois de ver algumas cidades célebres ou curiosas, mas o viajante põe e Paris dispõe. Uma vez entrando naquele mundo em 1873, Evaristo deixou-se ir ficando, além do prazo determinado; adiou a viagem um ano, outro ano, e afinal não pensou mais na volta. Desinteressara-se das nossas cousas; ultimamente nem lia os jornais daqui; era um estudante pobre da Bahia, que os ia buscar emprestados, e lhe referia depois uma ou outra notícia de vulto. Senão quando, em novembro de 1889, entra-lhe em casa um reporter parisiense, que lhe fala de revolução no Rio de Janeiro, pede informações políticas, sociais, biográficas. Evaristo refletiu.
— Meu caro senhor, disse ao reporter, acho melhor ir eu mesmo buscá-las.
Não tendo partido, nem opiniões, nem parentes próximos, nem interesses (todos os seus haveres estavam na Europa), mal se explica a resolução súbita de Evaristo pela simples curiosidade, e contudo não houve outro motivo. Quis ver o novo aspecto das cousas. Indagou da data de uma primeira representação no Odéon, comédia de um amigo, calculou que, saindo no primeiro paquete e voltando três paquetes depois, chegaria a tempo de
comprar bilhete e entrar no teatro; fez as malas, correu a Bordéus, e embarcou.
"Que será feito de Mariana? repetia agora, descendo a rua da Assembléia. Talvez morta... Se ainda viver, deve estar outra; há de andar pelos seus quarenta e cinco... Upa! quarenta e oito; era mais moça que eu uns cinco
anos. Quarenta e oito... Bela mulher; grande mulher! Belos e grandes amores!"
Teve desejo de vê-la. Indagou discretamente, soube que vivia e morava na mesma casa em que a deixou, rua do Engenho Velho; mas não aparecia desde alguns meses, por causa do marido, que estava mal, parece que à
morte.
— Ela também deve estar escangalhada, disse Evaristo ao conhecido que lhe dava aquelas informações.
— Homem, não. A última vez que a vi, achei-a frescalhona. Não se lhe dá mais de quarenta anos. Você quer saber uma coisa? Há por aí roseiras magníficas, mas os nossos cedros de 1860 a 1865 parece que não nascem mais.
— Nascem; você não os vê, porque já não sobe ao Líbano, retorquiu Evaristo.
Crescera-lhe o desejo de ver Mariana. Que olhos teriam um para o outro? Que visões antigas viriam transformar a realidade presente? A viagem de Evaristo, cumpre sabê-lo, não foi de recreio, senão de cura. Agora que a lei
do tempo fizera sua obra, que efeito produziria neles, quando se encontrassem, o espectro de 1872, aquele triste ano da separação que quase o pôs doido, e quase a deixou morta?
Capítulo II
DIAS DEPOIS apeava-se ele de um tílburi à porta de Mariana, e dava um cartão ao criado, que lhe abriu a sala.
Enquanto esperava circulou os olhos e ficou impressionado. Os móveis eram os mesmos de dezoito anos antes. A memória, incapaz de os recompor na ausência, reconheceu-os a todos, assim como a disposição deles, que não
mudara. Tinham o aspecto vetusto. As próprias flores artificiais de uma grande jarra, que estava sobre um aparador, haviam desbotado com o tempo. Tudo ossos dispersos, que a imaginação podia enfaixar para restaurar uma figura a que só faltasse a alma.
Mas não faltava a alma. Pendente da parede, por cima do canapé, estava o retrato de Mariana. Tinha sido pintado quando ela contava vinte e cinco anos; a moldura, dourada uma só vez, descascando em alguns lugares, contrastava com a figura ridente e fresca. O tempo não descolara a formosura. Mariana estava ali, trajada à moda de 1865, com os seus lindos olhos redondos e namorados. Era o único alento vivo da sala; mas só ele bastava a dar à decrepitude ambiente a fugidia mocidade. Grande foi a comoção de Evaristo. Havia uma cadeira defronte do retrato, ele sentou-se nela, e ficou a mirar a moça de outro tempo. Os olhos pintados fitavam também os naturais, porventura admirados do encontro e da mudança, porque os naturais não tinham o calor e a graça da pintura. Mas pouco durou a diferença; a vida anterior do homem restituiu-lhe a verdura exterior, e os olhos embeberam-se uns nos outros, e todos nos seus velhos pecados.
Depois, vagarosamente, Mariana desceu da tela e da moldura, e veio sentar-se defronte de Evaristo, inclinou-se, estendeu os braços sobre os joelhos e abriu as mãos. Evaristo entregou-lhes as suas, e as quatro apertaram-se cordialmente. Nenhum perguntou nada que se referisse ao passado, porque ainda não havia passado; ambos estavam no presente, as horas tinham parado, tão instantâneas e tão fixas, que pareciam haver sido ensaiadas na véspera para esta representação única e interminável. Todos os relógios da cidade e do mundo quebraram discretamente as cordas, e todos os relojoeiros trocaram de ofício. Adeus, velho lago de Lamartine! Evaristo e Mariana tinham ancorado no oceano dos tempos. E aí vieram as palavras mais doces que jamais disseram lábios de homem nem de mulher, e as mais ardentes também, e as mudas, e as tresloucadas, e as expirantes, e as de ciúme, e as de perdão.
— Estás bom?
— Bom; e tu?
— Morria por ti. Há uma hora que te espero, ansiosa, quase chorando; mas bem vês que estou risonha e alegre, tudo porque o melhor dos homens entrou nesta sala. Por que te demoraste tanto?
— Tive duas interrupções em caminho; e a segunda muito maior que a primeira.
— Se tu me amasses deveras, gastarias dous minutos com as duas, e estarias aqui há três quartos de hora. Que riso é esse?
— A segunda interrupção foi teu marido.
Mariana estremeceu.
— Foi aqui perto, continuou Evaristo; falamos de ti, ele primeiro, a propósito não sei de quê, e falou com bondade, quase que com ternura. Cheguei a crer que era um laço, um modo de captar a minha confiança. Afinal despedimo-nos; mas eu ainda fiquei espiando, a ver se ele voltava; não vi ninguém. Aí está a causa da minha demora; aí tens também a causa dos meus tormentos.
— Não venhas outra vez com essa eterna desconfiança, atalhou Mariana sorrindo, como na tela, há pouco. Que quer você que eu faça? Xavier é meu marido; não hei de mandá-lo embora, nem castigá-lo, nem matá-lo, só porque eu e você nos amamos.
— Não digo que o mates; mas tu o amas, Mariana.
— Amo-te e a ninguém mais, respondeu ela, evitando assim a resposta negativa, que lhe pareceu demasiado crua.
Foi o que pensou Evaristo; mas não aceitou a delicadeza da forma indireta. Só a negativa rude e simples poderia contentá-lo.
— Tu o amas, insistiu ele.
Mariana refletiu um instante.
— Para que hás de revolver a minha alma e o meu passado? disse ela. Para nós, o mundo começou há quatro meses, e não acabará mais — ou acabará quando você se aborrecer de mim, porque eu não mudarei nunca...
Evaristo ajoelhou-se, puxou-lhe os braços, beijou-lhe as mãos, e fechou nelas o rosto; finalmente deixou cair a cabeça nos joelhos de Mariana. Ficaram assim alguns instantes, até que ela sentiu os dedos úmidos, ergueu-
lhe a cabeça e viu-lhe os olhos rasos de água. Que era?
— Nada, disse ele; adeus.
— Mas que foi?!
— Tu o amas, tornou Evaristo, e esta idéia apavora-me, ao mesmo tempo que me aflige, porque eu sou capaz de matá-lo, se tiver certeza de que ainda o amas.
— Você é um homem singular, retorquiu Mariana, depois de enxugar os olhos de Evaristo com os cabelos, que despenteara às pressas, para servi-lo com o melhor lenço do mundo. Que o amo? Não, já não o amo, aí tens a resposta. Mas já agora hás de consentir que te diga tudo, porque a minha índole não admite meias confidências.
Desta vez foi Evaristo que estremeceu; mas a curiosidade mordia-lhe a ele o coração, em tal maneira, que não houve mais temer, senão aguardar e escutar. Apoiado nos joelhos dela, ouviu a narração, que foi curta. Mariana
referiu o casamento, a resistência do pai, a dor da mãe, e a perseverança dela e de Xavier. Esperaram dez meses, firmes, ela já menos paciente que ele, porque a paixão que a tomou tinha toda a força necessária para as decisões violentas. Que de lágrimas verteu por ele! Que de maldições lhe saíram do coração contra os pais, e foram sufocadas por ela, que temia a Deus, e não quisera que essas palavras, como armas de parricídio, a condenassem, pior que ao inferno, à eterna separação do homem a quem amava. Venceu a constância, o tempo desarmou os velhos, e o casamento se fez, lá se iam sete anos. A paixão dos noivos prolongou-se na vida conjugal. Quando o tempo trouxe o sossego, trouxe também a estima. Os corações eram harmônicos, as recordações da luta pungentes e doces. A felicidade serena veio sentar-se à porta deles, como uma sentinela. Mas bem depressa se foi a sentinela; não deixou a desgraça, nem ainda o tédio, mas a apatia, uma figura pálida, sem
movimento, que mal sorria e não lembrava nada. Foi por esse tempo que Evaristo apareceu aos seus olhos e a arrebatou. Não a arrebatou ao amor de ninguém; mas por isso mesmo nada tinha que ver com o passado, que era um mistério, e podia trazer remorsos...
— Remorsos? interrompeu ele.
— Podias supor que eu os tinha; mas não os tenho, nem os terei jamais.
— Obrigado! disse Evaristo após alguns momentos; agradeço-te a confissão. Não falarei mais de tal assunto. Não o amas, é o essencial. Que linda és tu quando juras assim, e me falas do nosso futuro! Sim, acabou; agora aqui estou, ama-me!
— Só a ti, querido.
— Só a mim? Ainda uma vez, jura!
— Por estes olhos, respondeu ela, beijando-lhe os olhos; por estes lábios, continuou, impondo-lhe um beijo nos lábios. Pela minha vida e pela tua!
Evaristo repetiu as mesmas fórmulas, com iguais cerimônias. Depois, sentou-se defronte de Mariana como estava a princípio. Ela ergueu-se então, por sua vez, e foi ajoelhar-se-lhe aos pés, com os braços nos joelhos dele. Os
cabelos caídos enquadravam tão bem o rosto, que ele sentiu não ser um gênio para copiá-la e legá-la ao mundo. Disse-lhe isso, mas a moça não respondeu palavra; tinha os olhos fitos nele, suplicantes. Evaristo inclinou-se, cravando nela os seus, e assim ficaram, rosto a rosto, uma, duas, três horas, até que alguém veio acordá-los:
— Faz favor de entrar.
Capítulo III
EVARISTO teve um sobressalto. Deu com um homem, o mesmo criado que recebera o seu cartão de visita. Levantou-se depressa; Mariana recolheu-se à tela, que pendia da parede, onde ele a viu outra vez, trajada à moda de 1865, penteada e tranqüila. Como nos sonhos, os pensamentos, gestos e atos mediram-se por outro tempo, que não o tempo; fez-se tudo em cinco ou seis minutos, que tantos foram os que o criado despendeu em levar o cartão e trazer o convite. Entretanto, é certo que Evaristo sentia ainda a impressão das carícias da moça, vivera realmente entre 1869 e 1872, porque as três horas da visão foram ainda uma concessão ao tempo. Toda a história
ressurgira com os ciúmes que ele tinha de Xavier, os seus perdões e as ternuras recíprocas. Só faltou a crise final, quando a mãe de Mariana, sabendo de tudo, corajosamente se interpôs e os separou. Mariana resolveu morrer, chegou a ingerir veneno, e foi preciso o desespero da mãe para restituí-la à vida. Xavier, que então estava na província do Rio, nada soube daquela tragédia, senão que a mulher escapara da morte, por causa de uma troca de medicamentos. Evaristo quis ainda vê-la antes de embarcar, mas foi impossível.
— Vamos, disse ele agora ao criado que o esperava.
Xavier estava no gabinete próximo, estirado em um canapé, com a mulher ao lado e algumas visitas. Evaristo penetrou ali cheio de comoção. A luz era pouca, o silêncio grande; Mariana tinha presa uma das mãos do enfermo, a observá-lo, a temer a morte ou uma crise. Mal pôde levantar os olhos para Evaristo e estender-lhe a mão; voltou a fitar o marido, em cujo rosto havia a marca do longo padecimento, e cujo respirar parecia o prelúdio da grande ópera infinita. Evaristo, que apenas vira o rosto de Mariana, retirou-se a um canto, sem ousar mirar-lhe a figura, nem acompanhar-lhe os movimentos. Chegou o médico, examinou o enfermo, recomendou as prescrições dadas, e retirou-se para voltar de noite. Mariana foi com ele até à porta, interrogando baixo e procurando-lhe no rosto a verdade que a boca não queria dizer. Foi então que Evaristo a viu bem; a dor parecia alquebrá-la mais que os anos. Conheceu-lhe o jeito particular do corpo. Não descia da tela, como a outra, mas do tempo. Antes que ela tornasse ao leito do marido, Evaristo entendeu retirar-se também, e foi até a porta.
— Peço-lhe licença... Sinto não poder falar agora a seu marido.
— Agora não pode ser; o médico recomenda repouso e silêncio. Será noutra ocasião...
— Não vim há mais tempo vê-lo porque só há pouco é que soube... E não cheguei há muito.
— Obrigada.
Evaristo estendeu-lhe a mão e saiu a passo abafado, enquanto ela voltava a sentar-se ao pé do doente. Nem os olhos nem a mão de Mariana revelaram em relação a ele uma impressão qualquer, e a despedida fez-se como entre pessoas indiferentes. Certo, o amor acabara, a data era remota, o coração envelhecera com o tempo, e o marido estava a expirar; mas, refletia ele, como explicar que, ao cabo de dezoito anos de separação, Mariana visse diante de si um homem que tanta parte tivera em sua vida, sem o menor abalo, espanto, constrangimento que fosse? Eis aí um mistério. Chamava-lhe mistério. Ainda agora à despedida, sentira ele um aperto, uma coisa, que lhe fez a palavra trôpega, que lhe tirou as idéias e até as simples fórmulas banais de pesar e de esperança. Ela, entretanto, não recebeu dele a menor comoção. E lembrando-se do retrato da sala, Evaristo concluiu que a arte era superior à natureza; a tela guardara o corpo e a alma... Tudo isso borrifado de um despeitozinho acre.
Xavier durou ainda uma semana. Indo fazer-lhe segunda visita, Evaristo assistiu à morte do enfermo, e não pôde furtar-se à comoção natural do momento, do lugar e das circunstâncias. Mariana, desgrenhada ao pé do leito, tinha os olhos mortos de vigília e de lágrimas. Quando Xavier, depois de longa agonia, expirou, mal se ouviu o choro de alguns parentes e amigos; um grito agudíssimo de Mariana chamou a atenção de todos; depois o desmaio e a queda da viúva. Durou alguns minutos a perda dos sentidos; tornada a si, Mariana correu ao cadáver, abraçou-se a ele, soluçando desesperadamente, dizendo-lhe os nomes mais queridos e ternos. Tinham esquecido de fechar os olhos ao cadáver; daí um lance pavoroso e melancólico, porque ela, depois de os beijar muito, foi tomada de alucinação e bradou que ele ainda vivia, que estava salvo; e, por mais que quisessem arrancá-la dali, não cedia, empurrava a todos, clamava que queriam tirar-lhe o marido. Nova crise a prostrou; foi levada às carreiras para outro quarto.
Quando o enterro saiu no dia seguinte, Mariana não estava presente, por mais que insistisse em despedir-se; já não tinha forças para acudir à vontade. Evaristo acompanhou o enterro. Seguindo o carro fúnebre, mal chegava a crer onde estava e o que fazia. No cemitério, falou a um dos parentes de Xavier, confiando-lhe a pena que tivera de Mariana.
— Vê-se que se amavam muito, concluiu.
— Ah! muito, disse o parente. Casaram-se por paixão; não assisti ao casamento, porque só cheguei ao Rio de Janeiro muitos anos depois, em 1874; achei-os, porém, tão unidos como se fossem noivos, e assisti até agora à vida de ambos. Viviam um para o outro; não sei se ela ficará muito tempo neste mundo.
"1874", pensou Evaristo; "dous anos depois".
Mariana não assistiu à missa do sétimo dia; um parente, — o mesmo do cemitério, — representava-a naquela triste ocasião. Evaristo soube por ele que o estado da viúva não lhe permitia arriscar-se à comemoração da catástrofe. Deixou passar alguns dias, e foi fazer a sua visita de pêsames; mas, tendo dado o cartão, ouviu que ela não recebia ninguém. Foi então a São Paulo, voltou cinco ou seis semanas depois, preparou-se para embarcar; antes de partir, pensou ainda em visitar Mariana, — não tanto por simples cortesia, como para levar consigo a imagem, — deteriorada embora, — daquela paixão de quatro anos.
Não a encontrou em casa. Voltava zangado, mal consigo, achava-se impertinente e de mau gosto. A pouca distância viu sair da igreja do Espírito Santo uma senhora de luto, que lhe pareceu Mariana. Era Mariana; vinha a pé; ao passar pela carruagem olhou para ele, fez que o não conhecia, e foi andando, de modo que o cumprimento de Evaristo ficou sem resposta. Este ainda quis mandar parar o carro e despedir-se dela, ali mesmo, na rua, um minuto, três palavras; como, porém, hesitasse na resolução, só parou quando já havia passado a igreja, e Mariana ia um grande pedaço adiante. Apeou-se, não obstante, e desandou o caminho; mas, fosse respeito ou despeito, trocou de resolução, meteu-se no carro e partiu.
— Três vezes sincera, concluiu, passados alguns minutos de reflexão.
Antes de um mês estava em Paris. Não esquecera a comédia do amigo, a cuja primeira representação no Odéon ficara de assistir. Correu a saber dela; tinha caído redondamente.
— Cousas de teatro, disse Evaristo ao autor, para consolá-lo. Há peças que caem. Há outras que ficam no repertório.
FIM
de Machado de Assis
Capítulo Primeiro
"QUE SERÁ FEITO de Mariana?" perguntou Evaristo a si mesmo, no largo da Carioca, ao despedir-se de um velho amigo, que lhe fez lembrar aquela velha amiga.
Era em 1890. Evaristo voltara da Europa, dias antes, após dezoito anos de ausência. Tinha saído do Rio de Janeiro em 1872, e contava demorar-se até 1874 ou 1875, depois de ver algumas cidades célebres ou curiosas, mas o viajante põe e Paris dispõe. Uma vez entrando naquele mundo em 1873, Evaristo deixou-se ir ficando, além do prazo determinado; adiou a viagem um ano, outro ano, e afinal não pensou mais na volta. Desinteressara-se das nossas cousas; ultimamente nem lia os jornais daqui; era um estudante pobre da Bahia, que os ia buscar emprestados, e lhe referia depois uma ou outra notícia de vulto. Senão quando, em novembro de 1889, entra-lhe em casa um reporter parisiense, que lhe fala de revolução no Rio de Janeiro, pede informações políticas, sociais, biográficas. Evaristo refletiu.
— Meu caro senhor, disse ao reporter, acho melhor ir eu mesmo buscá-las.
Não tendo partido, nem opiniões, nem parentes próximos, nem interesses (todos os seus haveres estavam na Europa), mal se explica a resolução súbita de Evaristo pela simples curiosidade, e contudo não houve outro motivo. Quis ver o novo aspecto das cousas. Indagou da data de uma primeira representação no Odéon, comédia de um amigo, calculou que, saindo no primeiro paquete e voltando três paquetes depois, chegaria a tempo de
comprar bilhete e entrar no teatro; fez as malas, correu a Bordéus, e embarcou.
"Que será feito de Mariana? repetia agora, descendo a rua da Assembléia. Talvez morta... Se ainda viver, deve estar outra; há de andar pelos seus quarenta e cinco... Upa! quarenta e oito; era mais moça que eu uns cinco
anos. Quarenta e oito... Bela mulher; grande mulher! Belos e grandes amores!"
Teve desejo de vê-la. Indagou discretamente, soube que vivia e morava na mesma casa em que a deixou, rua do Engenho Velho; mas não aparecia desde alguns meses, por causa do marido, que estava mal, parece que à
morte.
— Ela também deve estar escangalhada, disse Evaristo ao conhecido que lhe dava aquelas informações.
— Homem, não. A última vez que a vi, achei-a frescalhona. Não se lhe dá mais de quarenta anos. Você quer saber uma coisa? Há por aí roseiras magníficas, mas os nossos cedros de 1860 a 1865 parece que não nascem mais.
— Nascem; você não os vê, porque já não sobe ao Líbano, retorquiu Evaristo.
Crescera-lhe o desejo de ver Mariana. Que olhos teriam um para o outro? Que visões antigas viriam transformar a realidade presente? A viagem de Evaristo, cumpre sabê-lo, não foi de recreio, senão de cura. Agora que a lei
do tempo fizera sua obra, que efeito produziria neles, quando se encontrassem, o espectro de 1872, aquele triste ano da separação que quase o pôs doido, e quase a deixou morta?
Capítulo II
DIAS DEPOIS apeava-se ele de um tílburi à porta de Mariana, e dava um cartão ao criado, que lhe abriu a sala.
Enquanto esperava circulou os olhos e ficou impressionado. Os móveis eram os mesmos de dezoito anos antes. A memória, incapaz de os recompor na ausência, reconheceu-os a todos, assim como a disposição deles, que não
mudara. Tinham o aspecto vetusto. As próprias flores artificiais de uma grande jarra, que estava sobre um aparador, haviam desbotado com o tempo. Tudo ossos dispersos, que a imaginação podia enfaixar para restaurar uma figura a que só faltasse a alma.
Mas não faltava a alma. Pendente da parede, por cima do canapé, estava o retrato de Mariana. Tinha sido pintado quando ela contava vinte e cinco anos; a moldura, dourada uma só vez, descascando em alguns lugares, contrastava com a figura ridente e fresca. O tempo não descolara a formosura. Mariana estava ali, trajada à moda de 1865, com os seus lindos olhos redondos e namorados. Era o único alento vivo da sala; mas só ele bastava a dar à decrepitude ambiente a fugidia mocidade. Grande foi a comoção de Evaristo. Havia uma cadeira defronte do retrato, ele sentou-se nela, e ficou a mirar a moça de outro tempo. Os olhos pintados fitavam também os naturais, porventura admirados do encontro e da mudança, porque os naturais não tinham o calor e a graça da pintura. Mas pouco durou a diferença; a vida anterior do homem restituiu-lhe a verdura exterior, e os olhos embeberam-se uns nos outros, e todos nos seus velhos pecados.
Depois, vagarosamente, Mariana desceu da tela e da moldura, e veio sentar-se defronte de Evaristo, inclinou-se, estendeu os braços sobre os joelhos e abriu as mãos. Evaristo entregou-lhes as suas, e as quatro apertaram-se cordialmente. Nenhum perguntou nada que se referisse ao passado, porque ainda não havia passado; ambos estavam no presente, as horas tinham parado, tão instantâneas e tão fixas, que pareciam haver sido ensaiadas na véspera para esta representação única e interminável. Todos os relógios da cidade e do mundo quebraram discretamente as cordas, e todos os relojoeiros trocaram de ofício. Adeus, velho lago de Lamartine! Evaristo e Mariana tinham ancorado no oceano dos tempos. E aí vieram as palavras mais doces que jamais disseram lábios de homem nem de mulher, e as mais ardentes também, e as mudas, e as tresloucadas, e as expirantes, e as de ciúme, e as de perdão.
— Estás bom?
— Bom; e tu?
— Morria por ti. Há uma hora que te espero, ansiosa, quase chorando; mas bem vês que estou risonha e alegre, tudo porque o melhor dos homens entrou nesta sala. Por que te demoraste tanto?
— Tive duas interrupções em caminho; e a segunda muito maior que a primeira.
— Se tu me amasses deveras, gastarias dous minutos com as duas, e estarias aqui há três quartos de hora. Que riso é esse?
— A segunda interrupção foi teu marido.
Mariana estremeceu.
— Foi aqui perto, continuou Evaristo; falamos de ti, ele primeiro, a propósito não sei de quê, e falou com bondade, quase que com ternura. Cheguei a crer que era um laço, um modo de captar a minha confiança. Afinal despedimo-nos; mas eu ainda fiquei espiando, a ver se ele voltava; não vi ninguém. Aí está a causa da minha demora; aí tens também a causa dos meus tormentos.
— Não venhas outra vez com essa eterna desconfiança, atalhou Mariana sorrindo, como na tela, há pouco. Que quer você que eu faça? Xavier é meu marido; não hei de mandá-lo embora, nem castigá-lo, nem matá-lo, só porque eu e você nos amamos.
— Não digo que o mates; mas tu o amas, Mariana.
— Amo-te e a ninguém mais, respondeu ela, evitando assim a resposta negativa, que lhe pareceu demasiado crua.
Foi o que pensou Evaristo; mas não aceitou a delicadeza da forma indireta. Só a negativa rude e simples poderia contentá-lo.
— Tu o amas, insistiu ele.
Mariana refletiu um instante.
— Para que hás de revolver a minha alma e o meu passado? disse ela. Para nós, o mundo começou há quatro meses, e não acabará mais — ou acabará quando você se aborrecer de mim, porque eu não mudarei nunca...
Evaristo ajoelhou-se, puxou-lhe os braços, beijou-lhe as mãos, e fechou nelas o rosto; finalmente deixou cair a cabeça nos joelhos de Mariana. Ficaram assim alguns instantes, até que ela sentiu os dedos úmidos, ergueu-
lhe a cabeça e viu-lhe os olhos rasos de água. Que era?
— Nada, disse ele; adeus.
— Mas que foi?!
— Tu o amas, tornou Evaristo, e esta idéia apavora-me, ao mesmo tempo que me aflige, porque eu sou capaz de matá-lo, se tiver certeza de que ainda o amas.
— Você é um homem singular, retorquiu Mariana, depois de enxugar os olhos de Evaristo com os cabelos, que despenteara às pressas, para servi-lo com o melhor lenço do mundo. Que o amo? Não, já não o amo, aí tens a resposta. Mas já agora hás de consentir que te diga tudo, porque a minha índole não admite meias confidências.
Desta vez foi Evaristo que estremeceu; mas a curiosidade mordia-lhe a ele o coração, em tal maneira, que não houve mais temer, senão aguardar e escutar. Apoiado nos joelhos dela, ouviu a narração, que foi curta. Mariana
referiu o casamento, a resistência do pai, a dor da mãe, e a perseverança dela e de Xavier. Esperaram dez meses, firmes, ela já menos paciente que ele, porque a paixão que a tomou tinha toda a força necessária para as decisões violentas. Que de lágrimas verteu por ele! Que de maldições lhe saíram do coração contra os pais, e foram sufocadas por ela, que temia a Deus, e não quisera que essas palavras, como armas de parricídio, a condenassem, pior que ao inferno, à eterna separação do homem a quem amava. Venceu a constância, o tempo desarmou os velhos, e o casamento se fez, lá se iam sete anos. A paixão dos noivos prolongou-se na vida conjugal. Quando o tempo trouxe o sossego, trouxe também a estima. Os corações eram harmônicos, as recordações da luta pungentes e doces. A felicidade serena veio sentar-se à porta deles, como uma sentinela. Mas bem depressa se foi a sentinela; não deixou a desgraça, nem ainda o tédio, mas a apatia, uma figura pálida, sem
movimento, que mal sorria e não lembrava nada. Foi por esse tempo que Evaristo apareceu aos seus olhos e a arrebatou. Não a arrebatou ao amor de ninguém; mas por isso mesmo nada tinha que ver com o passado, que era um mistério, e podia trazer remorsos...
— Remorsos? interrompeu ele.
— Podias supor que eu os tinha; mas não os tenho, nem os terei jamais.
— Obrigado! disse Evaristo após alguns momentos; agradeço-te a confissão. Não falarei mais de tal assunto. Não o amas, é o essencial. Que linda és tu quando juras assim, e me falas do nosso futuro! Sim, acabou; agora aqui estou, ama-me!
— Só a ti, querido.
— Só a mim? Ainda uma vez, jura!
— Por estes olhos, respondeu ela, beijando-lhe os olhos; por estes lábios, continuou, impondo-lhe um beijo nos lábios. Pela minha vida e pela tua!
Evaristo repetiu as mesmas fórmulas, com iguais cerimônias. Depois, sentou-se defronte de Mariana como estava a princípio. Ela ergueu-se então, por sua vez, e foi ajoelhar-se-lhe aos pés, com os braços nos joelhos dele. Os
cabelos caídos enquadravam tão bem o rosto, que ele sentiu não ser um gênio para copiá-la e legá-la ao mundo. Disse-lhe isso, mas a moça não respondeu palavra; tinha os olhos fitos nele, suplicantes. Evaristo inclinou-se, cravando nela os seus, e assim ficaram, rosto a rosto, uma, duas, três horas, até que alguém veio acordá-los:
— Faz favor de entrar.
Capítulo III
EVARISTO teve um sobressalto. Deu com um homem, o mesmo criado que recebera o seu cartão de visita. Levantou-se depressa; Mariana recolheu-se à tela, que pendia da parede, onde ele a viu outra vez, trajada à moda de 1865, penteada e tranqüila. Como nos sonhos, os pensamentos, gestos e atos mediram-se por outro tempo, que não o tempo; fez-se tudo em cinco ou seis minutos, que tantos foram os que o criado despendeu em levar o cartão e trazer o convite. Entretanto, é certo que Evaristo sentia ainda a impressão das carícias da moça, vivera realmente entre 1869 e 1872, porque as três horas da visão foram ainda uma concessão ao tempo. Toda a história
ressurgira com os ciúmes que ele tinha de Xavier, os seus perdões e as ternuras recíprocas. Só faltou a crise final, quando a mãe de Mariana, sabendo de tudo, corajosamente se interpôs e os separou. Mariana resolveu morrer, chegou a ingerir veneno, e foi preciso o desespero da mãe para restituí-la à vida. Xavier, que então estava na província do Rio, nada soube daquela tragédia, senão que a mulher escapara da morte, por causa de uma troca de medicamentos. Evaristo quis ainda vê-la antes de embarcar, mas foi impossível.
— Vamos, disse ele agora ao criado que o esperava.
Xavier estava no gabinete próximo, estirado em um canapé, com a mulher ao lado e algumas visitas. Evaristo penetrou ali cheio de comoção. A luz era pouca, o silêncio grande; Mariana tinha presa uma das mãos do enfermo, a observá-lo, a temer a morte ou uma crise. Mal pôde levantar os olhos para Evaristo e estender-lhe a mão; voltou a fitar o marido, em cujo rosto havia a marca do longo padecimento, e cujo respirar parecia o prelúdio da grande ópera infinita. Evaristo, que apenas vira o rosto de Mariana, retirou-se a um canto, sem ousar mirar-lhe a figura, nem acompanhar-lhe os movimentos. Chegou o médico, examinou o enfermo, recomendou as prescrições dadas, e retirou-se para voltar de noite. Mariana foi com ele até à porta, interrogando baixo e procurando-lhe no rosto a verdade que a boca não queria dizer. Foi então que Evaristo a viu bem; a dor parecia alquebrá-la mais que os anos. Conheceu-lhe o jeito particular do corpo. Não descia da tela, como a outra, mas do tempo. Antes que ela tornasse ao leito do marido, Evaristo entendeu retirar-se também, e foi até a porta.
— Peço-lhe licença... Sinto não poder falar agora a seu marido.
— Agora não pode ser; o médico recomenda repouso e silêncio. Será noutra ocasião...
— Não vim há mais tempo vê-lo porque só há pouco é que soube... E não cheguei há muito.
— Obrigada.
Evaristo estendeu-lhe a mão e saiu a passo abafado, enquanto ela voltava a sentar-se ao pé do doente. Nem os olhos nem a mão de Mariana revelaram em relação a ele uma impressão qualquer, e a despedida fez-se como entre pessoas indiferentes. Certo, o amor acabara, a data era remota, o coração envelhecera com o tempo, e o marido estava a expirar; mas, refletia ele, como explicar que, ao cabo de dezoito anos de separação, Mariana visse diante de si um homem que tanta parte tivera em sua vida, sem o menor abalo, espanto, constrangimento que fosse? Eis aí um mistério. Chamava-lhe mistério. Ainda agora à despedida, sentira ele um aperto, uma coisa, que lhe fez a palavra trôpega, que lhe tirou as idéias e até as simples fórmulas banais de pesar e de esperança. Ela, entretanto, não recebeu dele a menor comoção. E lembrando-se do retrato da sala, Evaristo concluiu que a arte era superior à natureza; a tela guardara o corpo e a alma... Tudo isso borrifado de um despeitozinho acre.
Xavier durou ainda uma semana. Indo fazer-lhe segunda visita, Evaristo assistiu à morte do enfermo, e não pôde furtar-se à comoção natural do momento, do lugar e das circunstâncias. Mariana, desgrenhada ao pé do leito, tinha os olhos mortos de vigília e de lágrimas. Quando Xavier, depois de longa agonia, expirou, mal se ouviu o choro de alguns parentes e amigos; um grito agudíssimo de Mariana chamou a atenção de todos; depois o desmaio e a queda da viúva. Durou alguns minutos a perda dos sentidos; tornada a si, Mariana correu ao cadáver, abraçou-se a ele, soluçando desesperadamente, dizendo-lhe os nomes mais queridos e ternos. Tinham esquecido de fechar os olhos ao cadáver; daí um lance pavoroso e melancólico, porque ela, depois de os beijar muito, foi tomada de alucinação e bradou que ele ainda vivia, que estava salvo; e, por mais que quisessem arrancá-la dali, não cedia, empurrava a todos, clamava que queriam tirar-lhe o marido. Nova crise a prostrou; foi levada às carreiras para outro quarto.
Quando o enterro saiu no dia seguinte, Mariana não estava presente, por mais que insistisse em despedir-se; já não tinha forças para acudir à vontade. Evaristo acompanhou o enterro. Seguindo o carro fúnebre, mal chegava a crer onde estava e o que fazia. No cemitério, falou a um dos parentes de Xavier, confiando-lhe a pena que tivera de Mariana.
— Vê-se que se amavam muito, concluiu.
— Ah! muito, disse o parente. Casaram-se por paixão; não assisti ao casamento, porque só cheguei ao Rio de Janeiro muitos anos depois, em 1874; achei-os, porém, tão unidos como se fossem noivos, e assisti até agora à vida de ambos. Viviam um para o outro; não sei se ela ficará muito tempo neste mundo.
"1874", pensou Evaristo; "dous anos depois".
Mariana não assistiu à missa do sétimo dia; um parente, — o mesmo do cemitério, — representava-a naquela triste ocasião. Evaristo soube por ele que o estado da viúva não lhe permitia arriscar-se à comemoração da catástrofe. Deixou passar alguns dias, e foi fazer a sua visita de pêsames; mas, tendo dado o cartão, ouviu que ela não recebia ninguém. Foi então a São Paulo, voltou cinco ou seis semanas depois, preparou-se para embarcar; antes de partir, pensou ainda em visitar Mariana, — não tanto por simples cortesia, como para levar consigo a imagem, — deteriorada embora, — daquela paixão de quatro anos.
Não a encontrou em casa. Voltava zangado, mal consigo, achava-se impertinente e de mau gosto. A pouca distância viu sair da igreja do Espírito Santo uma senhora de luto, que lhe pareceu Mariana. Era Mariana; vinha a pé; ao passar pela carruagem olhou para ele, fez que o não conhecia, e foi andando, de modo que o cumprimento de Evaristo ficou sem resposta. Este ainda quis mandar parar o carro e despedir-se dela, ali mesmo, na rua, um minuto, três palavras; como, porém, hesitasse na resolução, só parou quando já havia passado a igreja, e Mariana ia um grande pedaço adiante. Apeou-se, não obstante, e desandou o caminho; mas, fosse respeito ou despeito, trocou de resolução, meteu-se no carro e partiu.
— Três vezes sincera, concluiu, passados alguns minutos de reflexão.
Antes de um mês estava em Paris. Não esquecera a comédia do amigo, a cuja primeira representação no Odéon ficara de assistir. Correu a saber dela; tinha caído redondamente.
— Cousas de teatro, disse Evaristo ao autor, para consolá-lo. Há peças que caem. Há outras que ficam no repertório.
FIM
terça-feira, 11 de junho de 2013
Cordel do Fogo Encantado (banda)
Hoje minha dica será musical.
Ok, parte musical, parte poética. Logo mais vocês entenderão.
Eu tenho o privilégio (para alguns, maldição) de ir para a faculdade, todos os dias, com transporte coletivo. Muitas vezes pensei que fosse um perda tempo, uma hora para a ida, uma hora para a volta. Entretanto nesses 5 anos de andanças, consegui ocupar muito bem esse tempo.
Durante esse trajeto aproveitei sempre para ter à mão duas coisas: livros e músicas.
Quanto aos primeiros tive a chance de ler os grandes clássicos: 'Crime e Castigo' e 'Os Irmãos Karamazóv', ambos de Dostoiévski; 'Os sofrimentos do jovem Werther', de Goethe; 'Clube da luta', de Chuck Palahniuk; alguns do Machado de Assis, dentre outros tantos (e foram tantos...).
Quanto às músicas, tenho um velho hábito: quando conheço alguma obra de alguém, procuro conhecê-la a fundo; então procuro não apenas alguma música que fez ou faz sucesso (vide postagem Lado A. Lado B.), mas sim tento encontrar a obra completa. Tendo ao alcance, escuto os álbuns do início ao fim; tentando entender o contexto, o que se passa na cabeça dos autores e tento conhecer um pouco mais de cada música que me toca os ouvidos.
Pois bem, dia desses encontrei em meus arquivos de mídia o álbum 'Cordel do Fogo Encantado', da banda de mesmo nome (não! não tem nada a ver com aquela novelinha chinfrim da Globo) e resolvi ouvi-lo novamente. Há anos eu o escutava completo e gostava de ouvi-lo, mas, por qualquer razão não tão aparente agora, deixei de lado.
Senhores!! Que disco!
Essa banda começou como um grupo de teatro, mesclando música, poesia e representação. A primeira vez que os ouvi foi num programa que a MTV tinha (creio ser o MTV Roots, mas posso estar enganado) onde a mesma tocava sons de bandas não tão conhecidas do circuito nacional. Na hora que vi o clip já gostei da banda, então resolvi conhecer um pouco mais da banda.
Os caras dessa banda misturam literatura de cordel, poesia, cultos africanos, o uso constante de diversos instrumentos de cordas (violino, banjo, guitarras), instrumentos de percursão (tambores diversos, bumbos) e usam, também, de um grupo de vocais que fazem as músicas parecerem verdadeiros mantras.
Esse grupo já foi desfeito, no entanto ficaram três registros sonoros ('Cordel do fogo encantado', 'O palhaço do circo sem futuro' e 'Transfiguração') e um audiovisual ('MTV apresenta') dessa incursão pela música e poesia que fazem valer a pena ligar o som no volume alto, apagar as luzes e se deixar levar.
Passem o olho por esses versos que transcrevo abaixo e percebam a beleza contida neles (quando conseguirem o vídeo ou o áudio verão quanto mais belos ficam):
POEIRA
O pão que nasce do fogo
Na roda da saia
Na gira da terra
O vento que rasga telhado
Tambor ritmado
Trompetes de guerra
A guerra que traz a poeira
Que bate na gente
Poeira que vem do sertão
Configuração
Bafo quente
Vem poeira
Vem poeira
Vem poeira
Trago poeira da terra queimada e a fumaça
Ah! Sequidão, sequidão pojuca
Malhada Craíba
Juazeiro torto
Moxotó velado
Serra das Varas
Trago poeira da terra queimada e a fumaça
Ah! Sequidão, sequidão pojuca
Malhada Craíba
Juazeiro torto
Moxotó velado
Cabrobó Floresta Belém do São Francisco
Terra das Massas
Eu vou voltar
Caraíba, mãe vou simbora
Carcará
Eu vou voltar
TOADA VELHA CANSADA
Chega
Toada velha cansada
Atrás do fogo encantado
Nesse terreno sem cerca
Seca
Meu olho teu caldeirão
Teu colo meu oratório
Teu sonhos meu cobertor
Teu riso tem um corisco
Teu peito tem um trovão
É só a gente se ver
chove no meio do verão
Água que lava terreiros
(Oi que lava terreiros)
Oi que lava Janeiros, sertão
Eita mulher voadeira
Misterioso pavão
O riso teu tem corisco
E o peito teu tem trovão
E os meus dois olhos bandeiras
Fogueiras clarão (São João)
Eia
Minha cumadre Fulô
Quero teu cheiro de mato
Tua passada invisível
Vivo
Na catingueira da serra
Cheguei montado no vento
Poderes do teu feitiço
OS ÓIM DO MEU AMOR
Ê nunca mais eu vi
Os oím do meu amor
Nunca mais eu vi
Os oím dela brilhar
Nunca mais eu vi
Os oím do meu amor
São dois jarrinho de flor
E todo mundo quer cheirar
Ok, parte musical, parte poética. Logo mais vocês entenderão.
Eu tenho o privilégio (para alguns, maldição) de ir para a faculdade, todos os dias, com transporte coletivo. Muitas vezes pensei que fosse um perda tempo, uma hora para a ida, uma hora para a volta. Entretanto nesses 5 anos de andanças, consegui ocupar muito bem esse tempo.
Durante esse trajeto aproveitei sempre para ter à mão duas coisas: livros e músicas.
Quanto aos primeiros tive a chance de ler os grandes clássicos: 'Crime e Castigo' e 'Os Irmãos Karamazóv', ambos de Dostoiévski; 'Os sofrimentos do jovem Werther', de Goethe; 'Clube da luta', de Chuck Palahniuk; alguns do Machado de Assis, dentre outros tantos (e foram tantos...).
Quanto às músicas, tenho um velho hábito: quando conheço alguma obra de alguém, procuro conhecê-la a fundo; então procuro não apenas alguma música que fez ou faz sucesso (vide postagem Lado A. Lado B.), mas sim tento encontrar a obra completa. Tendo ao alcance, escuto os álbuns do início ao fim; tentando entender o contexto, o que se passa na cabeça dos autores e tento conhecer um pouco mais de cada música que me toca os ouvidos.
Pois bem, dia desses encontrei em meus arquivos de mídia o álbum 'Cordel do Fogo Encantado', da banda de mesmo nome (não! não tem nada a ver com aquela novelinha chinfrim da Globo) e resolvi ouvi-lo novamente. Há anos eu o escutava completo e gostava de ouvi-lo, mas, por qualquer razão não tão aparente agora, deixei de lado.
Senhores!! Que disco!
Essa banda começou como um grupo de teatro, mesclando música, poesia e representação. A primeira vez que os ouvi foi num programa que a MTV tinha (creio ser o MTV Roots, mas posso estar enganado) onde a mesma tocava sons de bandas não tão conhecidas do circuito nacional. Na hora que vi o clip já gostei da banda, então resolvi conhecer um pouco mais da banda.
Os caras dessa banda misturam literatura de cordel, poesia, cultos africanos, o uso constante de diversos instrumentos de cordas (violino, banjo, guitarras), instrumentos de percursão (tambores diversos, bumbos) e usam, também, de um grupo de vocais que fazem as músicas parecerem verdadeiros mantras.
Esse grupo já foi desfeito, no entanto ficaram três registros sonoros ('Cordel do fogo encantado', 'O palhaço do circo sem futuro' e 'Transfiguração') e um audiovisual ('MTV apresenta') dessa incursão pela música e poesia que fazem valer a pena ligar o som no volume alto, apagar as luzes e se deixar levar.
Passem o olho por esses versos que transcrevo abaixo e percebam a beleza contida neles (quando conseguirem o vídeo ou o áudio verão quanto mais belos ficam):
POEIRA
O pão que nasce do fogo
Na roda da saia
Na gira da terra
O vento que rasga telhado
Tambor ritmado
Trompetes de guerra
A guerra que traz a poeira
Que bate na gente
Poeira que vem do sertão
Configuração
Bafo quente
Vem poeira
Vem poeira
Vem poeira
Trago poeira da terra queimada e a fumaça
Ah! Sequidão, sequidão pojuca
Malhada Craíba
Juazeiro torto
Moxotó velado
Serra das Varas
Trago poeira da terra queimada e a fumaça
Ah! Sequidão, sequidão pojuca
Malhada Craíba
Juazeiro torto
Moxotó velado
Cabrobó Floresta Belém do São Francisco
Terra das Massas
Eu vou voltar
Caraíba, mãe vou simbora
Carcará
Eu vou voltar
TOADA VELHA CANSADA
Chega
Toada velha cansada
Atrás do fogo encantado
Nesse terreno sem cerca
Seca
Meu olho teu caldeirão
Teu colo meu oratório
Teu sonhos meu cobertor
Teu riso tem um corisco
Teu peito tem um trovão
É só a gente se ver
chove no meio do verão
Água que lava terreiros
(Oi que lava terreiros)
Oi que lava Janeiros, sertão
Eita mulher voadeira
Misterioso pavão
O riso teu tem corisco
E o peito teu tem trovão
E os meus dois olhos bandeiras
Fogueiras clarão (São João)
Eia
Minha cumadre Fulô
Quero teu cheiro de mato
Tua passada invisível
Vivo
Na catingueira da serra
Cheguei montado no vento
Poderes do teu feitiço
OS ÓIM DO MEU AMOR
Ê nunca mais eu vi
Os oím do meu amor
Nunca mais eu vi
Os oím dela brilhar
Nunca mais eu vi
Os oím do meu amor
São dois jarrinho de flor
E todo mundo quer cheirar
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Greta!
Nome como pedra,
Olha como brisa,
Anda como pássaro,
Suspira como morte.
Vejo-te e tremo,
Quisera tocar,
Beijar-te os lábios,
Olhos entreabertos.
Minutos como horas,
Horas, eternidade.
Um dia, uma vida.
Momento. Único.
Longe estou,
Distante permaneço.
Contemplando a beleza,
De ti emanada.
Ai de minha voz
Não ser ouvida.
E nunca percebido
O carinho nos olhos meus.
--
1berto
Olha como brisa,
Anda como pássaro,
Suspira como morte.
Vejo-te e tremo,
Quisera tocar,
Beijar-te os lábios,
Olhos entreabertos.
Minutos como horas,
Horas, eternidade.
Um dia, uma vida.
Momento. Único.
Longe estou,
Distante permaneço.
Contemplando a beleza,
De ti emanada.
Ai de minha voz
Não ser ouvida.
E nunca percebido
O carinho nos olhos meus.
--
1berto
terça-feira, 4 de junho de 2013
Novas postagens
Ahhh,,,, há dias que venho tentando ter alguma idéia nova para
postagens no blog, mas não tá rendendo nada.
Comecei uns textos, alguns esboços, outros rascunhos, e no entanto
ficaram muito ruins.
Prometerei um esforço para que surja algo novo. A monografia está me
tomando um tempo imenso. E a paz de espiríto deixa-me tranquilo demais
para certa polêmica. (Um escrito é um maldito.)
Tmabém tenho que me organizar melhor; ontem à noite brotaram-me frases
e parágrafos na cabeça, entretanto o frio e o sono impediram-me de
torná-los um texto.
E, ao final, essa manhã não conseguia mais lembrar dos objetos iniciais.
Aguardem, seguidores desse blog. A qualquer hora minha mente divagará
novamente e postarei algo que preste.
postagens no blog, mas não tá rendendo nada.
Comecei uns textos, alguns esboços, outros rascunhos, e no entanto
ficaram muito ruins.
Prometerei um esforço para que surja algo novo. A monografia está me
tomando um tempo imenso. E a paz de espiríto deixa-me tranquilo demais
para certa polêmica. (Um escrito é um maldito.)
Tmabém tenho que me organizar melhor; ontem à noite brotaram-me frases
e parágrafos na cabeça, entretanto o frio e o sono impediram-me de
torná-los um texto.
E, ao final, essa manhã não conseguia mais lembrar dos objetos iniciais.
Aguardem, seguidores desse blog. A qualquer hora minha mente divagará
novamente e postarei algo que preste.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Como fosse nadar
Eu sinto saudades de tomar banho no rio.
Minha cidade é banhada pelo Rio Uruguai (um pouco mais 'acima' é Rio Pelotas) e desde pequeno, no verão, meu pai levava-me todos os finais de semana para dar 'um bico' na balsa. Nossa! Como era bom. Minha mãe ficava em casa surtando com os perigos que esse passeio poderia trazer, entretanto meu coroa sempre foi muito cuidadoso e conhecedor do rio (afinal, desde os 4 anos de idade ele nadava no Uruguai).
Hoje em dia ele - o Uruguaizão - não é mais rio. Nem sei o que ele é. Após o advento da Usina Hidrelétrica de Itá ele transformou-se num lago ou bacia ou lagoa... E tornou-se muito triste. Ao menos para mim. O que eu gostava era das corredeiras, do barulho das águas ao encontrarem-se com os pilares da ponte, do 'canalão' (um lugar muito, muito, muito fundo) e da diversão que o rio nos proporcionava.
Você entrava na água e a correnteza te levava; então você nadava contra ela, ziguezagueando, mergulhando, braçada após braçada. Deixava-se levar, novamente, rio abaixo, descansando, reunindo forças e esperando uma nova oportunidade de enfrentar a água. E a batalha recomeçava. Eu sempre mirava um ponto fora e traçava como objetivo ultrapassá-lo; as forças se recompunham, a concentração era grande e todo o corpo conspirava para que a meta fosse atingida. Bons tempos aqueles...
Percebo que o nosso dia-a-dia assemelha-se àquela luta com o rio. Existem dias que precisamos ficar inertes, sem fazer muito esforço, descansar o corpo e a mente; mas esses dias servem apenas para dar gás para as próximas braçadas. Servem de estímulo para alcançarmos os nossos objetivos. O que garanto-lhes, amigos, é que deixar-se levar pelas águas é maravilhoso; no entanto o que realmente te satisfaz é nadar contra a corrente.
sábado, 18 de maio de 2013
Diálogo
Acabei de dar vinte reais ao Vicente.
Desenvolveu-se o diálogo:
- Hum, o que eu posso comprar com esse dinheiro?
- O que tu quiser.
- Um picolé?
- Não, né. Óia a friaca.
- Um passarinho e uma gaiola.
- Não né, meu.
- Uma astronave?
- Carinha, não.
- Então não me diz que eu posso comprar o que eu quiser.
- ...
#cuidado com o que você fala para uma criança.
Desenvolveu-se o diálogo:
- Hum, o que eu posso comprar com esse dinheiro?
- O que tu quiser.
- Um picolé?
- Não, né. Óia a friaca.
- Um passarinho e uma gaiola.
- Não né, meu.
- Uma astronave?
- Carinha, não.
- Então não me diz que eu posso comprar o que eu quiser.
- ...
#cuidado com o que você fala para uma criança.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Verbos
Houve um dia em que nosso amor nasceu
Foi um dia em que o tempo parou
O sentimento entre nós aconteceu
E não mais que de repente acabou
Houve um dia em que nosso amor nasceu
Foi um dia em que o tempo aconteceu
O sentimento entre nós parou
E não mais que de repente acabou
Houve um dia em que nosso amor aconteceu
Foi um dia em que o tempo acabou
O sentimento entre nós nasceu
E não mais que de repente parou
Houve um dia em que nosso amor acabou
Foi um dia em que o tempo parou
O sentimento entre nós nasceu
E não mais que de repente aconteceu
Houve um dia em que nosso amor parou
Foi um dia em que o tempo nasceu
O sentimento entre nós aconteceu
E não mais que de repente acabou
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Corvo
Eu, hoje, não lutaria para ser um rei. Não gostaria de ter nascido príncipe; não estudaria para ser meistre. Não faria questão de ser um lorde, um sor ou um membro juramentado da guarda real. Tampouco faria diferença ser um famoso bastardo do norte ou um dos muitos bastardos Frey. Um selvagem? Quem sabe. No entanto o desejo verdadeiro agora seria de vestir o negro e tornar-me membro da Patrulha da Noite, prestando o juramento:
"Escute as minhas palavras e testemunhem os meus votos. A noite chega, e agora começa minha vigília. Não terminará até a minha morte. Não tomarei esposa, não possuirei terras, não gerarei filhos. Não usarei coroas e não conquistarei glórias. Viverei e morrerei no meu posto. Sou a espada na escuridão. Sou o vigilante nas muralhas. Sou o fogo que arde contra o frio, a luz que trás consigo a alvorada, a trombeta que acorda os que dormem, o escudo que defende os reinos dos homens. Dou minha vida e a minha honra a Patrulha da Noite. Por esta noite, e por todas as noites que estão por vir. "
quarta-feira, 15 de maio de 2013
A garota dançando
Você pode descobrir muito de uma garota quando ela está dançando.
Digo 'muito' porque você, amigo, nunca, N-U-N-C-A, nunquinha irá saber tudo dela. Mas quando ela dança pode mostrar uma parte do que ela representa. Você até poderia descobrir um pouquinho mais se pudesse vê-la dançando quando ela escolhe a música, coloca sua roupa mais confortável e dança sozinha, em casa, fechada no seu quarto. Entretanto, estando ela sozinha, você não estará ali partilhando daquele momento.
Pense numa pessoa que você conhece, famosa ou não, e imagine-a (se você não pôde ver ainda) dançando. Pode ser aquela loura de corpo dourado que você cruzou nos corredores do mercado, a morena de pele branca e macia que sempre que te vê mia um ooooi ou aquela morena jambo, saca?, que você encontrou na escadaria do seu prédio. Pode ser qualquer uma, menos as ruivas e as modelos, que essas são mulheres diferentes (explicarei em outra oportunidade).
Digo isso porque dias atrás fui numa festa; uma balada. Saí com alguns amigos para beber, ouvir uma música alta e ver a movimentação das pessoas. Uma, em particular chamou-me a atenção. Uma lourinha de metro e sessenta, nem magra nem gorda, regata branca delineando-a, uma calça jeans justa e um par de botas que chegava até quase o joelho. Na sua mão, ora esquerda ora direita, pousava um copo com alguma bebida doce - porque ela tinha jeito de que tomava bebida doce - algum coquetel tipo hi-fi ou marguerita ou gin-tônica.
Bem, ela estava num grupo de mais ou menos 5 pessoas. No entanto, assim que uma música começou a tocar, parecia estar sozinha, seus olhos fecharam-se e ela começou a serpentear na pista. Dobrava levemente os joelhos esquerdo-direito-esquerdo-direito, nesse ir e vir ritmado e sensual, entre um gole e outro, alternando com o levantar do queixo, ajeitando levemente seus cabelos soltos. Cara, que momento!! Ela não ignorou simplesmente seus amigos - ela estava alheia a tudo, em seu pequeno espaço, o qual conseguia apenas dar um no máximo dois passos - estava completamente só. Eu, apenas observando de muito longe, me senti um intruso. Tive vontade de arrastar todas as pessoas que estavam ali para fora do lugar. Mas não havia necessidade, nós não existíamos. Pelos poucos minutos que a música foi executada, para aquela moça, o mundo era apenas aquilo e tudo aquilo.
Logo parei de observá-la e deixei-a com seus movimentos ondulantes. Pude perceber o quão segura de si ela sentia-se. Não tinha medo, nem pudores, nem preocupações. Tampouco sentia-se vazia. Era uma mulher que parecia saber o que queria. Mas, principalmente, pude constatar que ela sabia onde quer chegar.
Digo 'muito' porque você, amigo, nunca, N-U-N-C-A, nunquinha irá saber tudo dela. Mas quando ela dança pode mostrar uma parte do que ela representa. Você até poderia descobrir um pouquinho mais se pudesse vê-la dançando quando ela escolhe a música, coloca sua roupa mais confortável e dança sozinha, em casa, fechada no seu quarto. Entretanto, estando ela sozinha, você não estará ali partilhando daquele momento.
Pense numa pessoa que você conhece, famosa ou não, e imagine-a (se você não pôde ver ainda) dançando. Pode ser aquela loura de corpo dourado que você cruzou nos corredores do mercado, a morena de pele branca e macia que sempre que te vê mia um ooooi ou aquela morena jambo, saca?, que você encontrou na escadaria do seu prédio. Pode ser qualquer uma, menos as ruivas e as modelos, que essas são mulheres diferentes (explicarei em outra oportunidade).
Digo isso porque dias atrás fui numa festa; uma balada. Saí com alguns amigos para beber, ouvir uma música alta e ver a movimentação das pessoas. Uma, em particular chamou-me a atenção. Uma lourinha de metro e sessenta, nem magra nem gorda, regata branca delineando-a, uma calça jeans justa e um par de botas que chegava até quase o joelho. Na sua mão, ora esquerda ora direita, pousava um copo com alguma bebida doce - porque ela tinha jeito de que tomava bebida doce - algum coquetel tipo hi-fi ou marguerita ou gin-tônica.
Bem, ela estava num grupo de mais ou menos 5 pessoas. No entanto, assim que uma música começou a tocar, parecia estar sozinha, seus olhos fecharam-se e ela começou a serpentear na pista. Dobrava levemente os joelhos esquerdo-direito-esquerdo-direito, nesse ir e vir ritmado e sensual, entre um gole e outro, alternando com o levantar do queixo, ajeitando levemente seus cabelos soltos. Cara, que momento!! Ela não ignorou simplesmente seus amigos - ela estava alheia a tudo, em seu pequeno espaço, o qual conseguia apenas dar um no máximo dois passos - estava completamente só. Eu, apenas observando de muito longe, me senti um intruso. Tive vontade de arrastar todas as pessoas que estavam ali para fora do lugar. Mas não havia necessidade, nós não existíamos. Pelos poucos minutos que a música foi executada, para aquela moça, o mundo era apenas aquilo e tudo aquilo.
Logo parei de observá-la e deixei-a com seus movimentos ondulantes. Pude perceber o quão segura de si ela sentia-se. Não tinha medo, nem pudores, nem preocupações. Tampouco sentia-se vazia. Era uma mulher que parecia saber o que queria. Mas, principalmente, pude constatar que ela sabia onde quer chegar.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Conto de amor #1
Era uma vez ele e ela.
O romance durou três dias:
No primeiro, amaram-se;
No segundo, enjoaram-se;
No terceiro, separaram-se.
Típica história de amor.
O romance durou três dias:
No primeiro, amaram-se;
No segundo, enjoaram-se;
No terceiro, separaram-se.
Típica história de amor.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
A Angústia - Paul Verlaine
Nada em ti me comove, Natureza, nem
Faustos das madrugadas, nem campos fecundos,
Nem pastorais do Sul, com o seu eco tão rubro,
A solene dolência dos poentes, além.
Eu rio-me da Arte, do Homem, das canções,
Da poesia, dos templos e das espirais
Lançadas para o céu vazio pelas catedrais.
Vejo com os mesmos olhos os maus e os bons.
Não creio em Deus, abjuro e renego qualquer
Pensamento, e nem posso ouvir sequer falar
Dessa velha ironia a que chamam Amor.
Já farta de existir, com medo de morrer,
Como um brigue perdido entre as ondas do mar,
A minha alma persegue um naufrágio maior.
Paul Verlaine, francês. Um dos maiores poetas de todos os tempos.
Faustos das madrugadas, nem campos fecundos,
Nem pastorais do Sul, com o seu eco tão rubro,
A solene dolência dos poentes, além.
Eu rio-me da Arte, do Homem, das canções,
Da poesia, dos templos e das espirais
Lançadas para o céu vazio pelas catedrais.
Vejo com os mesmos olhos os maus e os bons.
Não creio em Deus, abjuro e renego qualquer
Pensamento, e nem posso ouvir sequer falar
Dessa velha ironia a que chamam Amor.
Já farta de existir, com medo de morrer,
Como um brigue perdido entre as ondas do mar,
A minha alma persegue um naufrágio maior.
Paul Verlaine, francês. Um dos maiores poetas de todos os tempos.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Lado A. Lado B.
Você está ligado nos discos de vinil? Pois é...
Os "LP's" traziam em si a possibilidade de gravações em ambos os lados, chamados de Lado A e Lado B. Percebi, na maioria das vezes, que os discos tinham em seu Lado A as músicas mais famosas e comerciais (também chamadas de 'música de trabalho') que eram as que tocavam no rádio. Com elas a popularidade do álbum e da banda (ou artista) aumentava ou diminuia, conforme a recepção do público. Essas músicas, por serem tradicionalmente de vendagem, logo me enchiam o saco. Eram o que os produtores do álbum queriam (às vezes forçando a gravá-las) e não a total vontade do artista.
Entretanto em seu Lado B vinham as experimentações, a naturalidade e o que os artistas realmente tinham de verdadeiro. Todos (na época) éramos atraídos pelo Lado A, no entanto o que realmente significava era o B. Era de lá que vinha explicitada a veia sonora e intelectual de cada qual que fazia música. Ali estavam os anseios, os medos, as realidades, as cruezas, os detalhes.
É assim que vejo as pessoas.
Vivemos em um mundo de pessoas comerciais. Elas tentam a todo momento te 'vender' uma imagem, um produto que vem mascarado, ou seja, um Lado A que habita nelas. Incentivado cada vez mais pelas mídias e redes sociais, esse lado pode se tornar prejudicial para a pessoa. Da mesma forma que alguns artistas são conhecidos por 'a banda de uma música só', esses indivíduos tem a tendência a ficarem rotulados. Por culpa dos próprios, seu A torna-se o álbum inteiro. Deixam escondido dos outros o que tem de real para mostrar.
Por isso que prefiro o Lado B dos seres. É nele que vê-se como a pessoa realmente é. Seus medos, suas fraquezas, suas forças e seus desejos. Nota-se a essência quando o que percebe-se é a imperfeição. Naturalmente ninguém é perfeito e isso já seria um requisito inquestionável para agirmos com total liberdade.
Entendo que o mundo não funciona assim. Que o que temos a disposição é um catálogo de formas a escolha de cada um. Compramos o que vemos, ou não. Colocamos a venda o que temos, ou não. A primeira impressão é a que fica. Mas o que conta são suas particularidades. O que vale é o seu Lado B.
Questão de Direito Constitucional
O que são as Imunidades Parlamentares, suas formas, desígnios e atribuições?
As imunidades parlamentares são prerrogativas inerentes à função parlamentar para garantir o exercício do mandato parlamentar com plena liberdade.
Elas são de dois tipos:
1 - imunidade material, real ou substantiva (denominada também de inviolabilidade): está elencada no caput do art. 53 da CF/88 e implica na exclusão da prática de crime, bem como a inviolabilidade civil, pelas opiniões, palavras e votos dos parlamentares;
2 - imunidade processual, formal ou adjetiva: art. 53, §§ 2º a 5º, CF/88, traz as regras sobre prisão e processo criminal dos parlamentares.
Na sua essência, essas prerrogativas atribuídas aos parlamentares, visam garantir a democracia, na medida em que os mesmos podem livremente manifestar suas opiniões, garantindo-se contra prisões arbitrárias, ou mesmo rivalidades políticas.
A imunidade material ou inviolabilidade parlamentar, é garantida aos parlamentares federais regendo que os mesmos são invioláveis, civil e penalmente, por qualquer de suas opiniões, palavras e votos, desde que proferidos em razão de suas funções parlamentares, onde estiver, não se restringindo ao âmbito do Congresso Nacional. Assegura a independência do parlamentar no exercício de suas atribuições.
Com relação à imunidade formal para a prisão, os parlamentares gozam de seus benefícios a partir do momento em que são diplomados pela Justiça Federal.
A regra geral nos diz que os parlamentares não poderão ser presos, seja a prisão penal ou a prisão civil. Entretanto há uma única exceção à regra, qual seja, a de prisão em caso de flagrante de crime inafiançável; no entanto, mesmo nessa hipótese, os autos deverão se remetidos à Casa Parlamentar respectiva, no prazo de 24 horas, para que, pelo VOTO DA MAIORIA ABSOLUTA DE SEUS MEMBROS, resolva sobre a prisão.
Destaca-se que devido a inclusão da Emenda Constitucional 35/2001, a votação dos congressistas não será secreta e, sim, pelo voto aberto. Após o advento dessa EC, também designou-se que a denúncia poderia ser diretamente recebida no STF, sem a prévia licença da Casa respectiva (onde, em muitos casos, não era deferida a prisão), devendo o STF, assim que recebida a denúncia, dar ciência à Casa respectiva do Parlamentar, que por inciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria dos seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
To F
É incrível a quantidade de erros que cometemos.
Um simples gesto impensado, uma palavra mal proferida ou um momento desperdiçado, e conseguimos estragar as coisas.
Erramos tentando acertar, pecamos pelo exagero, trocamos os pés pelas mãos; lugares-comuns esses. A mais pura verdade.
Tentei eternizar um pedaço seu. Dedos lindos, unhas coloridas, uma aperto de mão, a vontade de ser o outro. Delirando, perdi-me em devaneios e senti-me ruborizar perante todos.
Tarde demais para voltar atrás.
Mas não tarde para admitir o erro e redimir a culpa.
Espero que compreenda e um dia, quem sabe, me perdoe.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
lua
e a lua serena aparece
e parece voar
e parece arder
e parece brilhar
do fogo, a luz
da pedra, o céu
da noite, o sol
do olho, o véu
brinca de surgir
uma briga estelar
no mar de escuridão
esperança a alentar
aos simples, não existe
aos amantes, castiçal
aos que fogem, ingratidão
aos poetas, ideal
e parece voar
e parece arder
e parece brilhar
do fogo, a luz
da pedra, o céu
da noite, o sol
do olho, o véu
brinca de surgir
uma briga estelar
no mar de escuridão
esperança a alentar
aos simples, não existe
aos amantes, castiçal
aos que fogem, ingratidão
aos poetas, ideal
quarta-feira, 17 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Escreva uma carta
Isso mesmo! Pegue um papel e uma caneta. Coloque uma música que goste e abra a janela. Ponha-se a escrever.
Deixe com que sua mente divague, com os dedos soltos, sem medo, leve e simples. Escreva sobre a saudade que sente daquela pessoa, sobre o último encontro que tiveram, lembranças da turma do colégio, um convite para sair, uma viagem a programar. Faça com que as palavras saiam naturalmente, não force nada, apenas chegue ao fim de uma frase; e outra e outra e outra.
Ok, sei que os meios digitais tornam tudo isso mais fácil. Entretanto as redes sociais estão cada vez mais chatas. O e-mail continua frio como a tela do computador. Nem um nem dois SMS's conseguem transmitir o que realmente você quer dizer.
No papel sente-se onde a mão treme quando se escreve uma palavra significativa, deixa marcas onde uma lágrima cai na construção de uma frase, percebe-se o tamanho da emoção ao concluir um parágrafo. Não há corretor ortográfico (e também não fica nada feio quando algum erro surge como equívoco), nem espaçamento automático, muito menos tipo e tamanho da fonte. Sublinhe; rabisque; desenhe; permita-se!
O papel aceita tudo.
Ao final dessa função pegue um envelope, aponha o endereço e saia de casa. Sim, compre um selo, não sem no trajeto olhar em volta o ambiente, o espaço, aquela manhã de sol, um pássaro cantando, as pessoas andando apressadas (sempre!). Entregue a carta numa caixa de coleta (aquelas amarelinhas, saca?), ou no Correio. E aguarde.
Esse tempo de aguardo é fenomenal. A pessoa do outro lado nem imagina o que está para chegar. Você fica apreensivo 2, 3, 4, 5 dias até que sua carta é entregue. E aí, amigo, garanto que o mundo se transforma. O destinatário se surpreenderá. Imaginará que você dispendeu um pequeno tempo de sua vida para dedicar-se exclusivamente em escrever algumas palavras para ele. Perceberá a grandiosa importância que tem aquele simples papel e uns garranchos escritos. É capaz de você receber de volta uma resposta nos mesmos moldes escrita por aquela pessoa ou mesmo o simples SMS.
Mas a maior recompensa é você imaginar a reação da pessoa ao receber, em meio as contas de água/luz/faturas de cartão, um envelope escrito à mão. Certamente um sorriso brotará no rosto dela.
Faça isso agora!
Escreva uma carta
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Não! Você não pode
Você não pode se apaixonar por alguém que não gosta de você.
Você não pode se apaixonar por alguém maior do que você.
Você não pode se apaixonar por alguém que não te conhece.
Você não pode se apaixonar por alguém que sabe teus defeitos.
Você não pode se apaixonar por alguém que namora seu amigo.
Você não pode se apaixonar por alguém que não seja de sua cor
Você não pode se apaixonar por alguém do mesmo sexo.
Você não pode se apaixonar por alguém casado.
Você não pode se apaixonar por alguém que mora longe.
Você não pode se apaixonar por alguém que é seu amigo.
Você não pode se apaixonar por alguém de religião diferente.
Você não pode se apaixonar por alguém que tenha filhos.
Você não pode se apaixonar por alguém de outro planeta.
Você não pode se apaixonar por alguém que foi preso.
Você não pode se apaixonar por alguém certinho.
Você não pode se apaixonar por alguém que seja verde.
Você não pode se apaixonar por alguém que te compreenda.
Você não pode se apaixonar por alguém que tenha gatos.
Você não pode se apaixonar por alguém que veja novelas.
Você não pode se apaixonar por alguém que te esnobe.
Você não pode se apaixonar por alguém que seja rico.
Você não pode se apaixonar por alguém que te aqueça.
Você não pode se apaixonar por alguém que te queira.
Surpreenda-se. Arrisque-se. Desmistifique-se.
Se a porta não se abrir, chute-a.
Essa é sua vida.
E, se tiver sorte, será ÚNICA.
Você não pode se apaixonar por alguém maior do que você.
Você não pode se apaixonar por alguém que não te conhece.
Você não pode se apaixonar por alguém que sabe teus defeitos.
Você não pode se apaixonar por alguém que namora seu amigo.
Você não pode se apaixonar por alguém que não seja de sua cor
Você não pode se apaixonar por alguém do mesmo sexo.
Você não pode se apaixonar por alguém casado.
Você não pode se apaixonar por alguém que mora longe.
Você não pode se apaixonar por alguém que é seu amigo.
Você não pode se apaixonar por alguém de religião diferente.
Você não pode se apaixonar por alguém que tenha filhos.
Você não pode se apaixonar por alguém de outro planeta.
Você não pode se apaixonar por alguém que foi preso.
Você não pode se apaixonar por alguém certinho.
Você não pode se apaixonar por alguém que seja verde.
Você não pode se apaixonar por alguém que te compreenda.
Você não pode se apaixonar por alguém que tenha gatos.
Você não pode se apaixonar por alguém que veja novelas.
Você não pode se apaixonar por alguém que te esnobe.
Você não pode se apaixonar por alguém que seja rico.
Você não pode se apaixonar por alguém que te aqueça.
Você não pode se apaixonar por alguém que te queira.
Surpreenda-se. Arrisque-se. Desmistifique-se.
Se a porta não se abrir, chute-a.
Essa é sua vida.
E, se tiver sorte, será ÚNICA.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Quase o fim
Estou a um pequeno passo de abandonar minha incursão literária.
Cheguei a conclusão de que sou um ótimo leitor; gosto de bons livros, me divirto com as histórias, tento me colocar no lugar de autores, personagens, épocas e situações que eles nos trazem.
Entretanto vejo que é uma perda de tempo eu tentar escrever e apenas conseguir alguns textos medíocres e péssimos poemas. Pouparei quem segue este blog e a mim mesmo. Guardarei esse tempo que permaneço com um lápis na mão à espera de uma frase para ler um bom capítulo de um autor que realmente tem o dom para a coisa.
Sobre as coisas que penso, as frases que ficam incompletas e a tendência insistente para largar tudo no papel, tentarei achar uma outra forma de extravasar.
Da mesma forma que temos que abandonar um livro ruim nas primeiras páginas, um péssimo filme em suas primeiras cenas ou alguma música mal feita já nos primeiros acordes, temos que fazer algumas escolhas na nossa vida.
Não há tempo a perder com o que não vale a pena.
A vida é curta.
E há tantos livros bons para serem lidos... não quero perder meu tempo escrevendo um horrível.
Cheguei a conclusão de que sou um ótimo leitor; gosto de bons livros, me divirto com as histórias, tento me colocar no lugar de autores, personagens, épocas e situações que eles nos trazem.
Entretanto vejo que é uma perda de tempo eu tentar escrever e apenas conseguir alguns textos medíocres e péssimos poemas. Pouparei quem segue este blog e a mim mesmo. Guardarei esse tempo que permaneço com um lápis na mão à espera de uma frase para ler um bom capítulo de um autor que realmente tem o dom para a coisa.
Sobre as coisas que penso, as frases que ficam incompletas e a tendência insistente para largar tudo no papel, tentarei achar uma outra forma de extravasar.
Da mesma forma que temos que abandonar um livro ruim nas primeiras páginas, um péssimo filme em suas primeiras cenas ou alguma música mal feita já nos primeiros acordes, temos que fazer algumas escolhas na nossa vida.
Não há tempo a perder com o que não vale a pena.
A vida é curta.
E há tantos livros bons para serem lidos... não quero perder meu tempo escrevendo um horrível.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Fuck!
Escrevi um baita texto sobre filmes e.. .. perdi ele!
Desisti.
Outras postagens no decorrer da semana (ou do mês) {quem sabe do ano}
Putaquepariu!
Desisti.
Outras postagens no decorrer da semana (ou do mês) {quem sabe do ano}
Putaquepariu!
domingo, 31 de março de 2013
31 - trinta e um
31 3 13
três um três um três
tres unum tria unum tria
three one three one three
drei ein drei ein drei
3 واحد ثلاثة واحد ثلاثة
ένα τρία τρία ένα τριάρι
tre en tre en tre
tiga satu tiga satu tiga
три один три один три
três um três um três
tres unum tria unum tria
three one three one three
drei ein drei ein drei
3 واحد ثلاثة واحد ثلاثة
ένα τρία τρία ένα τριάρι
tre en tre en tre
tiga satu tiga satu tiga
три один три один три
quarta-feira, 27 de março de 2013
Eu via
Eu o vi
Ele estava num campo
Um balão girava em volta dele
Via-se os cabelos esvoaçando no cesto
Uns olhos tristes miravam o chão
O balão dava voltas e voltas e voltas
Eu o vi
Era uma estação de trem
Um vagão chegava e partia
À janela, os mesmos olhos
Ele continuava parado
O trem chegava e partia e chegava
Eu o vi
Parado na calçada
Chovia fortemente
Seu olhar mirava a janela em frente
Um vulto figurava no apartamento
Enquanto a água escorria pelo vidro
Eu o vi
No meio da multidão
Todos estavam apressados
Ninguém se aproximava dele
Pareceu ver aqueles olhos
Mas não conseguiu sair do lugar
Eu o vi
Não era um desconhecido
Aquele cara parado ali
Era eu.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Sonho
Acordei sobressaltado
Sonhava com você
Estavas tão linda
Tão bela
Sorria como eu fosse único
Falava como fosse cantar
Tocava-me o rosto
Arrepiava-me o corpo
Abraçava-me
Agitado abri os olhos
Aos pés da cama
Roupas espalhadas
Um copo meio vazio
Pássaro a cantar
Manhã cinzenta
Da lembrança
O perfume
Que não consegui sonhar
quarta-feira, 13 de março de 2013
Noite sem luz
Foi numa tarde em que faltou luz. Um desses fins de tarde de julho ou agosto. O fogo crepitando no fogão à lenha, a chaleira fervendo, os pinhões estalando na chapa. Enquanto o sol se punha no horizonte fomos acendendo velas. Minha mãe, meu pai, meus irmãos e eu. Escurecia lá fora e dentro de casa a penumbra ia tomando conta dos cômodos. À luz das velas, as sombras se moviam lentamente. Sentamos no sala, todos os seis. Não havia barulho; nem na rua, nem dentro de casa. Um relógio de parede insistia em contar os segundos, tic-tac-tic-tac, há muito esquecido. Apenas a chuva que caía em telhado de zinco nos arredores servia de trilha sonora para este momento. Principiamos a conversar, brincar um com o outro, lembrar de passagens da vida de cada um; uma estória engraçada de tempos idos de nossa infância, um conto ouvido do primo do vizinho de alguém, uma anedota nova que nos fez rir e até algum plano para o futuro. Ficamos por uma eternidade aproveitando aquele momento que pareceu fazer com que nossos corações chegassem a pulsar no mesmo ritmo. A chuva foi diminuindo lá fora, o relógio já não se ouvia mais, a conversa estava muito animada e então... a luz voltou. Alguém sorriu, o pequeno comemorou, a geladeira voltou a funcionar, dois ou três carros passaram na rua e a televisão foi ligada. Cada um foi para um lado, as velas foram apagadas e o sorriso em cada rosto foi reduzindo-se. Durante cinco ou dez minutos não nos falávamos, quase não nos olhávamos e apesar de o apresentador do jornal nos lembrar de uma notícia urgente, logo estávamos todos sentados nos mesmos lugares de antes. A TV foi desligada, as luzes apagadas e as velas acesas. E antes mesmo do terceiro tic-tac já estávamos todos tendo a melhor noite em família.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Quase nada - Dado Villa Lobos
Tanta coisa simples
Mas a gente não
Vejo bem do alto
Asa do avião
Ritmos e cores
Bem à vontade diante de mim
Lábio e ritmo negro
Que samba cançâo
Os lugares são simples
Paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela
O mundo não parece mais que um chão
Seria um chão se eu vivesse um pouco melhor
Só vendo a paisagem
Só vendo a beleza passando ao redor
Os lugares são simples
Paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela
Toda esperança tem um fio muito curto
Quando perco metade parece quase tudo
Quase tudo, quase tudo
Que tenho pego como a areia pega a mão
E quando fica alguma coisa é quase bom
Melhor que um dia atrás do outro sem ilusão
Os lugares são simples
Paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela
Mas a gente não
Vejo bem do alto
Asa do avião
Ritmos e cores
Bem à vontade diante de mim
Lábio e ritmo negro
Que samba cançâo
Os lugares são simples
Paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela
O mundo não parece mais que um chão
Seria um chão se eu vivesse um pouco melhor
Só vendo a paisagem
Só vendo a beleza passando ao redor
Os lugares são simples
Paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela
Toda esperança tem um fio muito curto
Quando perco metade parece quase tudo
Quase tudo, quase tudo
Que tenho pego como a areia pega a mão
E quando fica alguma coisa é quase bom
Melhor que um dia atrás do outro sem ilusão
Os lugares são simples
Paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela
quarta-feira, 6 de março de 2013
Chorão 1970-2013
Essa imagem que eu tenho parece ter se passado ontem. Estava sentado no sofá de casa, esperando que algo acontecesse. Vínhamos da geração seguinte à explosão de bandas de rock da década de 80. Expoentes como a Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha já haviam marcado seus nomes na história da música brasileira. Entretanto essa não era nossa geração, precisávamos de algo que fizesse com que nos identificássemos com o tempo que vivíamos, algo que também firmasse aquela década de 90.
Havia surgido pelo mundo inteiro bandas que se propunham a fazer um som diferente, uma pegada mais pesada, com algum diferencial do rock de sempre. Surgiram o Nirvana e seu grunge, Pearl Jam e Red Hot Chilli Peppers; no Brasil havíamos visto a quebra de algumas barreiras com o sensacional e polêmico Planet Hemp e também com Raimundos e seu hardcore calango. Mas parecia faltar alguma coisa, algo que viesse a complementar a musicalidade.
Então com a TV ligada na plim-plim, fingindo assitir o Jô Soares, tive a primeira visão de algo muito novo. O apresentador anuncia a banda: 'Com vocês, Charlie Brown Jr.!!"; olho para a tela e do meio da platéia um 'gurizão' com as calças e camisetas largas, boné e jeitão despojado, desliza por entre as fileiras com seu skate. Bahhhh!!!! Era o Chorão. Quando ouvi os primeiros acordes, batidas, vocal e letra de 'O coro vai comê' identifiquei-me na hora com o som que eles mandavam.
Nossa!!! Eu tinha quinze, quase dezesseis, recém recebido meu segundo salário, passei em uma loja de cd´s e comprei o 'Transpiração Contínua e Prolongada'. Quase furei-o de tanto escutar. Todas as faixas ótimas, com um senso político, crítico e senso de humor tremendos. Estava aí mais uma banda que faria parte de toda a minha vida.
Cresci ouvindo todas as músicas que eles lançavam. A cada disco várias novidades, parcerias e muita, muita poesia. Em todas as festas que eu ia, tocava. Em casa, ouvia. No carro, obrigatório. Amadureci (?) junto com a banda (?). Ri muito de tudo que o Chorão aprontou no palco e fora dele. Dei uns tapas nos Los Hermanos, quando eles foram se apresentar em Santa Maria (e levei outros tantos) {lembra, Banzo?} para consolidar meu apoio naquele episódio dele com o Camelo. Quando assiti na TV o Acústico MTV do Charlie Brown, pirei. Procurava todas as reprises para rever o showzaço que os caras fizeram.
Aí eis que tive a chance de vê-los ao vivo. Planeta Atlântida. Os caras montaram um half no palco e enquanto a banda tocava, 2 guris ficavam fazendo manobras de skate. Indescritível! Chorão andava também, deslizava com seu carrinho pela pista e animava a galera... E sobre esse momento não consigo escrever mais nada. Eles continuaram a fazer shows e lançar discos. A banda mudou mas seu 'bandleader' sempre esteve lá; e sempre estará.
Hoje Chorão nos deixou. Eu terei sempre aquelas imagens dele, na televisão e no show, com o skate no pé e a música no coração.
Descanse em paz, irmão e faça música onde estiver.
Obrigado por tudo.
Lugar ao sol - Charlie Brown Jr.
R.I.P. Chorão.
Que bom viver, como é bom sonhar
E o que ficou pra trás passou e eu não me importei
Foi até melhor, tive que pensar em algo novo que fizesse sentido
Ainda vejo o mundo com os olhos de criança
Que só quer brincar e não tanta "responsa"
Mas a vida cobra sério e realmente não dá pra fugir
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
Um dia eu espero te reencontrar numa bem melhor
Cada um tem seu caminho, eu sei foi até melhor
Irmãos do mesmo Cristo, eu quero e não desisto
Caro pai, como é bom ter por que se orgulhar
A vida pode passar, não estou sozinho
Eu sei se eu tiver fé eu volto até a sonhar
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus que nunca acaba
O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus... que nunca acaba
Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor
Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor
Eu vou com você pra onde você for
Eu descobri que é azul a cor da parede da casa de Deus
E não há mais ninguém como você e eu
Que bom viver, como é bom sonhar
E o que ficou pra trás passou e eu não me importei
Foi até melhor, tive que pensar em algo novo que fizesse sentido
Ainda vejo o mundo com os olhos de criança
Que só quer brincar e não tanta "responsa"
Mas a vida cobra sério e realmente não dá pra fugir
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
Um dia eu espero te reencontrar numa bem melhor
Cada um tem seu caminho, eu sei foi até melhor
Irmãos do mesmo Cristo, eu quero e não desisto
Caro pai, como é bom ter por que se orgulhar
A vida pode passar, não estou sozinho
Eu sei se eu tiver fé eu volto até a sonhar
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol
O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus que nunca acaba
O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus... que nunca acaba
Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor
Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor
Eu vou com você pra onde você for
Eu descobri que é azul a cor da parede da casa de Deus
E não há mais ninguém como você e eu
terça-feira, 5 de março de 2013
Camerlengo
Camerlengo é um título de origem medieval ainda em uso em alguns
ordenamentos políticos modernos. Deriva do latim medieval
'camarlingus', que, por sua vez, vem do frâncico 'kamerling', que veio
do latim 'camerarius', que significa "adido à câmara" (ficando
geralmente subentendido "do tesouro" e "do soberano"). O significado
do título e a função são em parte comparáveis aos do cubiculário, no
Baixo Império Romano, no Império Bizantino e no Papado. Na língua
inglesa antiga, o título tomou a forma de 'chamberlain'.
Em geral, o título designa aquele que administra o tesouro e os bens
do Estado, e o órgão por ele administrado normalmente tem o nome de
"câmara". Outra função fundamental do cargo é assumir, interinamente,
a direção de toda a Igreja Católica no momento de falecimento ou
abdicação do Papa vigente, ganhando todos os seus atributos
administrativos: devendo administrar o encerramento do papado,
organizar um novo conclave e realizar a transição para um novo Sumo
Pontífice - processo que pode levar meses.
O Camerlengo da Igreja Católica
O título camerlengo, na Igreja Católica, refere-se a um Cardeal do
Colégio dos Cardeais. O Camerlengo da Igreja Católica é o
administrador da propriedade e receita da Santa Sé; suas
responsabilidades incluem a administração fiscal do Patrimônio de São
Pedro. Seu brasão é ornamentado com duas chaves, sendo uma prateada e
a outra dourada. A dourada demonstra a parte divina da igreja, a
prateada a parte humana. As duas chaves são sobrepostas por um
ombrellino, um guarda-chuva de listras alternantes vermelhas e ouro
(amarelas), que também é o brasão da Sede Vacante (tempo entre a morte
ou renúncia de um papa e a eleição de outro).
Até o século XI, o Arquidiácono da Igreja Católica Apostólica Romana
era responsável pela administração da propriedade da Igreja Católica,
mas seus inúmeros antigos privilégios e direitos o tornavam um
obstáculo para a ação independente do Papa; como resultado, quando o
último Arquidiácono, Cardeal Hildebrando, foi eleito para o
Pontificado em 1073, ele suprimiu o título de arquidiácono, e o
cardeal responsável pelos bens da Santa Sé ficou conhecido como
Camerarius, ou Camerlengo.
A maior responsabilidade do Cardeal Camerlengo é a determinação
formal da morte do Papa; o procedimento tradicional, já em desuso,
para essa situação se dava batendo gentilmente um martelo de prata na
cabeça do Papa e chamando o seu nome. Hoje o processo do martelo não é
mais usado, e após o Papa ser declarado morto, o Camerlengo remove o
Anel do Pescador do seu dedo e o corta com uma grande tesoura na
presença dos demais Cardeais, e também destrói a face do selo do Papa
com o Martelo de Prata. Esse ato simboliza o fim da autoridade do
último Papa. O Camerlengo notifica então os oficias apropriados da
Cúria Romana e o Decano do Colégio dos Cardeais. Depois, ele começa os
preparativos para o conclave e o funeral do Papa.
Até que o sucessor do Papa seja escolhido, o Cardeal Camerlengo serve
como o Chefe de Estado atuante do Vaticano. Ele não é, entretanto,
responsável pelo governo da Igreja Católica durante a sede vacante,
sendo portanto impossibilitado de tomar ações próprias do Sucessor de
Pedro, como por exemplo, escrever encíclicas, criar ou unir dioceses,
nomear bispos, etc. A Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis
colocou a tarefa de governar a Igreja, durante a Tempe sede vacante,
na mão do Colégio dos Cardeais - apesar desse poder governamental ser
extremamente restrito, possibilitando apenas que a Igreja continue
operando e realizando funções básicas, sem poder tomar decisões ou
compromissos que são normalmente delegados apenas ao Papa, como já
citados acima. O Camerlengo, ainda assim, mantém seu escritório
durante a sede vacante, ao contrário do resto da Cúria Romana.
O Camerlengo actual é o Secretário de Estado de Sua Santidade Sua
Eminência Reverendíssima Dom Cardeal Tarcisio Bertone, Cardeal-bispo
de Frascati.
Lista dos Camerlengos da Igreja Católica
Ludovico Mezzarota Scarampi (1440-1465)
Latino Orsini (1471-1477)
Guillaume d'Estouteville (1477-1483)
Raffaele Sansoni Galeotti Riario Della Rovere (1483-1521) O.F.M.
Innocenzo Cibo (1521)
Francesco Armellini Pantalassi de' Medici (1521-1528)
Agostino Spinola (1528-1537)
Guido Ascanio Sforza (22 de Outubro de 1537 - 6 de Outubro de 1564)
Vitellozzo Vitelli (17 de Novembro de 1564 - 19 de Novembro de 1568)
Michele Bonelli (3 de Dezembro de 1568 - 10 de Maio de 1570) O.P.
Luigi Cornaro (10 de Maio de 1570 - 10 de Maio de 1584)
Filippo Vastavillani (1584-1587)
Enrico Caetani (1587-1599)
Pietro Aldobrandini (1599-1621)
Ludovico Ludovisi (19 de Abril de 1621 - 7 de Junho de 1623)
Ippolito Aldobrandini (7 de Junho de 1623 - 19 de Julho de 1638)
Antonio Barberini (28 de Julho de 1638 - 4 de Agosto de 1671) O.F.M. Cap.
Paluzzo Paluzzi Altieri degli Albertoni (4 de Agosto de 1671 - 29 de
Junho de 1698)
Giovanni Battista Spinola (24 de Novembro de 1698 - 19 de Março de 1719)
Annibale Albani (1719-1747)
Silvio Gonzaga Valenti (1747-1756)
Girolamo Colonna di Sciarra (1756-1763)
Carlo Rezzonico (1763-1799)
Romoaldo Braschi-Onesti (1800-1801)
Giuseppe Maria Doria Pamphili, pro-camerlengo (1801-1814)
Bartolomeo Pacca (1814-1824)
Pietro Francesco Galeffi (1824-1837)
Giacomo Giustiniani (1837-1843)
Tommaso Riario Sforza (1843-1857)
Lodovico Altieri (1857-1867)
Filippo De Angelis (1867-1877)
Gioacchino Vincenzo Raffaele Luigi Pecci (1877-1878), eleito Papa Leão XIII
Camillo di Pietro (1878-1884)
Domenico Consolini (1884)
Luigi Oreglia di Santo Stefano (1885-1913)
Francesco Salesio della Volpe (1914-1916)
Pietro Gasparri (1916-1934)
Eugenio Pacelli (1935-1939) eleito Papa Pio XII
Lorenzo Lauri (1939-1941)
Benedetto Aloisi Masella (1958-1970)
Jean-Marie Villot (1970-1979)
Paolo Bertoli (1979-1985)
Sebastiano Baggio (1985-1993)
Eduardo Martínez Somalo (5 de Abril de 1993 - 31 de Março de 2007)
Tarcisio Bertone (4 de Abril de 2007 - ) S.D.B.
--
1berto
ordenamentos políticos modernos. Deriva do latim medieval
'camarlingus', que, por sua vez, vem do frâncico 'kamerling', que veio
do latim 'camerarius', que significa "adido à câmara" (ficando
geralmente subentendido "do tesouro" e "do soberano"). O significado
do título e a função são em parte comparáveis aos do cubiculário, no
Baixo Império Romano, no Império Bizantino e no Papado. Na língua
inglesa antiga, o título tomou a forma de 'chamberlain'.
Em geral, o título designa aquele que administra o tesouro e os bens
do Estado, e o órgão por ele administrado normalmente tem o nome de
"câmara". Outra função fundamental do cargo é assumir, interinamente,
a direção de toda a Igreja Católica no momento de falecimento ou
abdicação do Papa vigente, ganhando todos os seus atributos
administrativos: devendo administrar o encerramento do papado,
organizar um novo conclave e realizar a transição para um novo Sumo
Pontífice - processo que pode levar meses.
O Camerlengo da Igreja Católica
O título camerlengo, na Igreja Católica, refere-se a um Cardeal do
Colégio dos Cardeais. O Camerlengo da Igreja Católica é o
administrador da propriedade e receita da Santa Sé; suas
responsabilidades incluem a administração fiscal do Patrimônio de São
Pedro. Seu brasão é ornamentado com duas chaves, sendo uma prateada e
a outra dourada. A dourada demonstra a parte divina da igreja, a
prateada a parte humana. As duas chaves são sobrepostas por um
ombrellino, um guarda-chuva de listras alternantes vermelhas e ouro
(amarelas), que também é o brasão da Sede Vacante (tempo entre a morte
ou renúncia de um papa e a eleição de outro).
Até o século XI, o Arquidiácono da Igreja Católica Apostólica Romana
era responsável pela administração da propriedade da Igreja Católica,
mas seus inúmeros antigos privilégios e direitos o tornavam um
obstáculo para a ação independente do Papa; como resultado, quando o
último Arquidiácono, Cardeal Hildebrando, foi eleito para o
Pontificado em 1073, ele suprimiu o título de arquidiácono, e o
cardeal responsável pelos bens da Santa Sé ficou conhecido como
Camerarius, ou Camerlengo.
A maior responsabilidade do Cardeal Camerlengo é a determinação
formal da morte do Papa; o procedimento tradicional, já em desuso,
para essa situação se dava batendo gentilmente um martelo de prata na
cabeça do Papa e chamando o seu nome. Hoje o processo do martelo não é
mais usado, e após o Papa ser declarado morto, o Camerlengo remove o
Anel do Pescador do seu dedo e o corta com uma grande tesoura na
presença dos demais Cardeais, e também destrói a face do selo do Papa
com o Martelo de Prata. Esse ato simboliza o fim da autoridade do
último Papa. O Camerlengo notifica então os oficias apropriados da
Cúria Romana e o Decano do Colégio dos Cardeais. Depois, ele começa os
preparativos para o conclave e o funeral do Papa.
Até que o sucessor do Papa seja escolhido, o Cardeal Camerlengo serve
como o Chefe de Estado atuante do Vaticano. Ele não é, entretanto,
responsável pelo governo da Igreja Católica durante a sede vacante,
sendo portanto impossibilitado de tomar ações próprias do Sucessor de
Pedro, como por exemplo, escrever encíclicas, criar ou unir dioceses,
nomear bispos, etc. A Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis
colocou a tarefa de governar a Igreja, durante a Tempe sede vacante,
na mão do Colégio dos Cardeais - apesar desse poder governamental ser
extremamente restrito, possibilitando apenas que a Igreja continue
operando e realizando funções básicas, sem poder tomar decisões ou
compromissos que são normalmente delegados apenas ao Papa, como já
citados acima. O Camerlengo, ainda assim, mantém seu escritório
durante a sede vacante, ao contrário do resto da Cúria Romana.
O Camerlengo actual é o Secretário de Estado de Sua Santidade Sua
Eminência Reverendíssima Dom Cardeal Tarcisio Bertone, Cardeal-bispo
de Frascati.
Lista dos Camerlengos da Igreja Católica
Ludovico Mezzarota Scarampi (1440-1465)
Latino Orsini (1471-1477)
Guillaume d'Estouteville (1477-1483)
Raffaele Sansoni Galeotti Riario Della Rovere (1483-1521) O.F.M.
Innocenzo Cibo (1521)
Francesco Armellini Pantalassi de' Medici (1521-1528)
Agostino Spinola (1528-1537)
Guido Ascanio Sforza (22 de Outubro de 1537 - 6 de Outubro de 1564)
Vitellozzo Vitelli (17 de Novembro de 1564 - 19 de Novembro de 1568)
Michele Bonelli (3 de Dezembro de 1568 - 10 de Maio de 1570) O.P.
Luigi Cornaro (10 de Maio de 1570 - 10 de Maio de 1584)
Filippo Vastavillani (1584-1587)
Enrico Caetani (1587-1599)
Pietro Aldobrandini (1599-1621)
Ludovico Ludovisi (19 de Abril de 1621 - 7 de Junho de 1623)
Ippolito Aldobrandini (7 de Junho de 1623 - 19 de Julho de 1638)
Antonio Barberini (28 de Julho de 1638 - 4 de Agosto de 1671) O.F.M. Cap.
Paluzzo Paluzzi Altieri degli Albertoni (4 de Agosto de 1671 - 29 de
Junho de 1698)
Giovanni Battista Spinola (24 de Novembro de 1698 - 19 de Março de 1719)
Annibale Albani (1719-1747)
Silvio Gonzaga Valenti (1747-1756)
Girolamo Colonna di Sciarra (1756-1763)
Carlo Rezzonico (1763-1799)
Romoaldo Braschi-Onesti (1800-1801)
Giuseppe Maria Doria Pamphili, pro-camerlengo (1801-1814)
Bartolomeo Pacca (1814-1824)
Pietro Francesco Galeffi (1824-1837)
Giacomo Giustiniani (1837-1843)
Tommaso Riario Sforza (1843-1857)
Lodovico Altieri (1857-1867)
Filippo De Angelis (1867-1877)
Gioacchino Vincenzo Raffaele Luigi Pecci (1877-1878), eleito Papa Leão XIII
Camillo di Pietro (1878-1884)
Domenico Consolini (1884)
Luigi Oreglia di Santo Stefano (1885-1913)
Francesco Salesio della Volpe (1914-1916)
Pietro Gasparri (1916-1934)
Eugenio Pacelli (1935-1939) eleito Papa Pio XII
Lorenzo Lauri (1939-1941)
Benedetto Aloisi Masella (1958-1970)
Jean-Marie Villot (1970-1979)
Paolo Bertoli (1979-1985)
Sebastiano Baggio (1985-1993)
Eduardo Martínez Somalo (5 de Abril de 1993 - 31 de Março de 2007)
Tarcisio Bertone (4 de Abril de 2007 - ) S.D.B.
--
1berto
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
K. AAA
Esta manhã acordei meio sobressaltado. Como costumeiramente acontece, frases brotaram na minha cabeça acerca de sonhos, pensamentos e acontecimentos de minha vida. Então comecei a formular algumas frases, que juntas dariam início a mais alguma postagem aqui no blog.
Nunca sei, logo de saída, o que ele se tornará; pode ser um poema, um diálogo, uma cena, uma imagem, um texto. Dessas frases soltas, procuro algumas emendas (que recorrentemente saem melhores que as originais) e então vou dando forma ao que eu gostaria de expressar. O que aconteceu nesta manhã foi que houveram algumas frases, soltei-as no papel e tentei dar forma. Teve um princípio de soneto, entretanto não tenho técnica para escrever um. Logo tornou-se um poema. Lutei com os versos, com as frases, procurei rimas, sonoridades, palavras; o que saiu fui um nada dizendo coisa nenhuma. O que eu queria dizer estava ali, no entanto faltou 'algo mais'. Já havia percebido isso, faltava-me uma segunda opinião.
Então eis que surge K, recém nomeada AAA (Assessora para Assuntos Aleatórios). Digo RECÉM NOMEADA, mas o cargo há tempos havia sendo ocupado por ela. Dela sempre surgem palavras que me ajudam a perceber o que está faltando ou sobrando quando escrevo (é,,, às vezes me apresso e K só vê quando já é tarde demais). O que mais gosto é sua opinião e o debate que temos quando das minhas publicações.
Foi isso que ocorreu essa manhã. Enviei o poema para ela aguardando os comentários. Foi a própria que me falou sobre o 'algo mais' que faltava, teceu mais alguns questionamentos e ajudou-me decidir a deixar aquela postagem de lado por enquanto, até que amadureça a ideia, me acostume melhor com o tema e, futuramente, se conseguir driblar os excessos, publicar da melhor forma possível.
Sou muito grato a toda ajuda que ela me proporciona.
Aproveito, também, para desculpar-me pelas coisas horríveis que ela tem que ler para me ajudar a escrever aqui.
Thank you, K.
p.s.: esta postagem saiu sem a prévia aprovação da AAA.
* Seu nome está sendo preservado em função de garantir a segurança da colaboradora.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Quem sabe - Florbela Espanca
Eu sigo-te e tu foges. É este o meu destino:
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça!
Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?!
Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais.
Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
............................................
Por me fugires, sim, talvez me queiras mais!
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça!
Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?!
Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais.
Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
............................................
Por me fugires, sim, talvez me queiras mais!
Trecho: A Guerra dos Tronos - George R. R. Martin - As crônicas de gelo e fogo
" - Por que lê tanto?
Tyrion ergueu os olhos ao ouvir aquela voz. Jon Snow estava a alguns pés de distância, olhando-o com curiosidade. Fechou o livro sobre um dedo e disse:
- Olhe-me e diga o que vê.
O rapaz olhou-o com suspeita.
- Isto é algum truque? Vejo você. Tyrion Lannister.
Tyrion suspirou.
- Você é notavelmente gentil para um bastardo, Snow. O que você vê é um anão. Você tem o quê? Doze anos?
- Catorze - disse o rapaz.
- Catorze, e é mais alto do que alguma vez serei. Minhas pernas são muito curtas e tortas, e caminho com dificuldade. Necessito de uma sela especial para não cair do cavalo. Uma sela de minha própria concepção, talvez te interesse saber. Era isso ou montar um pônei. Meus braços são suficientemente fortes mas, uma vez mais, demasiado curtos. Nunca serei um espadachim. Se tivesse nascido camponês, provavelmente teriam me expulsado para que morresse, ou vendido para a coleção de aberrações de algum negociante de escravos. Mas, ai de mim! Nasci um Lannister de Rochedo Casterly, e as coleções de aberrações são das mais pobres. Esperam-se coisas de mim. Meu pai foi Mão do Rei durante vinte anos. Aconteceu que mais tarde meu irmão matou esse mesmo rei, mas minha vida está cheia dessas pequenas ironias. Minha irmã casou-se com o novo Rei e o meu repugnante sobrinho será rei depois dele. Devo cumprir minha parte pela honra de minha Casa, não concorda? Mas como? Bem, poderei ter as pernas pequenas demais para o corpo, mas minha cabeça é grande demais, embora eu prefira pensar que tem o tamanho certo para minha mente. Possuo um entendimento realista das minhas forças e fraquezas. A mente é a minha arma. Meu irmão tem sua espada, o Rei Robert, o seu martelo de guerra, e eu tenho a mente... e uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada. - Tyrion deu uma palmada na capa de couro do livro - É por isso que leio tanto, Jon Snow."
Tyrion ergueu os olhos ao ouvir aquela voz. Jon Snow estava a alguns pés de distância, olhando-o com curiosidade. Fechou o livro sobre um dedo e disse:
- Olhe-me e diga o que vê.
O rapaz olhou-o com suspeita.
- Isto é algum truque? Vejo você. Tyrion Lannister.
Tyrion suspirou.
- Você é notavelmente gentil para um bastardo, Snow. O que você vê é um anão. Você tem o quê? Doze anos?
- Catorze - disse o rapaz.
- Catorze, e é mais alto do que alguma vez serei. Minhas pernas são muito curtas e tortas, e caminho com dificuldade. Necessito de uma sela especial para não cair do cavalo. Uma sela de minha própria concepção, talvez te interesse saber. Era isso ou montar um pônei. Meus braços são suficientemente fortes mas, uma vez mais, demasiado curtos. Nunca serei um espadachim. Se tivesse nascido camponês, provavelmente teriam me expulsado para que morresse, ou vendido para a coleção de aberrações de algum negociante de escravos. Mas, ai de mim! Nasci um Lannister de Rochedo Casterly, e as coleções de aberrações são das mais pobres. Esperam-se coisas de mim. Meu pai foi Mão do Rei durante vinte anos. Aconteceu que mais tarde meu irmão matou esse mesmo rei, mas minha vida está cheia dessas pequenas ironias. Minha irmã casou-se com o novo Rei e o meu repugnante sobrinho será rei depois dele. Devo cumprir minha parte pela honra de minha Casa, não concorda? Mas como? Bem, poderei ter as pernas pequenas demais para o corpo, mas minha cabeça é grande demais, embora eu prefira pensar que tem o tamanho certo para minha mente. Possuo um entendimento realista das minhas forças e fraquezas. A mente é a minha arma. Meu irmão tem sua espada, o Rei Robert, o seu martelo de guerra, e eu tenho a mente... e uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada. - Tyrion deu uma palmada na capa de couro do livro - É por isso que leio tanto, Jon Snow."
domingo, 24 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Cenas
CENA I
(à porta da casa dela)
- Vim aqui apenas para te ver.
- (...)
- E dizer que amo-te.
- (...)
- Queria ao menos mirar mais uma vez teus olhos, do jeito que os meus
ainda estão.
- E como eles estão?
- Brilhando, a cada vez que te veem.
- Por que 'ainda'?
- Porque sei que assim que não puder mais te ver, tudo mudará. Você
mudará e eu também.
- Capaz. Ficaremos do mesmo jeito.
- Tu até pode ficar, entretanto eu... Não gostaria mais de estar aqui.
- Queria estar onde?
- Aqui (leva seu dedo até a têmpora dela), mas principalmente aqui
(baixa o dedo à altura do coração).
* * *
CENA II
(encontram-se na fila do cinema)
- Que bom te ver!
- Pois é, quanto tempo.
- Muito.
- Filme? (pergunta idiota!)
- Sim.
- (...)
- (...)
- (...)
- Vou indo, minha sessão vai começar.
- Ok. A gente se fala.
- Beijo.
Quando ele consegue mover seus pés não há mais ninguém ali. E ela não
vira uma vez para trás. Olha o bilhete e decide trocar por um do Woody
Allen.
* * *
CENA III
(ele sentado à beira do lago, ela chega)
- É tarde.
- (...)
- Perdi uma vida procurando o que sempre esteve do meu lado.
- Eu tentei a busca, mesmo sabendo onde estaria.
- Há tempo para nós?
- Meu olhar anuviou-se. Já não tem o mesmo brilho.
- Não conseguirei fazer-te feliz?
- Conseguirá. Eu que serei metade do que fui. E isso não basta.
- Para mim basta.
- Não há mais tempo.
- (...)
- Lembra quando eu disse:'Amo-te'? Naquele tempo se dissestes uma
palavra eu esperaria. Hoje digo-te apenas: 'A morte, eu espero'.
--
1berto
(à porta da casa dela)
- Vim aqui apenas para te ver.
- (...)
- E dizer que amo-te.
- (...)
- Queria ao menos mirar mais uma vez teus olhos, do jeito que os meus
ainda estão.
- E como eles estão?
- Brilhando, a cada vez que te veem.
- Por que 'ainda'?
- Porque sei que assim que não puder mais te ver, tudo mudará. Você
mudará e eu também.
- Capaz. Ficaremos do mesmo jeito.
- Tu até pode ficar, entretanto eu... Não gostaria mais de estar aqui.
- Queria estar onde?
- Aqui (leva seu dedo até a têmpora dela), mas principalmente aqui
(baixa o dedo à altura do coração).
* * *
CENA II
(encontram-se na fila do cinema)
- Que bom te ver!
- Pois é, quanto tempo.
- Muito.
- Filme? (pergunta idiota!)
- Sim.
- (...)
- (...)
- (...)
- Vou indo, minha sessão vai começar.
- Ok. A gente se fala.
- Beijo.
Quando ele consegue mover seus pés não há mais ninguém ali. E ela não
vira uma vez para trás. Olha o bilhete e decide trocar por um do Woody
Allen.
* * *
CENA III
(ele sentado à beira do lago, ela chega)
- É tarde.
- (...)
- Perdi uma vida procurando o que sempre esteve do meu lado.
- Eu tentei a busca, mesmo sabendo onde estaria.
- Há tempo para nós?
- Meu olhar anuviou-se. Já não tem o mesmo brilho.
- Não conseguirei fazer-te feliz?
- Conseguirá. Eu que serei metade do que fui. E isso não basta.
- Para mim basta.
- Não há mais tempo.
- (...)
- Lembra quando eu disse:'Amo-te'? Naquele tempo se dissestes uma
palavra eu esperaria. Hoje digo-te apenas: 'A morte, eu espero'.
--
1berto
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Não é fácil - Marisa Monte
Não é fácil
Não pensar em você
Não é fácil
É estranho
Não te contar meus planos
Não te encontrar
Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado
Na verdade eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil
Onde você anda
Onde está você
Toda vez que saio
Me preparo pra talvez te ver
Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil
Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado
O que eu faço
O que posso fazer?
Não é fácil
Não é fácil
Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal
Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Retrato
Eu costumava fotografá-la.
Uma maneira de gravar sua imagem longe da memória.
Naquele tempo tinha medo de esquecê-la, que um dia chegaria e não
pudesse recordar seu rosto e que não lembrasse de mim.
Hoje vi uma foto sua.
O porta retrato empoeirado, com o vidro quebrado e as lembranças, todas, também.
Uma maneira de gravar sua imagem longe da memória.
Naquele tempo tinha medo de esquecê-la, que um dia chegaria e não
pudesse recordar seu rosto e que não lembrasse de mim.
Hoje vi uma foto sua.
O porta retrato empoeirado, com o vidro quebrado e as lembranças, todas, também.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Meio beijo
Um meio beijo pode ser melhor que um beijo inteiro.
Um beijo roubado, talvez proibido, quase escondido.
Um olho no olho, um braço encaixado,
Um passo de dança.
Uma nova esperança.
Um beijo roubado, talvez proibido, quase escondido.
Um olho no olho, um braço encaixado,
Um passo de dança.
Uma nova esperança.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Visão
Vejo você chegando, parece flutuar na calçada.
Seus cabelos balançando ao vento,
acompanhado do doce cheiro de seu perfume.
Ah! Que linda maravilha de se ver.
Perco-me todo, fico errado, quase calado.
Não sei o que dizer nem como agir.
Tremem-me as mãos, falham-me as pernas.
Em pensamento, gritam-me poemas, frases e declarações;
Flui, apenas, um breve 'olá'.
Falaste-me muito, quem sabe pouco;
perdi-me em reflexões.
Quando foste, fiquei.
Embasbacado, parecendo um idiota,
comendo bolacha e tomando Coca-Cola.
1berto
Seus cabelos balançando ao vento,
acompanhado do doce cheiro de seu perfume.
Ah! Que linda maravilha de se ver.
Perco-me todo, fico errado, quase calado.
Não sei o que dizer nem como agir.
Tremem-me as mãos, falham-me as pernas.
Em pensamento, gritam-me poemas, frases e declarações;
Flui, apenas, um breve 'olá'.
Falaste-me muito, quem sabe pouco;
perdi-me em reflexões.
Quando foste, fiquei.
Embasbacado, parecendo um idiota,
comendo bolacha e tomando Coca-Cola.
1berto
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Legião Urbana - Giz
E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero
Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz...
Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo...
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei.
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero
Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz...
Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo...
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Zé Ramalho - Beira Mar
Zé Ramalho, sua poesia e sua musicalidade.
Beira Mar
Eu entendo a noite como um oceano
Que banha de sombras o mundo de sol
Aurora que luta por um arrebol
Em cores vibrantes e ar soberano
Um olho que mira nunca o engano
Durante o instante que vou contemplar
Além, muito além onde quero chegar
Caindo a noite me lançou no mundo
Além do limite do vale profundo
Que sempre começa na beira do mar
É na beira do mar
Olhe, por dentro das águas há quadros e sonhos
E coisas que sonham o mundo dos vivos
Há peixes milagrosos, insetos nocivos
Paisagens abertas, desertos medonhos
Léguas cansativas, caminhos tristonhos
Que fazem o homem se desenganar
Há peixes que lutam para se salvar
Daqueles que caçam em mar nebuloso
E outros que devoram com gênio assombroso
As vidas que caem na beira do mar
É na beira do mar
E até que a morte eu sinta chegando
Prossigo cantando, beijando o espaço
Além do cabelo que desembaraço
Invoco as águas a vir inundando
Pessoas e coisas que vão se arrastando
Do meu pensamento já podem lavar
Ah! no peixe de asas eu quero voar
Sair do oceano de tez poluída
Cantar um galope fechando a ferida
Que só cicatriza na beira do mar
É na beira do mar
Beira Mar
Eu entendo a noite como um oceano
Que banha de sombras o mundo de sol
Aurora que luta por um arrebol
Em cores vibrantes e ar soberano
Um olho que mira nunca o engano
Durante o instante que vou contemplar
Além, muito além onde quero chegar
Caindo a noite me lançou no mundo
Além do limite do vale profundo
Que sempre começa na beira do mar
É na beira do mar
Olhe, por dentro das águas há quadros e sonhos
E coisas que sonham o mundo dos vivos
Há peixes milagrosos, insetos nocivos
Paisagens abertas, desertos medonhos
Léguas cansativas, caminhos tristonhos
Que fazem o homem se desenganar
Há peixes que lutam para se salvar
Daqueles que caçam em mar nebuloso
E outros que devoram com gênio assombroso
As vidas que caem na beira do mar
É na beira do mar
E até que a morte eu sinta chegando
Prossigo cantando, beijando o espaço
Além do cabelo que desembaraço
Invoco as águas a vir inundando
Pessoas e coisas que vão se arrastando
Do meu pensamento já podem lavar
Ah! no peixe de asas eu quero voar
Sair do oceano de tez poluída
Cantar um galope fechando a ferida
Que só cicatriza na beira do mar
É na beira do mar
sábado, 2 de fevereiro de 2013
A uma rapariga! - Florbela Espanca
Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.
Nessa estrada da vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!
Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!
Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste duma flor!...
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