quinta-feira, 15 de setembro de 2016
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Rua vazia
Na lanchonete que nos encontramos não havia mais ninguém. Apenas um senhor por detrás do balcão lavava alguns copos como, eu imagino, o fazia dia após dia. Sentados numa mesa ao canto apenas nos olhávamos e desviávamos o olhar. Você sorria. Eu mirava seu rosto. Ruborizava. Sem beijo na despedida, foi no abraço que senti teus braços me apertando forte - nem tão forte como eu gostaria, bem mais forte que eu poderia imaginar. Ainda na calçada, um para cada lado, nos olhamos. Da janela da casa em frente vinha uma música; soubemos na hora que não poderíamos nos separar. De encontro nossos corpos se tocaram e bailaram. A rua vazia encheu-se de nós dois.
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Histórias
Vivo de amores impossíveis. Amores platônicos. E não me queixo disso. Acho uma forma válida de sentir algo. Por anos idealizei uma relação a dois; construí encontros ,imaginei beijos, sonhei com idas e vindas. Tempo depois, passou. Tive mais dois desses durante a faculdade. Ah, era lindo viajar com ela, ter seu sorriso só pra mim, seus lábios sempre aguardando os lábios meus, a voz dela quando chegava aos meus ouvidos era a melodia mais linda que já havia escutado. Como outros vieram e se foram, estes da mesma forma. Hoje, deixo ir mais um. Foi bem vivido por mim. As músicas - que dançamos juntos - não tocaram os ouvidos dela. As histórias sobre nós - contadas nos livros - não serão sobre ela e eu. O final daquele filme clássico - em que vivemos felizes para sempre - não eternizará nossa história. Não muda nada. Só sei eu o que vivi, sonhei, imaginei. Isso ninguém pode me tirar. Virão, tal como esses, outros tantos assim: criados pela minha cabeça, sentidos pelo meu coração. Romantizarei como outros já fizeram antes de mim. Reescreverei poemas outrora produzidos pelos grandes. Não deixa de ser uma forma de se viver. E se entregar. Talvez não viva na história dos outros. Mas crio as minhas próprias. E feliz eu sou.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Sombra na janela
Mesmo em sonho eu reconheceria aquele sorriso; mesmo sem distinguir sua face, seu rosto nunca me seria estranho.
Ao nos aproximarmos tudo ficou mais nítido: boca, olhos, cabelos. Era ela que chegava muito mais perto; apenas nos tocamos as mãos e eu senti todo seu calor emanar pro meu corpo. No carro, sem destino, ríamos alto; algumas vezes trocávamos olhares, outras tantas desviávamos o olhar, tamanha era nossa falta de jeito um com o outro.
Um gramado isolado foi nosso fim: toalha no chão, nos acomodamos. De repente uma multidão de conhecidos chegou até nós. Conversando, falando alto, nos chamando pelo nome. Em poucos segundos nos vimos afastados um do outro. No meio de tantos olhos apenas o seu brilhava e procurava os olhos meus.
Mais uma vez nossos caminhos se distanciaram.
Me vi sentado, novamente, na solidão do meu quarto. O quê fazer então? A noite já ia alta, a rua estava vazia, a cidade silenciosa. Na casa dela a meia-luz de um dos vidros indicava que, tal como eu, ela não dormia. Nem precisei fazer sinal algum: a sombra que se fez por detrás da persiana indicou-me que a janela logo se abriria.
A imagem que vi no momento, até agora queima-me a pele, o coração, o espírito. Em sua mais simples e linda roupa de dormir eu pude vê-la em sua essência. Sua beleza natural, o brilho do seu sorriso, a cor dos seus olhos, o doce som da sua voz. Deslizando ao meu encontro ela veio e, num sensual salto, suas pernas encaixaram-se em meus quadris; seus braços em volta do meu pescoço fizeram-me sentir amado e seguro.
Rodamos e giramos e rimos e sentimos.
O beijo que aconteceu nem foi o ponto alto dessa nossa junção: o que coroou meu sonho foi sentir, ao final de tudo, seu rosto descansando no ombro meu.
Ao nos aproximarmos tudo ficou mais nítido: boca, olhos, cabelos. Era ela que chegava muito mais perto; apenas nos tocamos as mãos e eu senti todo seu calor emanar pro meu corpo. No carro, sem destino, ríamos alto; algumas vezes trocávamos olhares, outras tantas desviávamos o olhar, tamanha era nossa falta de jeito um com o outro.
Um gramado isolado foi nosso fim: toalha no chão, nos acomodamos. De repente uma multidão de conhecidos chegou até nós. Conversando, falando alto, nos chamando pelo nome. Em poucos segundos nos vimos afastados um do outro. No meio de tantos olhos apenas o seu brilhava e procurava os olhos meus.
Mais uma vez nossos caminhos se distanciaram.
Me vi sentado, novamente, na solidão do meu quarto. O quê fazer então? A noite já ia alta, a rua estava vazia, a cidade silenciosa. Na casa dela a meia-luz de um dos vidros indicava que, tal como eu, ela não dormia. Nem precisei fazer sinal algum: a sombra que se fez por detrás da persiana indicou-me que a janela logo se abriria.
A imagem que vi no momento, até agora queima-me a pele, o coração, o espírito. Em sua mais simples e linda roupa de dormir eu pude vê-la em sua essência. Sua beleza natural, o brilho do seu sorriso, a cor dos seus olhos, o doce som da sua voz. Deslizando ao meu encontro ela veio e, num sensual salto, suas pernas encaixaram-se em meus quadris; seus braços em volta do meu pescoço fizeram-me sentir amado e seguro.
Rodamos e giramos e rimos e sentimos.
O beijo que aconteceu nem foi o ponto alto dessa nossa junção: o que coroou meu sonho foi sentir, ao final de tudo, seu rosto descansando no ombro meu.
quarta-feira, 29 de junho de 2016
Retrospectiva 2015 - Parte dois - David Gilmour - Lado A
Durante muito tempo venho tentando escrever sobre a segunda parte da retrospectiva de 2015. (A primeira parte está aqui ó: Retrospectiva Foo Fighters) Todas que comecei não obtiveram sucesso, apenas algumas palavras soltas, uns lapsos sem fundamento algum... Difícil mesmo foi arrumar um ponto de partida. Algumas vezes comecei bem no início mesmo mas aí eram apenas lembranças da minha infância, uma música de fundo, eu no banco do carona no velho fusca de meu pai, um toca-fitas.. Outras iniciei nos meses que antecederam o fato principal, no entanto apenas divagava e tornava-se um texto repleto de lembranças importantes pra mim sem relevância para qualquer um dos leitores. Decidi-me então, por fim, iniciar aqui ó:
A primeira vez que pisei na Arena do Grêmio.
Mesmo sendo um fanático torcedor do Grêmio Porto-Alegrense por muitas vezes fui adiando a minha ida à nova casa tricolor. Falta de grana, de tempo, de oportunidades,, enfim, tudo que conspira pra que algo não aconteça. Entretanto as circunstâncias e o destino me provaram que algo muito maior estava por vir.
Quando soube que o incrível show do - não menos - espetacular David Gilmour, ex-Pink Floyd - a banda da minha infância, da minha adolescência, a banda da minha vida - seria na Arena do meu time de coração, não titubeei. Eu estaria lá!!! Os momentos que antecederam a minha entrada no local do show são indescritíveis até hoje. Não consigo me lembrar muito bem, tamanho nervosismo tomava conta do meu ser. Assim que entrei fui arrebatado de um sentimento tão forte que não cabia em mim. E não bastava que fosse dentro de nossa casa: eu estava pisando o gramado, com o mesmo ponto de vista dos atletas para os quais sempre torci; brotaram-me lágrimas nos olhos pela primeira vez nesse dia. Continuo, mesmo passando-se meio ano do fato, sem conseguir descrever a emoção que senti naquele momento.
Emoção essa que, na hora, achei não ser possível sentir mais nenhuma vez na vida. Enganei-me redondamente por algumas poucas horas. Assim que entramos - minha irmã, o Bona, o Cris e eu - ficamos loucos já de cara. Eu via em cada olhar dos que me acompanhavam o brilho, a alegria, a expectativa, a incredulidade do que estava por vir. Olhar esse refletido em todos os que se juntavam para curtir o mesmo espetáculo. Eram jovens, adultos, velhos, homens, mulheres, roqueiros, hippies, punks, motoqueiros, almofadinhas, todas as tribos ali estavam reunidas e eram uma só. Chegavam aos poucos mas via-se que logo éramos muitos.
Enquanto aguardávamos a noite cair e a hora se aproximar, tocava ao fundo como abertura do show principal Duca Leindecker, famoso artista gaúcho, ex-Cidadão Quem e parceiro de Humberto Gessinger no Pouca Vogal; escrevi ao fundo pois não consegui prestar atenção ao que me rodeava, tudo me interessava e tudo me desviava; só tinha foco no motivo primeiro da noite.
Mesmo sendo um fanático torcedor do Grêmio Porto-Alegrense por muitas vezes fui adiando a minha ida à nova casa tricolor. Falta de grana, de tempo, de oportunidades,, enfim, tudo que conspira pra que algo não aconteça. Entretanto as circunstâncias e o destino me provaram que algo muito maior estava por vir.
Mariana, Cris, Bona, eu na fila
Quando soube que o incrível show do - não menos - espetacular David Gilmour, ex-Pink Floyd - a banda da minha infância, da minha adolescência, a banda da minha vida - seria na Arena do meu time de coração, não titubeei. Eu estaria lá!!! Os momentos que antecederam a minha entrada no local do show são indescritíveis até hoje. Não consigo me lembrar muito bem, tamanho nervosismo tomava conta do meu ser. Assim que entrei fui arrebatado de um sentimento tão forte que não cabia em mim. E não bastava que fosse dentro de nossa casa: eu estava pisando o gramado, com o mesmo ponto de vista dos atletas para os quais sempre torci; brotaram-me lágrimas nos olhos pela primeira vez nesse dia. Continuo, mesmo passando-se meio ano do fato, sem conseguir descrever a emoção que senti naquele momento.
A entrada na Arena. Primeira vez no estádio. De gramado.
Emoção essa que, na hora, achei não ser possível sentir mais nenhuma vez na vida. Enganei-me redondamente por algumas poucas horas. Assim que entramos - minha irmã, o Bona, o Cris e eu - ficamos loucos já de cara. Eu via em cada olhar dos que me acompanhavam o brilho, a alegria, a expectativa, a incredulidade do que estava por vir. Olhar esse refletido em todos os que se juntavam para curtir o mesmo espetáculo. Eram jovens, adultos, velhos, homens, mulheres, roqueiros, hippies, punks, motoqueiros, almofadinhas, todas as tribos ali estavam reunidas e eram uma só. Chegavam aos poucos mas via-se que logo éramos muitos.
Baita foto que a Cassi fez das cadeiras
Enquanto aguardávamos a noite cair e a hora se aproximar, tocava ao fundo como abertura do show principal Duca Leindecker, famoso artista gaúcho, ex-Cidadão Quem e parceiro de Humberto Gessinger no Pouca Vogal; escrevi ao fundo pois não consegui prestar atenção ao que me rodeava, tudo me interessava e tudo me desviava; só tinha foco no motivo primeiro da noite.
Pisando o tapete da Arena
E ele chegou.
Copo do show e, ao fundo, Mr. Screen - o telão circular típico do Pink Floyd
Retrospectiva 2015 - Parte dois - David Gilmour - Lado B
A galera se reunindo momentos antes do feito histórico
As luzes apagadas, lentamente se acendendo, o volume progressivamente aumentando, cinco minutos para as 21:00 do dia 16 de dezembro de 2015 e o deus do rock David Gilmour fez-se presente em carne, osso, voz, guitarra e alma.
Em uníssono gritamos, choramos, rimos, ovacionamos. Milagres existem. Os deuses são feitos da mesma matéria que nós, respiram nosso mesmo ar, suam e, alguns, cantam como ninguém. Iniciou-se então a noite mágica e ímpar com 3 músicas do último álbum solo de David, Rattle that Lock - 5 a.m.; Rattle that Lock; Faces of stone - que, apesar de não muito conhecidas deram o tom do restante que estava por vir. Emendando nessas veio aquele momento do mantra, da hipnose, do solo tocado junto, do coro geral, de uma das mais esperadas: Wish you were here! Cara!! era uma só voz ao redor, quando cantávamos nos ouvíamos e sentíamos a presença de Gilmour junto de nós. Todos os anos, todas as vezes que ouvi, todas as lembranças que a música trouxe estavam comigo naquele momento.
A única foto que tirei durante o show. Pô,, eu tinha mais o que fazer, não é?
Vieram mais algumas músicas de seus discos solo: Rattle.. e On a Island. Mas a empolgação retornou com os primeiros acordes de Money, seguida de Us and then, dois sons do magnífico e melhor álbum do Pink - The dark side of the moon. Sensacional!! Já estávamos todos conectados numa só vibração então veio In any tongue e após a clássica High Hopes, do álbum do Floyd, The division bell (esse já sem Roger Waters), no entanto não menos longe da história da banda. O refrão inundou completamente a Arena fazendo arrepiar todos os corpos que ali estavam presentes. Terminava assim o primeiro ato do espetáculo.
Uma pequena pausa para recuperar energias. Tá bom meu pé, mana??
No início da segunda parte o telão - carinhosamente chamado de Mr. Screen - com suas imagens em alta definição nos trouxe Astronomy Domine, do primeiro álbum da banda (sem Gilmour ainda) The Piper at the Gates of Dawn de 1967(!!). Formou-se um caleidoscópio gigante e psicodélico, trazendo a tona todo momento que envolveu a banda do final dos anos 60 e que segui-se como linha durante toda sua história. A homenagem então dos Floyd a seu primeiro 'cabeça' Syd Barrett foi aclamada com Shine on you crazy diamond; a sua progressiva levada e seu refrão inesquecível ensurdeceram o mundo em volta. Ensurdeceu assim como quase nos cegou o sol gigante projetado no circular telão trouxendo-nos Fat old sun, seguida daquela que - particularmente - eu mais esperava e não sabia se ele incluiria no setlist: Coming back to life. Som esse que assisti milhares de vezes no dvd P.U.L.S.E. de 1995 e que deu sentido a minha vida.
Ali sim, eu presenciava a história passando na frente dos meus olhos e entrando pelos meus ouvidos.
Como um momento para um pequeno relax, Gilmour nos trouxe The girl in the yellow dress, um jazz autoral e executado com extrema habilidade. Logo nos trouxe de volta ao passado com Sorrow, do Momentary lapse of reason, preparando-nos para o final da segunda parte do show, onde todas as luzes: do palco, do telão e em volta dele estavam ligadas. Isso fez com que os músicos - incluindo David - colocassem óculos escuros tamanho brilho pulsava do palco com a excepcional e pesadíssima Run like hell. Não foi apenas uma incursão visual e sonora, foi um sentimento inexplicavelmente... palpável.
A hora do fim se aproximava. E parecia que as horas tinham levado segundos para correr.
Com um simples 'obrigado', Gilmour apresentou a banda e pronunciou mais algumas frases de agradecimento. Ninguém se movia do lugar, hipnotizado pela presença de uma figura histórica falando diretamente aos nossos ouvidos. O final então veio com a ímpar Time. Música de muita história e de grande presença em qualquer álbum das melhores músicas do mundo. O trecho de Breathe emendado em Time quase nos deixou sem ar - lembrando-nos na própria letra que devíamos 'respirar, respirar o ar'-, preparando-nos para o que seria a derradeira música da noite.
Aos primeiros acordes o tempo pareceu parar. Muitos choravam. Alguns se abraçavam. Todos gritavam.
Comfortably Numb
Talvez a música mais perfeita já feita até hoje, executada pelo mestre da guitarra frente a nossos olhos. O vocal que, mesmo calejado do tempo, continua inigualável. Os dedos correndo pelas cordas continuam ágeis e sincronizados como a primeira vez que tocaram. Em uma união nunca antes experimentada por mim éramos milhões de vozes e almas completamente entorpecidas.
Demorei pra me mover de onde estava. As luzes do palco se apagaram e da Arena se acenderam. Não sabia o que estava acontecendo ao redor. Não sei até hoje e nem sei se um dia conseguirei explicar. Foi o ponto alto de uma existência. Poucas coisas na vida acho que fariam me sentir como me senti. A noite acabou, mas o arrepio continua a cada lembrança, a cada música ouvida, a cada simples menção de qualquer elemento ligado àquele dia.
Pensem em duas crianças realizadas, antes, durante e depois do espetáculo.
Bona e eu.
Hoje tenho gravado na pele aquilo que nunca quero esquecer. Aquilo que nunca vou me arrepender. Aquilo que me fez o cara mais feliz do mundo em apenas duas horas, por uma vida inteira.
A primeira tattoo não poderia ser outra: The Wall e The Dark Side of the Moon.
Pink Floyd gravado pra sempre
terça-feira, 28 de junho de 2016
terça-feira, 21 de junho de 2016
Um que nunca serão dois
Nas histórias que imaginei estávamos lado a lado; eu sempre a te acalentar com uma palavra reconfortante, sorrindo quando choravas e rindo quando tu rias; nestas, outras tantas histórias paralelas aconteciam, ao mesmo tempo, em nossa volta. Entretanto, em meus sonhos, ahh, nesses não haviam outros sonhos; não bastava que andássemos um ao lado do outro, não; estávamos juntos, unidos, corpo com corpo, beijos e abraços, pernas e braços, cabelos-pele-suores-lágrimas. Era ferocidade, selvageria, apenas instinto. Apertos, marcas, força, prazer, dor, raiva, alegria, calafrios, amor. Um dentro do outro tentando ficar e partir; até que todos nossos fluídos se misturassem pelos cômodos da casa, até que, rendidos e sem forças, nos entregávamos enfraquecidos ao colo do outro. Éramos um. Apenas um. E este um nunca mais soube ser os dois que eu criava em minhas histórias, quando acordado.
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Cicatriz
Eu tenho uma cicatriz logo acima da sobrancelha esquerda. A cada vez que me olho no espelho lembro de uma manhã, no colégio, em que corria irresponsavelmente pelos corredores úmidos e acabei por escorregar, machucando-me seriamente. Nunca mais procedi da mesma forma.
Tenho outra cicatriz que adquiri quando tinha apenas 1 ano de idade. Não lembro do que aconteceu - nem teria como - mas a marca está lá, no meio de meus ralos cabelos, não me deixando esquecer de ter muito cuidado perto de um felino qualquer.
Tenho mais uma, de - talvez - grande extensão no meu joelho direito. Essa adquirida já na adolescência, que me grita a cada passo dado de ter menos ímpeto nos jogos que disputo.
Outras tantas eu trago no corpo: nas mãos - de descuidos com facas; abaixo do olho, pequeníssima - não jogar pedras na vidraça vizinha!!; na perna - sempre olhar onde pisa; e tantas outras mais ou menos relevantes.
Falo delas, hoje, pois nunca me importei com a parte estética da coisa toda. Não diria para alguém esconder ou mostrar as suas, vai de cada um. Mas sei o que cada uma das minhas significam, cada ensinamento que elas me trouxeram. Os machucados fazem parte da nossa existência e do nosso crescimento. Aprenderemos com eles ou nos machucaremos novamente. Faz parte.
No entanto trago também, em mim, machucados não visíveis. Alguns cicatrizados, outros que insistem não curar.
Esses últimos doem, dia após dia, pois não há história para lembrar. Apenas o vazio, o sofrer, o sangrar. É apenas o hoje, lacerando a alma, o corpo, o coração. Que venha o tempo e cicatrize as feridas. Só assim para que não repita os mesmos erros que cometi.
Tenho outra cicatriz que adquiri quando tinha apenas 1 ano de idade. Não lembro do que aconteceu - nem teria como - mas a marca está lá, no meio de meus ralos cabelos, não me deixando esquecer de ter muito cuidado perto de um felino qualquer.
Tenho mais uma, de - talvez - grande extensão no meu joelho direito. Essa adquirida já na adolescência, que me grita a cada passo dado de ter menos ímpeto nos jogos que disputo.
Outras tantas eu trago no corpo: nas mãos - de descuidos com facas; abaixo do olho, pequeníssima - não jogar pedras na vidraça vizinha!!; na perna - sempre olhar onde pisa; e tantas outras mais ou menos relevantes.
Falo delas, hoje, pois nunca me importei com a parte estética da coisa toda. Não diria para alguém esconder ou mostrar as suas, vai de cada um. Mas sei o que cada uma das minhas significam, cada ensinamento que elas me trouxeram. Os machucados fazem parte da nossa existência e do nosso crescimento. Aprenderemos com eles ou nos machucaremos novamente. Faz parte.
No entanto trago também, em mim, machucados não visíveis. Alguns cicatrizados, outros que insistem não curar.
Esses últimos doem, dia após dia, pois não há história para lembrar. Apenas o vazio, o sofrer, o sangrar. É apenas o hoje, lacerando a alma, o corpo, o coração. Que venha o tempo e cicatrize as feridas. Só assim para que não repita os mesmos erros que cometi.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
inConsciente
E novamente te contaria meus sonhos dessa noite. E seriam as mesmas palavras que usaria. Repito tudo. Não sei descrever de outras formas. Talvez já tenha usado todas palavras que conheço: verbos, advérbios, adjetivos,substantivos. Não sei nada além do que uso. E, mesmo sendo o único sorriso que aparece, todas as noites são diferentes. Mesmo beijo, diferente sabor. Mesmo olhar, diferente calor. Ao te tomar em meus braços regozijo-me em total alegria. Nada mais em volta parece importar. Mas não tenho, ao acordar, essa mesma felicidade. Arrasto-me dia após dia no desejo de, mais uma vez, encontrá-la. E não dizer todas as palavras que ensaiei. Deixar que pareça um idiota, com o rosto corado e as frases incompletas. No bolso, pedaços de versos amassados, cantos de jornais rasgados, guardanapos borrados com uma caneta qualquer. Permito-me apenas em sonhos. Esses mesmos que não consigo controlar, que mostram-me a vontade, bem guardada, de tudo que queria viver.
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Áspero amor - Pablo Neruda
Áspero amor, violeta coroada de espinhos,
cipoal entre tantas paixões eriçado,
lança das dores, corola da cólera,
por que caminhos e como te dirigiste a minha alma?
Por que precipitaste teu fogo doloroso,
de repente, entre as folhas frias de meu caminho?
Quem te ensinou os passos que até mim te levaram?
Que flor, que pedra, que fumaça mostraram minha morada?
O certo é que tremeu a noite pavorosa,
a aurora encheu todas as taças com seu vinho
e o sol estabeleceu sua presença celeste,
enquanto o cruel amor sem trégua me cercava,
até que lacerando-me com espadas e espinhos
abriu no coração um caminho queimante.
cipoal entre tantas paixões eriçado,
lança das dores, corola da cólera,
por que caminhos e como te dirigiste a minha alma?
Por que precipitaste teu fogo doloroso,
de repente, entre as folhas frias de meu caminho?
Quem te ensinou os passos que até mim te levaram?
Que flor, que pedra, que fumaça mostraram minha morada?
O certo é que tremeu a noite pavorosa,
a aurora encheu todas as taças com seu vinho
e o sol estabeleceu sua presença celeste,
enquanto o cruel amor sem trégua me cercava,
até que lacerando-me com espadas e espinhos
abriu no coração um caminho queimante.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Procura ela
Hoje, meu amigo, escuta:
Não vá atrás de peitos, bundas e mais uma novinha que vai virar uma medalha envelhecendo na tua lembrança; não seja esse cara.
Hoje, meu amigo, procura ela.
Que tá com o telefone do lado; e, aposto, adoraria receber um sinal de que tu também tens uma vontade guardada aí dentro de ti.
Hoje, meu amigo, fala com ela.
Eu sei, tu carregas aquela sensação de cansaço de sempre escutar: "Tu és o cara certo, na hora errada."
Ela também está cansada de escutar: "Não quero nada sério agora."
Nessa batalha, se um vencer é jogo; mas se os dois se renderem é o início de um amor tímido e novo.
Hoje é a tua vez.
Te rende.
Vai!
Deixa tudo aflorar.
Hoje, meu amigo, faz como ela: Te entregas. Perdes a razão. E encontras teu coração.
Procura ela.
Ela.
Que tá cansada de ser enganada e iludida por algum babaca do passado. Que está farta de viver nesse mundo do avesso, cheio de mentiras e trapaças.
Vai e cura as feridas dela. Deixa que ela cure as tuas também.
Hoje, procura ela.
Que detesta conto de fadas, mas quer um cara bacana pra abraçar e fazer rir do nada. Que não tem frescura com tuas brincadeiras de humor negro. Que um dia escreveu o nome daquele idiota num caderno de pensamentos.
Hoje, meu amigo, é a tua vez de conquistar ela.
Hoje, meu amigo, é a tua vez de tentar.
Cansei de te ver fugir.
E andei notando que tu estás cansado também. Pode ser bom tu te apaixonar.
E vocês combinam tanto; impossível não notar. Aposto que dariam certo.
Não vejo porque não tentar.
Com o tempo tu verás que ela não quer um cara perfeito, ela quer, simplesmente, alguém sincero e verdadeiro.
Garanto-te que ela pensa em ti sim.
E não quero, um dia, olhar nos teus olhos e dizer:
"Puta que pariu, porque tu decidiste estacionar na vida dela quando ela já tinha desistido?"
Não vá atrás de peitos, bundas e mais uma novinha que vai virar uma medalha envelhecendo na tua lembrança; não seja esse cara.
Hoje, meu amigo, procura ela.
Que tá com o telefone do lado; e, aposto, adoraria receber um sinal de que tu também tens uma vontade guardada aí dentro de ti.
Hoje, meu amigo, fala com ela.
Eu sei, tu carregas aquela sensação de cansaço de sempre escutar: "Tu és o cara certo, na hora errada."
Ela também está cansada de escutar: "Não quero nada sério agora."
Nessa batalha, se um vencer é jogo; mas se os dois se renderem é o início de um amor tímido e novo.
Hoje é a tua vez.
Te rende.
Vai!
Deixa tudo aflorar.
Hoje, meu amigo, faz como ela: Te entregas. Perdes a razão. E encontras teu coração.
Procura ela.
Ela.
Que tá cansada de ser enganada e iludida por algum babaca do passado. Que está farta de viver nesse mundo do avesso, cheio de mentiras e trapaças.
Vai e cura as feridas dela. Deixa que ela cure as tuas também.
Hoje, procura ela.
Que detesta conto de fadas, mas quer um cara bacana pra abraçar e fazer rir do nada. Que não tem frescura com tuas brincadeiras de humor negro. Que um dia escreveu o nome daquele idiota num caderno de pensamentos.
Hoje, meu amigo, é a tua vez de conquistar ela.
Hoje, meu amigo, é a tua vez de tentar.
Cansei de te ver fugir.
E andei notando que tu estás cansado também. Pode ser bom tu te apaixonar.
E vocês combinam tanto; impossível não notar. Aposto que dariam certo.
Não vejo porque não tentar.
Com o tempo tu verás que ela não quer um cara perfeito, ela quer, simplesmente, alguém sincero e verdadeiro.
Garanto-te que ela pensa em ti sim.
E não quero, um dia, olhar nos teus olhos e dizer:
"Puta que pariu, porque tu decidiste estacionar na vida dela quando ela já tinha desistido?"
terça-feira, 10 de maio de 2016
mesmo que não queira
eu cansei de escrever.
e cansei de te descrever.
e não aguento mais as frases em mim.
e surgem todos dias novos trechos e novas resoluções, tais como essa.
e não sei como lidar.
hoje o que queria mesmo era te falar.
olhando no teu olho e vendo teu respirar.
mas, mesmo tu não querendo me ouvir, será que permitiria
que saísse tudo isso
que transborda em mim?
e cansei de te descrever.
e não aguento mais as frases em mim.
e surgem todos dias novos trechos e novas resoluções, tais como essa.
e não sei como lidar.
hoje o que queria mesmo era te falar.
olhando no teu olho e vendo teu respirar.
mas, mesmo tu não querendo me ouvir, será que permitiria
que saísse tudo isso
que transborda em mim?
sexta-feira, 6 de maio de 2016
dos sonhos que sonhei
Sonhei duas vezes essa semana.
Sim, duas vezes.
Se foram demais ou se foram de menos, não saberia dizer.
Mas eu acreditei neles, como deve ser - de a gente poder acreditar nos próprios sonhos e poder alcançá-los e realizá-los. Apesar de chás de camomila, sucos de maracujás, pílulas coloridas e comprimidos incolores, sonhei. Apenas duas noites, de sete noites que tive.
Na terceira noite sonhei com futebol; Grêmio, mais precisamente. Contra o Rosário Central, especificamente. Na quarta noite sonhei com a moça aquela de meus sonhos recorrentes. E, talvez, esteja aí minha relação entre um e outro.
Pelo primeiro imaginei o amor que tenho incondicional e imortal, de tê-lo e senti-lo apesar das circunstâncias. Sim. Nada mata em mim o sentimento. A devoção. O querer. O conseguir. O conquistar. Tremi por ele e por mim por dias; minha alimentação não foi a mesma; o coração,, ahhh esse pulsava como queria... Tive febres, calafrios, lapsos de memória e inversões de tempo e espaço. Mas falando agora do sonho, eu vi! Vi o meu time jogar futebol de gente grande; de fazer dois gols e não esperar o adversário; tomar um gol em uma adversidade qualquer; mas voltar pra casa com a sensação de dever cumprido; ter um jogador expulso e continuar lutando como se não houvesse amanhã. Eu não sei dizer, de verdade, como meu time jogou dois últimos segundos tempos. Eu abandonei. Deixei de gostar. Não tive mais tempo em mim pra tanta coisa pouca. E tudo isso dói em mim; machuca-me como adagas perfurando minha pele minuto a minuto.
Tal fato leva-me ao segundo sonho que tive.
Nesse eu a vi; como nunca a havia imaginado.
E, sem delongas, sei e ela sabe o que imaginei.
Entretanto agora eu tenho uma certeza: não acredito nos meus sonhos. Nem um nem outro se realizou. Nem a alegria de um gol marcado, nem a felicidade de um beijo ganho. Nem a esperança de seguir em frente, nem a utopia de andarmos lado a lado. Nem a rebeldia de estarmos contra o mundo, nem a simplicidade de sermos apenas dois.
Eu já deveria saber:
Sonhos são para a noite, para o travesseiro, para a alma e para o coração.
E para nada e ninguém mais.
Sim, duas vezes.
Se foram demais ou se foram de menos, não saberia dizer.
Mas eu acreditei neles, como deve ser - de a gente poder acreditar nos próprios sonhos e poder alcançá-los e realizá-los. Apesar de chás de camomila, sucos de maracujás, pílulas coloridas e comprimidos incolores, sonhei. Apenas duas noites, de sete noites que tive.
Na terceira noite sonhei com futebol; Grêmio, mais precisamente. Contra o Rosário Central, especificamente. Na quarta noite sonhei com a moça aquela de meus sonhos recorrentes. E, talvez, esteja aí minha relação entre um e outro.
Pelo primeiro imaginei o amor que tenho incondicional e imortal, de tê-lo e senti-lo apesar das circunstâncias. Sim. Nada mata em mim o sentimento. A devoção. O querer. O conseguir. O conquistar. Tremi por ele e por mim por dias; minha alimentação não foi a mesma; o coração,, ahhh esse pulsava como queria... Tive febres, calafrios, lapsos de memória e inversões de tempo e espaço. Mas falando agora do sonho, eu vi! Vi o meu time jogar futebol de gente grande; de fazer dois gols e não esperar o adversário; tomar um gol em uma adversidade qualquer; mas voltar pra casa com a sensação de dever cumprido; ter um jogador expulso e continuar lutando como se não houvesse amanhã. Eu não sei dizer, de verdade, como meu time jogou dois últimos segundos tempos. Eu abandonei. Deixei de gostar. Não tive mais tempo em mim pra tanta coisa pouca. E tudo isso dói em mim; machuca-me como adagas perfurando minha pele minuto a minuto.
Tal fato leva-me ao segundo sonho que tive.
Nesse eu a vi; como nunca a havia imaginado.
E, sem delongas, sei e ela sabe o que imaginei.
Entretanto agora eu tenho uma certeza: não acredito nos meus sonhos. Nem um nem outro se realizou. Nem a alegria de um gol marcado, nem a felicidade de um beijo ganho. Nem a esperança de seguir em frente, nem a utopia de andarmos lado a lado. Nem a rebeldia de estarmos contra o mundo, nem a simplicidade de sermos apenas dois.
Eu já deveria saber:
Sonhos são para a noite, para o travesseiro, para a alma e para o coração.
E para nada e ninguém mais.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
coleção
coleciono amores
que guardo em diversos lugares
na estante de livros
na caixa de discos
na gaveta das meias
debaixo da cama
varridos no tapete
enterrados no fundo do quintal
preservo apenas um
que levo na minha cabeça
no meu coração
comigo à noite
no travesseiro
vivendo infinitamente
nos sonhos
que ouso sonhar
que guardo em diversos lugares
na estante de livros
na caixa de discos
na gaveta das meias
debaixo da cama
varridos no tapete
enterrados no fundo do quintal
preservo apenas um
que levo na minha cabeça
no meu coração
comigo à noite
no travesseiro
vivendo infinitamente
nos sonhos
que ouso sonhar
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Poeta sou
Poeta sou que crio mundos
fantasio histórias
vivo sonhos
habito o inimaginável
Por vezes não diviso
o que é real
do que eu imagino
quando acordado
De olhos abertos: sonho
Quando os fecho: vivo
eternas ondas
indo e vindo sem fim
Poeta sou não por versos
mas por sentimentos
cenas que crio
diálogos que enceno
Os abraços que sinto
os risos que vejo
o corpo que esquento
os lábios que molho
Talvez por isso caio
infindável precipício
de gritos surdos
e frio intenso
Mas o vento deixa-me voar
e giro e rodo e subo
sorrio
sem medo do chão
Poeta sou que não me importo
de que digam o contrário
os cânticos em mim vivem
e os vivo sem querer
A saudade bate:
do que não tive
As lembranças existem:
do que não vivi
Recomeço histórias
ao final de outras
e tantas vem
quanto tantas vão
Que infinitos sejam
todos versos que habito
pois poeta eu sou
e nada, sem eles, eu seria
fantasio histórias
vivo sonhos
habito o inimaginável
Por vezes não diviso
o que é real
do que eu imagino
quando acordado
De olhos abertos: sonho
Quando os fecho: vivo
eternas ondas
indo e vindo sem fim
Poeta sou não por versos
mas por sentimentos
cenas que crio
diálogos que enceno
Os abraços que sinto
os risos que vejo
o corpo que esquento
os lábios que molho
Talvez por isso caio
infindável precipício
de gritos surdos
e frio intenso
Mas o vento deixa-me voar
e giro e rodo e subo
sorrio
sem medo do chão
Poeta sou que não me importo
de que digam o contrário
os cânticos em mim vivem
e os vivo sem querer
A saudade bate:
do que não tive
As lembranças existem:
do que não vivi
Recomeço histórias
ao final de outras
e tantas vem
quanto tantas vão
Que infinitos sejam
todos versos que habito
pois poeta eu sou
e nada, sem eles, eu seria
quarta-feira, 30 de março de 2016
Sem inspiração
Seguidamente perguntam-me se continuarei a escrever aqui, ao que - invariavelmente - respondo que sim. Entretanto há momentos de mais e de menos inspiração. Este pelo qual passo agora está bloqueando um pouco minha criatividade. A cabeça anda vazia, serena, com alguns pequenos conflitos internos tentando se resolver por si só. Talvez surjam novas histórias, novos sonhos, ou apenas os mesmos de outrora. Aguardemos então o que está por vir.
segunda-feira, 21 de março de 2016
o silêncio
me acostumei com o silêncio
em mim
na minha casa
ao meu redor
não me importo
ando com passos firmes
bato uma porta
abro uma janela
ouço um disco
leio um livro
tantas histórias conhecidas
mundos a descobrir
almas descobertas
paisagens estranhas
converso comigo
faço planos
planejo destinos
imagino encontros
rio sozinho
gargalho alto
tremo todo
basta esticar a mão
a chuva abraça
límpida
fria
um renascimento
o sol cega os olhos
mas abre o peito
e deixo-me
e permito-me
que não ouça
os ruídos da rua
algumas vozes
gritos
e fico comigo
no silêncio
em mim
na minha casa
ao meu redor
em mim
na minha casa
ao meu redor
não me importo
ando com passos firmes
bato uma porta
abro uma janela
ouço um disco
leio um livro
tantas histórias conhecidas
mundos a descobrir
almas descobertas
paisagens estranhas
converso comigo
faço planos
planejo destinos
imagino encontros
rio sozinho
gargalho alto
tremo todo
basta esticar a mão
a chuva abraça
límpida
fria
um renascimento
o sol cega os olhos
mas abre o peito
e deixo-me
e permito-me
que não ouça
os ruídos da rua
algumas vozes
gritos
e fico comigo
no silêncio
em mim
na minha casa
ao meu redor
liberdade
voar
nos permite admirar
as paisagens
o mundo
as possibilidades
tudo aquilo que é
infinito
nos permite admirar
as paisagens
o mundo
as possibilidades
tudo aquilo que é
infinito
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