quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

breve

Os cabelos negros estavam soltos.
No rosto quase nada de maquiagem,
apenas um leve batom cobria seu lábios.
Dentro de um vestido florido seu corpo dançava.
Nos pés, sandálias completavam a simplicidade.
Tal simplicidade me arrebatou.
No cruzar de nossos olhos, os meu brilharam.
Sua voz tranquila me embalou.
Da sua boca emergiu um tímido sorriso e
nos gestos vagarosos e contidos
foi que me entreguei.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

radiante

Ela estava radiante. E irradiava felicidade. Estava diferente: sua pele, seu corpo, suas cores, seu riso. Pernas que sustentavam o mundo e braços que alcançavam o céu. Sua voz mantinha a musicalidade aos meus ouvidos. Era a mesma. Tive ímpetos de aninhá-la em meus braços, de passar os dedos no seu rosto e de ouvi-la chamar meu nome. Não houve o momento. Nem num passado e nem num futuro. De qualquer forma eu sorrio. Como sol, continuará brilhante. Outros olhos há de iluminar. 

terça-feira, 8 de outubro de 2019

verdade

Eu sempre soube que não sou um bom escritor; nem tenho pretensão de sê-lo. Escrevo o que me soa como verdade. Na minha cabeça as frases se encaixam, os textos são fluídos e as imagens são coerentes. O papel não me aceita. Aliás, ele aceita tudo. Por isso as palavras são desconexas e as ideias estão dispersas. Das certezas que tenho é que quando desejos, atitudes e palavras não bastam todo o resto é insuficiente. E nada poderá ser mudado. Seguirei deixando fluir letras e sons e imagens mesmo sabendo que nada importa.

terça-feira, 9 de julho de 2019

medo

Ela tinha os medos dela. Medo do que foi, do que é, do que seria. O medo de trocar tudo aquilo que tinha por uma mera projeção de uma fantasia. Estava tudo bem com ela. Tudo normal. Mas era o normal que começava a pulsar dentro dela: o normal era pouco.

Ele tinha os medos dele. Já conhecia o passado, do presente ele não gostava, o futuro não trazia nada melhor. Dentro dele o receio de mais do mesmo, de se provar verdadeiro que a história gira num ciclo infinito. Aquele ciclo de estar, ficar e partir. Era normal. E nada mudaria isso.

Então dois mundos colidiram. Duas estradas em diferentes direções que se cruzaram. Aquele acaso do destino. Aquela coincidência impossível de acontecer.

Dentro dele aquela falta de ar. Dentro dela o pulsar do coração. Nos olhares, brilhos. Nos lábios, risos. Palavras não ditas, gestos contidos. A voz falha, as mãos tremem, aquela gota de suor constrangedora acima dos olhos. Tão improvável quanto o encontro, o desenrolar se mostrou surpreendente.

Tentaram desviar os olhares, como normalmente faziam. Mas aquele segundo demorou uma eternidade.

Ele sorriu. Ela sorriu de volta. Não fecharam os olhos. Havia tanta gente a volta e não havia ninguém. Seus dedos se tocaram. O tremor aumentou e logo se desfez. No tocar dos lábios todo o medo que havia nela e os receios que moravam nele se foram. Não sabiam o que viria. Mas estavam prontos a fazer acontecer.

terça-feira, 14 de maio de 2019

bem mais que cinco minutos guardados

Teus olhos querem me levar
Eu só quero que você me leve
Eu ouço as estrelas conspirando contra mim
Eu sei que as plantas me vigiam do jardim
 
- Coloque o cinto - tu disseste.
Eu nem ouvi direito o que falavas. Olhava teus olhos e teu riso enquanto tu miravas a estrada à frente.
Não saberia dizer para onde estávamos indo. Eu iria onde tu me levasse.

As luzes querem me ofuscar
Eu só quero que essa luz me cegue
Nem cinco minutos guardados dentro de cada cigarro
Não há para-brisa pra limpar, nem vidros no teu carro

Era a hora mais escura do dia. Aquele momento entre o fim da madrugada e o início da manhã.
Misturavam-se os faróis dos carros e a aurora no horizonte. Navegávamos em direção ao sol.
Pelos vidros abertos teus cabelos esvoaçavam-se ao vento. Seu gargalhar e sorrir eram a trilha perfeita da manhã.

O meu corpo não quer descansar
Não há guarda-chuva contra o amor
O teu perfume quer me envenenar
Minha mente gira como um ventilador

Mesmo dentro do carro nossos corpos eventualmente se tocavam: mãos, olhares, braços e abraços.
Tu nos guiava. Eu entorpecia-me. Soube que jamais me libertaria das sensações.

A chama do teu isqueiro quer incendiar a cidade
teus pés vão girando igual aos da porta estandarte 

Quanto mais tu rias mais ficavam para trás o que não iríamos lembrar.
Uma parada. Uma paisagem. O sol já acima do horizonte. Um beijo com gosto de infinito.
Nossos olhos não captavam onde céu e terra se encontrariam.
Nem eles distinguiriam onde terminava eu e começava tu. 

Eu estou no meio da rua
Você está com medo de tudo
O teu relógio quer acelerar
Quer apressar os meus passos
Não há pára-raio contra o que vem de baixo

Após o beijo uma única lembrança disforme: meus olhos abrindo, a estrada vazia, teu perfume em mim. Olhei minhas mãos e elas sentiram tua falta. Minha boca tem o teu gosto. Meus olhos manterão teus olhares e teus risos muito mais que apenas os cinco minutos que o rádio me dizia.

Música incidental: Nem cinco minutos guardados - Titãs

terça-feira, 12 de março de 2019

Voz

Eu aguardo o som da voz dela. E guardo em mim. É a única forma que a tenho. Momento em que somos apenas nós. Através do ar, de fios, aparelhos. Na mensagem trocada nada subentendido, tudo explícito. Nada íntimo, tudo corriqueiro. Dia sim, dia não, outro sem; eu aguardo. E guardo comigo. Cada palavra, cada som, cada respiro, cada suspiro. Imagino. Não estaríamos, nem deveríamos. Mas poderíamos, sim. Poderíamos! Seria lindo: teu riso no meu, teu beijo no meu, teu sonho no meu. Permaneço com o que tenho dela. O som de sua voz. Serena, suave, calma, alentadora. Mesmo passando pelos frios aparelhos que nos unem. Eu aguardo ela me ligar. E a guardo dentro de mim.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Uma noite

Era apenas mais uma noite passada naquele quarto de hotel. O corpo meio enrolado nos lençóis não pertencia a moça dona dos sonhos meus. Parado à porta do banheiro, apenas observava aquele leve respirar. Não havia sentimentos bons ou ruins; não havia nada. Sabia que nela haveria essa reciprocidade, quando acordasse. Fora apenas impulso, desejo e instinto. Nos saciamos e nos bastamos. Lavei o rosto e mirei-me no espelho. Meu olhar não permitia mentiras. Nem houvera alguma naquela noite. Ouvi o barulho na cama e pelo canto do olho vi ela se vestindo. Não choramos, não rimos, nem cumprimentos, nem despedidas. Eu tinha apenas o nome dela. Ela levava de mim a atenção de uma noite. Uma noite. Por algumas horas pude esquecer e fi-la deixar de lembrar também. Nem uso nem abuso. Desejos e ilusões saciadas. Sentado no canto do quarto ainda senti o resto do cheiro de nós. Ao entrarem pelas janelas os primeiros raios de sol tudo dela que restava de uma noite se foi.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Meio

Eu pude me ver no sorriso dela.
Era apenas um meio riso; assim como eu, apenas meio: tudo e nada.
Desejei intensamente fazer surgir tal expressão no rosto dela. Busquei-a nas ruas, nos prédios, em quartos, salas, garrafas, cigarros, filmes e poemas, até em outras faces.
Não consegui encontrar.
Sei onde achá-la, no entanto não posso.
A busca com a certeza do não-encontro é uma incerteza permanente aqui dentro.
Basta que feche meus olhos e meu meio riso surja; no ressonar das poucas palavras por ela murmuradas, no mero piscar de seus olhos hipnóticos, no simples respirar do seu nariz e do seu peito.
Transpiro e tremulo.
Gaguejo e tagarelo.
Murmuro e grito.
Aproximo e afasto.
Tudo e nada.
Meio.
Assim como eu.
Assim como o sorriso dela.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Livros 2019

Vou fazer uma listinha, mês a mês dos livros que li este ano. Não farei resenha nem nada do tipo; apenas título e autor.
Se alguém quiser saber algo mais sobre os mesmos sabem como me achar.

JANEIRO 

- Caim - Jose Saramago
- Manson, a biografia - Jeff Guinn
- Trono de Vidro - #1 - Sarah J. Mass
- Trono de Vidro - #2 - Coroa da meia noite - Sarah J. Mass
- A mulher mais bonita da cidade - Charles Bukowski
- A revolução dos bichos - George Orwell

FEVEREIRO 

- Jogador Nº 1 - Ernest Cline
- Trono de Vidro - #3 - Herdeira do fogo - Sarah J. Mass
- Trono de Vidro - #4 - Rainha das sombras - Sarah J. Mass
- O Hobbit - J. R. R. Tolkien

 MARÇO

- Tormenta de fogo - Série Executores #2 - Brandon Sanderson
- O príncipe - Maquiavel
- Calamidade - Série Executores #3 - Brandon Sanderson
- Black hole (hq) - Charles Burns

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito...
Mas a outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida...
Mas a outra metade é saudade

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço...
Mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui...
Mas a outra metade, não sei

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo...
Mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é plateia...
A outra metade é canção

E que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor...
E a outra metade também

Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Uma

Ela apareceu quando eu nunca imaginava. Pois nunca quis. Depois não me imaginava sem. Me mostrou a paciência, a independência, a preocupação, o cuidado e o amor. Éramos tão parecidos. Éramos cúmplices. Durou apenas um ano e uma fatalidade nos separou para todos os outros. Ficará bem onde estiver. Eu, guardarei um pequeno vazio por onde eu for.
















quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O sorriso


Resplandecia de longe, o sorriso.
(Divisaria ele de onde estivesse.)
Me aproximando consegui perceber o olhar, a face, as cores (cores, cores, muitas cores)...
Um beijo.
De leve.
Daqueles que mal tocam os lábios, entretanto trazem e deixam.
- Quanto esperei;
- Quanto desejei.
Lábios que não pronunciaram, apenas sabiam.
Teus cabelos a descansar no meu braço.
Um abraço.
Descobrimos um no outro o que simplesmente imaginávamos.
E éramos.
Os risos, as falas, substantivos e adjetivos vieram todos; depois dos suspiros.
Ahhh!!
O sorriso.
Quis apenas que, se estivesse sonhando, não acordasse. Que se estivesse acordado, nunca mais dormisse.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Música

O jantar transcorrera normalmente. Vinho, histórias, risadas, companheirismo. Como em outras ocasiões ele ficou sozinho à mesa enquanto ela tomaria um banho para que fossem a uma festa na sequência da noite. Ele serviu-se de meia taça de vinho, procurou uma estação de rádio e foi até a janela. Mirando o horizonte, olhando para nada pareceu ter ouvido seu nome ser pronunciado; bem baixinho, de leve, sensual. 'Deve ser a música', pensou. Deu o último no gole no vinho que havia no copo e foi servir-se de mais um pouco. No caminho até a mesa ouviu seu nome vindo do corredor. Largou a taça na mesa de centro e foi adentrando no apartamento. O vapor de água que provinha do banheiro já dizia que a porta estava entreaberta. Chamou o nome dela. A resposta contendo seu nome foi um convite. O contraste do calor emanado do chuveiro com a temperatura amena do lado de fora deixava-o sem visão. Divisava apenas o contorno do corpo dela pelo box de vidro respingado de água. Se perguntarem a ele, nunca saberá a resposta de quanto tempo levou para tirar a roupa. As mãos se perderam umas nas outras. Lábios. Cabelos. Pele. Corpo. Ritmo. Risos. Êxtase. Deixaram-se levar pelo instinto e pelo instante. Não lembra de ter se vestido nem de estar novamente à janela, com a taça quase vazia na mão. Ouviu seu nome sendo pronunciado. Soube, mesmo sem mover-se do lugar, que tudo fora apenas um devaneio: 'Deve ser a música'.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

frio e chuva

Lembrei-me dela o dia todo. A solidão ao acordar trouxe-me a ideia de quando ainda não a conhecia. Na água tépida do chuveiro veio-me o abraço inigualável do seu corpo. Lá fora: o frio e a chuva. Nosso último encontro: a porta de vidro do prédio, sua imagem borrada saindo do meu alcance. Debaixo da marquise permaneci. Foi-se a tarde, a noite foi embora. Uma única lágrima misturada ao choro do céu. Após esse dia, nunca mais a vi.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

encontro

Havia tantas pessoas ao redor que não conseguia distinguir rosto algum. A festa estendia-se e, mesmo com a animação, eu sentia tédio em mim. Em certo momento eu a vi. O sangue bombou em minhas veias. Divisei-a num relance pelo canto do olho: de costas, cabelo solto, a graça típica dela no simples ato de estar ali. Demorei uma eternidade para sair do entorpecimento dos membros de meu corpo. Enquanto dava os primeiros passos em sua direção ela, virando-se lentamente, trazia no rosto o mesmo enfado que habitava-me. Um meio sorriso formou-se quando percebeu minha aproximação. Nos abraçamos e sussurramos palavras de saudade que apenas nossos ouvidos captaram. Com as mãos dadas ganhamos espaço no meio de toda aquela gente. Uma leve percepção acometeu-me de que vários pares de olhos nos miravam. Não nos importamos. Nem precisávamos nos comunicar. Todos nossos sentidos estavam em perfeita harmonia. Longe de tudo e de todos encontramos um ao outro. Um beijo lento selou o nosso comprometimento. Ao ar livre, debaixo de uma frondosa árvore, folhas secas, um princípio de orvalho, minha camisa estendida no chão e o calor de dois corpos fundidos em um. Nem percebemos a tarde cair e a noite nascer. Tínhamos um ao outro e apenas as estrelas como espectadoras.  

segunda-feira, 7 de maio de 2018

do doloroso esquecimento

A pior parte sempre foi tentar esquecer. E, quanto mais se esquece, mais a gente lembra. Lembra-se de tudo que foi; do que poderia ter sido; do que nunca será. Era a vontade dos beijos, do toque, do abraço. Do bom dia para acalentar as manhãs, do oi para iluminar as tardes, do boa noite para que se tenha imagens nos sonhos. Não foi; mas poderia ter sido. Tanto tempo preenchido com esperanças vãs que hoje o vazio impera e dói. Lembro de ouvir alguém dizer: 'você recebe de volta tudo que emana de si', não tenho nada para que retorne. Extinguiram-se até as forças para lutar. Restaram apenas a resignação e a indiferença. E essas são as piores sensações que poderíamos experimentar.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Sentidos

No meio da madrugada, sobressaltado, acordei. Tateei a cama inteira; cacei peças de roupa debaixo do travesseiro; respirei fundo procurando o perfume; chamei o nome - uma vez, duas, três vezes. A luz do abajur ligada trouxe-me sombras, em vez de clareza; quanto mais escondia muito mais me esperançava. Nos cômodos da casa apenas o eco da voz (a minha?). Sentado na cama recordei que minutos atrás nossos olhares se cruzavam, assim como nossos dedos, braços e pernas. Afagávamos um ao outro e nos afogávamos em beijos. Sentíamos a dependência e medo algum de não sermos um só. No meu peito fizeste moradia, no teu encontrei um lar. A felicidade que senti deu lugar a tristeza de nada disso ser realidade. Pelo vidro da janela percebi então: os sentidos que haviam em mim caíam lá fora em forma de chuva.   

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Romeu & Julieta - Trecho - Shakespeare

"Quem é aquela dama, que dá a mão ao cavalheiro agora?
Ah, ela ensina as luzes a brilhar!
Parece pender da face da noite
como um brinco precioso da orelha de um etíope!

Ela é bela demais pra ser amada
e pura demais pra esse mundo!
Como uma pomba branca entre corvos,
ela surge em meio às amigas.

Ao final da dança,
tentarei tocar sua mão,
pra assim purificar a minha.

Meu coração amou até agora?
Não, juram meus olhos.
Até esta noite eu não conhecia a verdadeira beleza."

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Relato de um copeiro, por Murilo Loss Franzen

    
    
     Tudo começou no dia 18/04/1990, três dias após o meu nascimento. Eu era apenas um recém-nascido com 3,1 kg, 47 centímetros, olhos verdes e com uma alma já campeã. Meu time o Grêmio tinha acabado de ser o Supercampeão do Brasil e três meses depois (29/07/1990) campeão gaúcho pela 28° vez. Não entendia quase nada o que se passava ao meu redor, e muito menos o que seria uma partida de futebol, mas já tinha a certeza que ali nascia e crescia junto comigo um amor insubstituível e uma paixão indescritível.

     O tempo foi passando e esse amor, essa paixão foi ganhando forças, eu já não era mais aquele recém-nascido de 3,1 kg, já conseguia intender um pouco o que era futebol, o que era um título brasileiro, o que era um título da copa do Brasil, o que era um título da libertadores da América, e o que era um título mundial, pois meu pai seu Waldemar (outro gremistão), conhecido como Alemão, já garganteava que nós éramos campeões de todos esses títulos.

     Se tudo isso já não bastasse, quando cheguei aos meus 5 aninhos de idade já tinha visto meu time ser campeão invicto da copa do Brasil (1994) e 3 vezes campeão gaúcho (1990, 1993,1995), e foi nesse ano, em 1995 que eu ganhei o meu primeiro ídolo tricolor, o nome dele era PAULO NUNES. Lembro-me como se fosse ontem quando ganhei dos meus avós a camisa número 7 do vulgo Paulo Bala. Sem dúvida o melhor presente que eu já havia ganhado... até o dia 23/08/1995 quando vi o meu ídolo aos 10 minutos do segundo tempo marcar o seu gol no primeiro jogo da final da taça libertadores da América! Haaa esse sim foi um presente! Sete dias depois (30/08/1995) eu pude gritar "É campeããão!", pois meu time era Bicampeão da América!

     No ano seguinte, já era um Gremista completamente fanático, já não perdia um jogo do meu tricolor, e foi em um desses jogos de 1996 que eu vi essa máquina golear o time argentino chamado de independiente por 4 x 1, com direito a gol dele, o diabo loiro! o meu ídolo Paulo Nunes aos 35 minutos do segundo tempo! e com isso levar para o Olímpico Monumental o título de Campeão da Recopa Sul-Americana.

     Mas o ano ainda não havia acabado, e muito menos os títulos, dia 15/12/1996 eu vi o meu Grêmio ser Bicampeão Brasileiro. Era um título atrás de outro, éramos um exemplo de time. Em 1997 mais uma vez fomos campeões invictos da Copa do Brasil, título que novamente se repetiu em 2001. Éramos o único time Brasileiro a ser Tetracampeão da Copa do Brasil.

     Em 2004 tivemos um tropeço e acabamos rebaixados para a segunda divisão do campeonato brasileiro do ano de 2005, mas conseguimos voltar como campeões da série B em um jogo que ficou conhecido mundialmente como “a batalha dos aflitos”, onde o Grêmio precisava da vitória e no decorrer do segundo tempo marca-se um pênalti contra a minha equipe e gera uma confusão generalizada que paralisou o jogo por 27 minutos e que levou a expulsão de 4 jogadores do Grêmio. Éramos apenas em 7 jogadores e tínhamos um pênalti a favor do adversário. A continuação dessa história vou deixar que o narrador da partida, Pedro Ernesto Denardin conte com suas palavras: “É inacreditável, I-na-cre-di-tá-vel: com sete homens em campo, com sete homens em campo o Grêmio está fazendo uma façanha. Só o Grêmio, a sua força, a sua fé, eu nunca vi disso, o mundo nunca viu nada parecido. O Grêmio está fazendo uma façanha extraordinária, uma façanha que não tem na história do futebol mundial”. Nosso goleiro Galatto pegou o pênalti e ainda marcamos um gol!

     Em 2007 tive novamente a sensação de poder ganhar a libertadores, mas fomos derrotados na final pelo Boca Juniors. No dia 10/10/2012 me tornei sócio torcedor gremista, no mesmo ano presenciei o último jogo do olímpico monumental e o magnífico espetáculo de inauguração da nova arena do Grêmio.

     Na noite do dia 25 de julho de 2013 foi criado em minha cidade o consulado do Grêmio. Estavam presentes no evento o diretor adjunto regional Carlos Emanuele e seu adjunto Marcelo Basso que me nomearam cônsul da cidade. Como cônsul passei pela maior crise de título do Grêmio, não foi fácil, mas NUNCA o abandonei, estivemos juntos para o que der e vier. Mas a crise já é passada, vamos voltar a falar dos momentos de glórias.

     Depois do jejum o próximo título aconteceu apenas em 2016, o técnico Renato Portaluppi resgatou a alma copeira que é característica do Grêmio e nos proporcionou o pentacampeonato da copa do Brasil. Um título muito comemorado, tornando mais uma vez o Grêmio “O Rei de Copas!”.

     Tenho certeza que essa história de Amor terá muitas páginas ainda... quem sabe ainda nesse ano de 2017 com o tri da América!

     Somos copeiros, somos guerreiros, e estaremos contigo meu grêmio no que der e vier. Vamos torcer, gritar e cantar junto com a melhor Banda e a Melhor torcida do Mundo. Se depender do meu apoio e da minha torcida esse ano a copa é nossa!

Murilo Loss Franzen

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

repetições

releio livros que gostei. dostoiévski, jane austen, goethe, wilde, bukowski, machado de assis. recorro a eles sempre que preciso mergulhar em mim mesmo. escuto, invariavelmente, as mesmas bandas. doors, led, pink, nirvana, pearl jam. uso-as como regentes da trilha sonora da minha vida. o mesmo com filmes e séries. histórias que já vi serem contadas mas que a cada vez me surpreendem com detalhes que antes passavam despercebidos. meus sonhos não seriam diferentes. ainda não me acostumei a vê-la nas madrugadas. nem me acostumarei, depois desse tempo todo. a cada vez que ela sorri, sorrio junto com ela. quando ela me toca, toca-me a alma. se beijos acontecem, muitos mais eu imagino ao acordar. nem me importa que não a tenha, tenho-a em mim. e desejo que se repita. todas as noites ao fechar dos olhos meus.